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'Ser transex é ter alma feminina', diz a modelo Carol Marra

Após brilhar na passarela com um maiô, Carol Marra fala dos desafios de ser uma modelo transexual, dá vontade de fazer a cirurgia de mudança de sexo e dos projetos para trabalhar na televisão

Redação Publicado em 23/05/2012, às 17h07 - Atualizado em 10/06/2012, às 05h54

A modelo transexual Carol Marra - Felipe Assumpção/ AgNews; Paulo Mumia
A modelo transexual Carol Marra - Felipe Assumpção/ AgNews; Paulo Mumia

Além de Laís Ribeiro (22), quem roubou a cena no desfile da grife Victor Dzenk nesta quarta-feira, 23, no Fashion Business, foi Carol Marra (24). Usando um maiô com aplicações apenas em partes estratégicas, a modelo transexual fez seu primeiro desfile pela marca e contou como ingressou na profissão.

“Eu trabalhava com produção de moda, então meu amigos fotógrafos, que gostavam da minha androginia, falavam que eu deveria posar para eles e assim fui virando modelo”, disse ela, que é top há um ano.

Mas o talento de Carol vai além. Ela também é atriz e se prepara para estrear como apresentadora. “Sou atriz e estou fazendo um curso de preparação para a televisão e cinema em São Paulo, pois não tenho mais 17 anos e carreira de modelo tem prazo de validade. Estou fazendo algumas matérias especiais no programa ‘Mulheres’, da TV Gazeta, sou a primeira transex repórter em programa feminino, e tenho um convite para setembro para trabalhar como atriz em um TV aberta, mas ainda não posso dar detalhes”.

Carol já aprendeu a conviver com a curiosidade das pessoas em relação ao fato de ser transexual e não esconde a vontade de fazer a cirurgia de mudança de sexo. “Entendo a curiosidade das pessoas. Com essa roupa de hoje, por exemplo, fica aquele burburinho ‘Será que ela vai esconder tudo?’. Eu ia fazer a cirurgia no início do ano, mas não fiz por falta de tempo. Esse é o meu sonho, mas é uma operação complicada, precisa de tempo”. E acrescentou, definindo o que é ser feminina: “Ser mulher transcende a vagina, não é? Ser trans é ter alma feminina presa em um corpo masculino, não é como o travesti, que faz uso de seu órgão sexual. Preciso da cirurgia para me sentir completa”.

Além da cirurgia, Carol gostaria de realizar o desejo de ver vários modelos transex na passarela e acabar com o preconceito. “Desde criancinha eu não me entendia. Não era aceita pelos meninos, que me batiam e me chamavam de bicha. Não ia ao banheiro na escola por vergonha e acabava fazendo xixi na calça, mas nunca gostei de gay, gosto de homem. Gostaria que um dia não fosse mais tabu e que tivesse não só uma, mas várias transex na passarela. Transex não é marginal!”, finalizou.

Outra modelo transexual famosa internacionalmente é Lea T (30), também amiga de Carol Marra.