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Casamento Real de Albert & Charlene

Príncipe e plebeia unem seus destinos

Redação Publicado em 05/07/2011, às 14h46 - Atualizado em 06/07/2011, às 01h37

Sob chuva de pétalas de rosas brancas, o chefe de Estado de Mônaco e a ex-nadadora sul-africana irradiam felicidade ao deixar o Palácio Magnífico após cerimônia religiosa. - Reuters
Sob chuva de pétalas de rosas brancas, o chefe de Estado de Mônaco e a ex-nadadora sul-africana irradiam felicidade ao deixar o Palácio Magnífico após cerimônia religiosa. - Reuters

Protagonista de um autêntico conto de fadas da vida real, a ex-nadadora Charlene Wittstock (33) imprime seu nome na história ao conquistar o coração do príncipe Albert II (53), de Mônaco. Após cinco anos de namoro, a jovem nascida no Zimbábue e radicada na África do Sul disse “sim” ao monarca e resgatou a magia de um casamento real, cena que não se via no principado desde 1956, quando os pais do noivo, a diva de Hollywood Grace Kelly (1929-1982) e o príncipe Rainier III (1923-2005), trocaram juras de amor eterno. “É um momento emocionante demais para mim. Sou uma mulher de sorte por ser amada pelo homem que amo”, afirma ela, que conheceu Albert em 2000, em evento internacional de natação na terra dele, e começou a namorá-lo em 2006. “Uma nova página na história do principado se inicia hoje. Sei que a espontaneidade e generosidade de Charlene florescerão e farão a alegria de Mônaco e de seus habitantes”, anuncia o soberano, no trono há seis anos.

Após o mundo ter parado para assistir à suntuosa boda do príncipe William (29), da Inglaterra, com Kate Middleton (29), no dia 29 de abril passado, a história se repete: uma plebeia desposa um integrante da realeza e dá novo fôlego à tradição e glamour da monarquia. Diante de 3500 convidados, distribuídos na área externa e no pátio interno do Palácio Magnífico, Charlene cruzou o tapete vermelho conduzida por seu pai, o gerente de vendas Michael Wittstock (64), em elegante fraque, e seguida por sete adoráveis daminhas de honra, em trajes campestres. Ao som de Standing Stone, de Paul McCartney (69), ela adentrou o pátio da residência oficial da realeza, que se transformou em uma catedral ao ar livre. Ali, 850 pessoas puderam acompanhar de perto o majestoso enlace. Os demais convidados seguiram a cerimônia em telões. As canções foram entoadas pelos tenores Andrea Bocelli (52) e Juan Diego Flórez (38) e pelos sopranos Renée Fleming (52) e Pumeza Matshikiza, acompanhados pela Orquestra Filarmônica  do principado e pelo Coral da Ópera de Monte Carlo.

Dona de apurado bom gosto, a noiva fez de seu vestido uma atração à parte. Assinado por Giorgio Armani (76), o modelo de seda off-white, discreto, porém digno de princesa, impressionou com a longa cauda, além dos 40 000 cristais e 20000 pérolas, trabalho de bordado que consumiu 2500 horas de dedicação. O véu duplo, de 5m, feito com tule e seda, consumiu 20m de tecido e foi arrematado por delicado arranjo de brilhantes preso ao coque chignon. “Não sou escrava da moda. Joias uso apenas para grandes eventos e gosto de vestidos simples. Armani é meu estilista favorito”, comenta ela. “Na África do Sul, à beira do rio, havia animais selvagens, elefantes, girafas e minha filha vivia correndo para todos os lados, cavalgando, coberta de poeira”, relembra o pai da noiva. “Vi Charlene se transformar em uma princesa aqui. Ela adquiriu um gosto pela moda e se tornou uma linda mulher”, completa Michael. Por sua vez, Albert seguiu o protocolo e trajou uniforme creme de verão da Guarda do Palácio.

Decorado com 9000 delicadas rosas equatorianas, o local era o cenário perfeito para a cerimônia religiosa, pontuada por requinte e emoção, presidida pelo arcebispo de Mônaco, Bernard Barsi (68). “Hoje, nós oramos para Albert e Charlene, para que se doem um ao outro para sempre”, proferiu o religioso, no início das atividades litúrgicas, de quase uma hora e meia de duração. A afirmação dos votos nupciais foi seguida pela troca de alianças. Tomada pelo calor do momento, Charlene confundiu-se e deu a mão direita ao receber a joia, ato rapidamente corrigido. Albert, então, retirou carinhosamente o véu da eleita para o momento mais esperado do dia, o beijo.

