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O tom mais descontraído da bailarina Ana Botafogo

Em casa, a bailarina Ana Botafogo diz como abstrai do rigor exigido pela carreira de 35 anos

Redação Publicado em 10/10/2011, às 16h57 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

Relaxada, Ana mostra sua leveza na sala. - Selmy Yassuda
Relaxada, Ana mostra sua leveza na sala. - Selmy Yassuda

Assim que entra pela porta do apartamento onde mora há 17 anos, no Flamengo, Rio, a bailarina Ana Botafogo (55) conta deixar de lado toda a formalidade e o rigor exigidos pela profissão. E revela que a imagem irretocável, vista nos palcos através da postura, leveza e graciosidade presentes nos movimentos da dança clássica, dá espaço para alguém bem mais descontraído na intimidade. “Me dispo por completo dessa figura onírica, acostumada a ser comparada com a bonequinha perfeita das caixinhas de música. Aqui, é o único lugar em que consigo ser totalmente eu. Alguém despojada, divertida, que adora ficar descalça e sentar no chão de casa para brincar com Pu-yi, conta Ana, referindo-se ao seu cãozinho da raça pug. É na residência também que ela gosta de organizar jantares para comemorar as conquistas. Este ano, em especial, Ana tem diversos motivos para celebrar. Além de completar 35 anos de carreira, sendo 30 como primeira bailarina do Theatro Municipal, ela ainda estreou mês passado, em Curitiba, o balé Marguerite e Armand, já exibido também em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na terça-feira, dia 18, viaja para Santa Catarina, onde participa do evento Jaraguá em Dança 2011.

Mas se o campo profissional segue agitado, a bailarina confessa preferir levar a vida amorosa com bastante calma. Ana, que perdeu o marido, Fabiano Marcozzi, há dez anos, vítima de um AVC, ainda desconversa sobre se apaixonar novamente. “Meu trabalho sempre foi muito bem planejado, mas a parte pessoal eu prefiro deixar se desenrolar sozinha. Há certas coisas que simplesmente acontecem”, filosofa.

– Que lembrança mais marcante tem no seu apartamento?

– A montagem dele. Me mudei para cá quando casei com Fabiano. Nada foi feito da noite para o dia. A cada ano, juntos, comprávamos alguma peça e, assim, construímos nosso lar. A imagem de São Simão que tenho na sala, por exemplo, ele adquiriu em um antiquário.

– O balé já ajudou a superar algum momento de tristeza?

– Sim, essa é uma profissão que exige concentração. Além disso, requer tanta disciplina que nunca pude ficar afastada muito tempo. Quando perdi meu marido, a vontade que tinha era de ficar embaixo do cobertor chorando. Mas a quantidade de ensaios amenizou um pouco a dor.

– Pensa em parar de dançar?

– Sim. Mas desejo parar certa da decisão. Tenho consciência de que para essa profissão é essencial vigor e juventude. Estou dançando mais que imaginava. Talvez Marguerite seja um ponto final de todos os grandes clássicos.

– Você já participou das novelas Páginas da Vida, em 2006, e Viver a Vida, em 2009. Voltar a atuar é um projeto?

– Faço aulas de interpretação há dois anos. Acho que a carreira de atriz é uma possibilidade de continuar em cena.