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Etimologia

Redação Publicado em 07/08/2012, às 11h42 - Atualizado às 11h47

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Embora seja época de frio, palavra vinda do latim frigidum, parece que os invernos já não são os mesmos no Brasil, possivelmente em todo o planeta. “Heureca”, que teria sido dito por Arquimedes, tem origem no grego “Heúreka” e significa “Achei a solução para o problema”.

Alavanca: do grego phálangos, declinação de phálanx, pelo latim clássico phalanga e daí ao latim vulgar palanca, do qual passou ao espanhol palanca, do mesmo étimo do Português palanque. Alavanca designa barra de ferro ou de madeira, bem rígida, que se emprega para mover ou levantar objetos pesados. Também a peça ou o mecanismo que move engrenagens recebe este nome. Assim, temos alavanca de câmbio ou alavanca de mudança de marchas, por meio da qual o motorista troca as marchas do carro, em geral de seis: cinco para a frente e uma para a ré. É célebre a frase do matemático e inventor grego Arquimedes (297-212 a.C.), definindo a alavanca: “Deem-me um ponto de apoio e eu moverei o mundo.”

Frio: do latim frigidum, frio, temperatura fria, aplicado também ao defunto, gelado pela morte. No sentido metafórico, qualifica o espírito desprovido de clemência, frio, que age friamente, com frieza, como presente na expressão “a sangue frio”. Para designar a temperatura muito fria, diz-se “frio do cão”, provavelmente expressão dos imigrantes europeus, que, ao chegarem ao Sul do Brasil, no século XIX, inverteram a frase “calor do cão”, “canícula”, inspirada na estrela Sírio, da Constelação do Cão, que, quando entra em conjunção com o Sol, anuncia um calor danado na Europa, o que se dá em agosto. Sírio, em grego, significa “eu seco”. Ao chegarem ao Sul do Brasil, nossos ancestrais tiveram de mudar a expressão para frio do cão, pois em agosto faz muito frio, sobretudo naquela região meridional. Os gaúchos têm ainda outro ditado para expressar o frio intenso: frio de renguear cusco. Renguear é mancar. Cusco é cachorro. Quando o frio é muito intenso, o cachorro, também chamado cão, manca, pois as pernas traseiras endurecem, longe que estão do aconchego do peito. 

Guglar: do inglês googol, pela aliteração google, invento de buscas criado por dois estudantes da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Em 1920, o matemático Edward Kasner (1878-1955) perguntou a seu sobrinho, Miltom Sirotta (1911-1981), então com 9 anos, que brincava ali por perto dele enquanto o tio fazia alguns cálculos, que nome daria a um número enorme, 10¹ºº, o número 1 seguido de 100 zeros. O menino respondeu: “Googol”. Edward inventou também a palavra googolplex, 10 elevado à potência googol.

Heureca: do grego heúreka, achei, pretérito perfeito do indicativo do verbo heurískein, achar, descobrir, empregado quando se encontra a solução de um problema, como o fez Arquimedes. Segundo o romano Marcus Vitruvius Pollio (século I a.C.), o rei Hierão II (306-215 a.C.) desconfiou do ourives, a quem dera ouro puro para ele fazer uma coroa e queria ter certeza de que o suposto fraudador não tinha misturado prata ao metal, para roubá-lo. Ele pediu a Arquimedes que verificasse isso, mas sem danificar a coroa. O cientista encontrou a solução enquanto tomava banho, ao ver que, ao entrar na banheira, uma quantidade de água era deslocada e ele podia, mergulhando a coroa na água, descobrir a densidade da peça. Ficou tão contente que esqueceu de se vestir e saiu gritando pelas ruas: “Eureka!”, que em grego significa “Encontrei!”. Diz-se também eureca.

Miríade: do grego myriádos, de myriás, 10000, mas não em sentido denotativo apenas, tendo também o valor simbólico de grande quantidade, em número impreciso. Foi primeiramente aplicada à astronomia: “havia no céu myriádos, variante de myriás, de estrelas no céu.” Mas depois Arquimedes declarou que poderia escrever um número maior do que o número de grãos de areia que seriam necessários para preencher o universo.

Renguear: do germânico wrankjan, torcer, mas  pelo espanhol hispanoamericano rengue, que deu rengue e rengo em português. No espanhol metropolitano é renco, aplicado a homem ou animal que arrasta uma perna, sinônimo de coxo, manco. Ari Riboldi, estudioso de expressões de nossa língua, especialmente gauchescas, diz que a expressão “frio do cão” deve-se a que no Rio Grande do Sul, no inverno, “o cão sente tanto frio nas patas que caminha devagarinho, mantendo ora uma pata traseira elevada do chão, ora a outra, evitando o contato com o gelo por mais tempo, dando a impressão, para quem o olha de longe, de que está rengo.”