Após receber a bênção, o casal deixou o palácio sob chuva de pétalas de rosas e fez cortejo pelas ruas de Mônaco em um LS 600h L Landaulet, desenvolvido especialmente para a ocasião. A máquina híbrida funcionou no modo de zero emissão, ou seja, utilizando apenas o motor elétrico, levando em conta as questões ambientais, tão defendidas pelo soberano. “O bem estar causado pela preservação ecológica beneficiará as futuras gerações”, costuma dizer o governante monegasco, cuja dinastia, Grimaldi, está no poder desde 1297. O trajeto foi acompanhado por súditos, que demonstraram apoio aos recém-casados com acenos — retribuídos pela dupla — e bandeirinhas da África do Sul, Mônaco e da própria boda, com as iniciais dos príncipes entrelaçadas por uma coroa.

A próxima parada foi a igreja Sainte Dévote, onde Charlene depositou seu buquê em homenagem à Santa Devota, padroeira do principado, assim como o fez a mãe de Albert, Grace Kelly, após seu casamento, na mesma igreja. Ao repetir o gesto da sogra, a ex-atleta olímpica sul-africana não conteve as lágrimas e emocionou os que estavam à sua volta.

Embora Albert tenha recebido ao logo dos anos grande atenção da imprensa por namorar modelos e atrizes famosas como Naomi Campbell (41) — que prestigiou a boda do ex —, Claudia Schiffer (40) e Brooke Shields (46), sua aparente falta de “interesse” para casar, até então, aqueceu os boatos de que ele seria homossexual. Negando consistentemente a insinuação, em 1994 ele concedeu entrevista à uma revista francesa dizendo: “No começo era engraçado, mas se tornou irritante ouvir as pessoas dizendo que sou homossexual.” As especulações, entretanto, não intimidaram o soberano. “Desde jovem, eu me acostumei com a presença incessante de fotógrafos. Algumas de minhas namoradas que foram expostas, mesmo que por pouco tempo, a esse tipo de vida não ficaram nenhum pouco satisfeitas”, emendou, já prevendo como seria a rotina de sua princesa. “A vida não será fácil para minha futura mulher”, disse ele, bem antes de conhecer Charlene.

O matrimônio também pôs um ponto final aos rumores de que Charlene havia tentado fugir para casa, no continente africano, na semana em que subiu ao altar. Supostamente, ela teria sido parada e tido o passaporte confiscado no Aeroporto de Nice tentando embarcar com bilhete apenas de ida, pois teria tomado conhecimento de fato perturbador sobre a vida de seu amado. Uma mulher alegara estar grávida de Albert, já pai de dois herdeiros ilegítimos: Alexandre (7) — de affaire com a aeromoça Nicole Coste (39), do Togo — e Jazmin (19) — cuja mãe é a agente imobiliária norteamericana Tamara Rotola (49) —, que não testemunharam a união. “Esses rumores só visam a prejudicar a imagem do soberano e, consequentemente, da senhorita Wittstock”, versa comunicado oficial. Se exame de DNA será realizado, é ainda uma incógnita.

Prova de que o amor supera qualquer barreira, o par deixou de lado as diferenças, como a idade, de 20 anos, e as de nacionalidades, religiões e línguas. Desde o noivado, em junho de 2010, a até então aspirante à princesa se preparou energicamente para entrar para a família real. Além de aprender o dialeto monegasco, o francês e diversos protocolos da nobreza, Charlene se converteu e foi catequizada na Igreja Católica Romana, já que fora criada como protestante, dando fim a possíveis obstáculos constitucionais que o casal poderia enfrentar com relação aos futuros herdeiros. “Sou apaixonada por crianças e começar uma família está nos planos. Não queremos que demore muito para termos filhos”, adianta a bela, que reside no principado desde 2007.

Concluídos os protocolos e rituais católicos, os dois receberam na Opéra Garnier para jantar e baile de gala com menu do renomado chef francês Alain Ducasse (55). Morador de Mônaco, ele presenteou o casal com o seu serviço. No cardápio, 17 tipos de legumes e a especialidade da nação, a barbagiuan — empanada vegetariana. O centro das atenções do banquete, no entanto, ficou por conta do gigantesco bolo de cinco camadas, com 50kg de morango e enfeitado com uma cornucópia e flores, incluindo as proteas, típicas sul-africanas. A nova princesa, claro, não repetiu o vestido, e optou por um ainda mais discreto longo, também Armani, enquanto Albert desfilou elegância em jaqueta militar offwhite. À capela, ouvia-se Hymne à L’Amour, de Édith Piaf (1915- 1963). Em pista espelhada, a primeira dança do casal foi ao som de canção escrita exclusivamente pelo conterrâneo de Charlene Jason Hartman (31) e magnetizou os 450 vips na antológica soiréé.