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TV / SUCESSO

Elenco e autores falam sobre 'Bom dia, Verônica', série da Netflix sobre violência contra a mulher

Tainá Müller, Camila Morgado e Eduardo Moscovis protagonizam Bom dia, Verônica, série adaptada do livro homônimo de Raphael Montes e Ilana Casoy

Bárbara Moura Publicado em 01/10/2020, às 14h30 - Atualizado às 18h33

Elenco e autores falam sobre 'Bom dia, Verônica', série da Netflix sobre violência contra a mulher - Divulgação/Netflix
Elenco e autores falam sobre 'Bom dia, Verônica', série da Netflix sobre violência contra a mulher - Divulgação/Netflix

Nesta quinta-feira, 1,  a série brasileira Bom dia, Verônica chega a Netflix, abordando violência contra a mulher em uma trama super instigante. A produção é uma adaptação do livro homônimo da criminóloga Ilana Casoy e do escritor Raphael Montes.

Tainá Müllerinterpreta Verônica, uma escrivã da Delegacia de Homicídios de São Paulo, com sede por justiça, que se envolve em dois casos intrigantes. A primeira vítima, é uma mulher enganada por um golpista na internet. A segunda, Janete (Camila Morgado), esposa de Brandão (Eduardo Moscovis), um serial killer que leva uma vida normal, mas que tem uma mente cruel.

Em mesa redonda exclusiva, os autores e elenco falaram sobre a importância da série nos dias de hoje, além de ser o primeiro thriller brasileiro da Netflix, e como foi viver personagens tão fortes.

"Eu acho que a série consegue tratar de assuntos muito urgentes no Brasil, assuntos que estão nos jornais todos os dias para todo mundo ver, não é segredo para ninguém. E faz isso de uma forma assim, que tem uma autenticidade nossa, que tem um tempero nosso. Isso eu acho muito legal, de ir para o mundo, dessa forma, porque estamos tratando temas urgentes para gente, para levantar um debate da nossa sociedade, mas tá levando para o mundo também.", aponta Müller.

Camila  alertou sobre o fato da violência contra a mulher ter crescido durante a quarentena: "Eu acho fundamental a gente falar nesse tema, tão urgente, a gente precisa tocar no assunto, pressionar a sociedade. A gente precisa abrir para a reflexão, trazer o diálogo. A gente viu agora como a violência doméstica aumentou na pandemia. Como a sociedade normatiza essa questão, e o quanto isso tem que ser falado, tem que dar nome, acho que a série vem para isso. Através da ficção, é maravilhoso, a gente pode falar de um tema, as mulheres podem se identificar e a gente nomeia, 'isso se chama violência doméstica'".

Como homem, Du Moscovis reconhece que é necessária uma reflexão: "Eu levo muito para o meu lado pessoal, de ator, homem, que vive no polo econômico do país, na zona sul carioca, então eu acho que eu me sinto responsável de fazer com que esse tema seja levantado, questionado e refletido a partir de mim. A partir da onde eu me sinto responsável enquanto ator, artista e cidadão, que esse tema seja falado. No meu privilégio, eu acho que é fundamental a gente se questionar, questionar o nosso comportamental. Eu como homem, nas minhas relações com as minhas companheiras, relações de amor ou social. Acho que a partir de mim pode ser que apareça uma reflexão".

Camila, que interperta Janete, que vive um relacionamento abusivo com Brandão, fala sobre como foi fazer a vítima: "Eu tive muito respeito por viver a vítima, eu precisava que essa história fosse contada pelos estágios da vítima. Eu tinha um comprometimento de que a vítima fosse bem retratada e fosse verossímil. Então, eu comecei a perceber os estágios dela, eu e o Du a gente falava muito sobre isso, os estágios que a vítima passa, no primeiro momento é sempre uma vergonha, ou ela sente culpa, se sente responsável, não entende que aquilo que ela tá sofrendo tem nome. Ela acha que ela é a responsável por isso. Então, até a vítima começar a entender e ser acolhida, como ela é acolhida pela Verônica, e começar a fazer a passagem de que ela não é responsável e sim, vítima, leva um tempo, porque ela fica muito tempo sendo manipulada pelo agressor…  Então, eu quis fazer essa passagem, para ela começar a entender que ela sofre violência doméstica, que ela é vítima e que existe um nome para aquilo sim. Que ela tem que fazer a denúncia, ela precisa fazer essa transcrição".

Moscovis analisa seu personagem e a importância da construção junto a Camila: "Eu observo muito a personalidade da Janete e da Verônica como complementares, a Verônica é tudo aquilo que uma mulher como a Janete, precisa ser. Ela precisa ter uma atitude, precisa romper aquilo, precisa ir atrás, ter voz e atitude. Tem que sair desse lugar da submissão, sentir que tem uma voz ativa e também se sentir amparada para isso. A construção desse personagem entra na construção do casal, como é que a gente estabelece essa relação do Brandão com a Janete? Óbvio que a Janete vai potencializar o perigo do Brandão. (...) A gente vai estabelecendo esses limites, e esse tom de voz, esse lugar desse cara,  é muito mais ameaçador, cruel e covarde, quando você percebe que esse cara existe do seu lado".

Ilana, autora do livro, elogia o trabalho de Du como Brandão, pois era necessário que o personagem fosse real, e não um vilão caricato, para que o público se identificasse.

"O que o Du trouxe para o Brandão, que era uma preocupação, de não virar uma caricatura de bandido, porque não era esse o propósito. Conseguiu fazer um homem complexo, com coisas mal resolvidas. Então, apesar daquele homem fazer sofrer tanto, como a gente pode se emocionar com o sofrimento dele também", apontou Casoy.

Com a enorme emoção de transmitir sua história autoral para 190 países, a autora afirma: "Uma vida que você salva, você salvou o mundo inteiro. Eu acho que essa série, pelo menos uma mulher vai salvar, na reflexão que causa, no debate que causa. E eu também tive o privilégio de ser o Rapha Montes que adaptou para o audiovisual, que também é autor comigo. Então isso fez com que não perdesse a essência, sem que o recado fosse minimizado, foram cortes muito bem pensados e adicionou coisas muito pensadas".

Raphael, além de ter escrito o livro, também foi responsável pelo roteiro da série: "Há alguns anos quando tive a oportunidade de trabalhar como roteirista, a partir dali eu entendi que o audiovisual tem uma potência… Primeiro, a imagem, a imagem comunica na hora. A segunda, é o fato de que uma série da Netflix comunica na hora para 190 países com várias legendas, com dublagens. Então essa minha vontade de comunicar foi quase automática na minha vida para o audiovisual no início da carreira e também no processo de adaptação do livro para a série. Para fazer esse trabalho, claro, foi necessário deixar de lado um pouco o Raphael escritor e entrar em cena o Raphael roteirista".

Montes também cita a importância do audiovisual para denunciar temas tão sérios: "Eu acredito que chegar a mais gente, poder comunicar, num thriller, com virada, com gancho, mas que além disso, traz temas importantes, traz denúncias, cutuca feridas.... É a união perfeita de entretenimento com pertinência. Quando a gente consegue isso, que é muito difícil, é uma alegria".