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'A maldade é fatal para a comédia', diz Falabella

Redação Publicado em 05/07/2011, às 22h22 - Atualizado às 23h02

Miguel Falabella - CelsoAkin/AgNews
Miguel Falabella - CelsoAkin/AgNews

Uma pitada de maldade é fundamental para uma boa comédia, garante o autor, diretor e ator Miguel Falabella (54), que traz pela primeira vez para São Paulo a comédia de costumes A Escola do Escândalo, texto do autor irlandês Richard Brindley Sheridan. “É possível fazer humor sem um pouco de maldade? Este é um dos questionamentos da peça”, diz o diretor logo no início da entrevista coletiva, ao lado do elenco, nesta terça-feira, 5, no teatro Raul Cortez, na capital paulista.

Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, a peça com adaptação e direção de Miguel Falabella chega a São Paulo e fica em cartaz de 8 de julho a 18 de setembro. “Conheci este texto ainda na época em que fazia faculdade e comecei a traduzi-lo lentamente nas madrugadas de insônia. Fundi 23 personagens em 10 e tive a coragem de montar, já que é preciso coragem para mexer em um texto como o de Sheridan”, explica Falabella. “Montar esta peça era um sonho que eu acalentava”, completa.

O espetáculo será apresentador em em dois atos, e não três como no Rio de Janeiro, – o texto original apresentava cinco atos - e o ator Tonico Pereira (63) substituirá Ney Latorraca (66) no papel de Pedro Atiça, o marido rabugento de Rosália, personagem de Maria Padilha (52).

Além de Maria e Tonico, o casal principal da peça, estão no elenco Bruno Garcia (40), Jacqueline Laurence (78), Cristina Mutarelli (55), Rita Elmôr (36), Marcelo Escorel (50), Chico Tenreiro, Bianca Comparato (25) e Armando Babaioff (30).

Para Falabella, o texto de Sheridan mostra vários aspectos de uma sociedade, independente de sua época, tais como o prazer de falar da vida alheia, a ambição, a maledicência. “O politicamente correto é muito chato. E o texto mostra justamente as fragilidades do ser humano. Quem nunca sentou num bar para falar mal de alguém?”, pergunta ele. “E a maldade é fatal para a comédia”. E Maria Padilha completa: “As pessoas têm a ilusão que se protegem fazendo o politicamente correto, mas na verdade o politicamente correto protege apenas as grandes corporações”, dispara a atriz, cuja personagem se deslumbra com as futilidades da alta sociedade. “Se naquela época as mulheres ficavam enlouquecidas com suas grandes perucas, a maquiagem, hoje essa loucura obsessiva está voltada para o culto ao corpo. É um texto que traz muita contemporaneidade”.

Para Bruno Garcia, que interpreta José Fachada, a comédia A Escola do Escândalo mostra as pessoas como ela são na vida real. “Na verdade ela é o auge da sofisticação da futilidade. Meu personagem parece ser um homem cheio de princípios, mas ele não é nada disso”. Já para Tonico Pereira, o texto expõe as relações medíocres que as pessoas vivem. “E para compor esses personagens não precisamos ficar observando o outro, temos cada um deles dentro de nós. Eu tenho o rabugento, o cafetão, a prostituta dentro de mim”, conclui o ator.