Revista CARAS
Facebook Revista CARASTwitter Revista CARASInstagram Revista CARASYoutube Revista CARASTiktok Revista CARASSpotify Revista CARAS

LIVING DESIGN: Ai Weiwei - Arte censurada pelo governo chinês

Ai Weiwei, o artista plástico chinês mais conhecido no exterior, foi preso por sonegar impostos. No entanto, a verdadeira intenção do governo ao detê-lo era tirá-lo de circulação. Conheça um pouco da história de Ai Weiwei e suas obras!

Redação Publicado em 08/06/2011, às 16h23 - Atualizado em 01/07/2011, às 15h13

Ai Weiwei em sua polêmica obra Derrubando a Dinastia Han. Para alguns, ela equivale a rasgar uma tela de Picasso - Divulgação
Ai Weiwei em sua polêmica obra Derrubando a Dinastia Han. Para alguns, ela equivale a rasgar uma tela de Picasso - Divulgação

Como todos nós sabemos, a China de hoje tem tudo para se transformar na maior potência econômica do mundo, até mesmo à frente dos Estados Unidos. Mas apesar de ter aberto seus mercados, isso não significa que o mesmo aconteceu com o regime político do país. No início do mês de abril, Ai Weiwei, que é atualmente o artista plástico chinês mais conhecido no exterior (ele foi o consultor artístico do estádio olímpico Ninho do Pássaro, ícone dos Jogos de 2008 em Pequim), foi preso acusado de sonegar impostos. No entanto, a verdadeira intenção do governo ao detê-lo era tirá-lo de circulação, pois ele é um dos poucos habitantes do país que critica abertamente o regime autoritário em vigor por lá. Outra possível causa é o medo de que o artista pudesse insuflar uma revolução contra os líderes do país, a exemplo do que está acontecendo em alguns países árabes como Tunísia, Egito e Iêmen. Em uma videoconferência realizada no mês passado na Casa do Saber, a arte-educadora Dani Tagen, brasileira que trabalha na Tate Modern, em Londres (galeria de arte que abrigou exposição/instalação "Sunflower Seeds", de Ai Weiwei, até o último dia 2 de maio), explicou melhor a situação. Dani falou bastante sobre as obras do artista, afinal de contas, é por meio delas que melhor se pode saber o que ele pensa. "Sunflower Seeds", por exemplo, é uma instalação composta por cem milhões (isso mesmo, cem milhões) de sementes de girassol de porcelana, pintadas uma a uma por 1.600 habitantes de uma cidade no interior da China que vivia do material e que, por conta da perda de prestígio da tradicional porcelana chinesa, está passando por sérios problemas econômicos e sociais. Empregar essas pessoas foi um jeito que Ai Weiwei encontrou para mostrar ao governo que ele, sim, está fazendo alguma coisa para melhorar a situação. Mas por que sementes de girassol? Além do fato dessa planta ser muito popular na China, elas representam a população. Portanto, o ato de espalhar cem milhões dessas sementes feitas de porcelana no chão de uma importante galeria na Inglaterra tem diversos significados, seja porque elas são muitas, seja porque são todas iguais, ou porque as pessoas puderam caminhar sobre elas. Toda sua obra permeia o tema da relação entre o povo e o governo autoritário. Ele costuma fazer uma releitura das tradições chinesas que podem até parecer agressivas em alguns momentos. Um exemplo disso é a série de três fotografias em que aparece deixando cair no chão um vaso milenar da dinastia Han, o que segundo a arte-educadora da Tate equivale a rasgar uma tela de Picasso, por exemplo. Em 2010, ele marcou presença na Bienal de Arte de São Paulo com a obra Círculo dos animais/ Cabeça do Zodíaco, que agora está exposta no Central Park, em Nova York, desde o dia 4 de maio. No dia de sua inauguração, o prefeito da cidade, Michael Bloomberg, chegou a fazer a seguinte declaração: "Os artistas arriscam tudo para criar. Correm o risco de fracasso, de rejeição, de críticas públicas. Mas artistas como Ai Weiwei, que vêm de lugares que não valorizam e protegem a liberdade de expressão, correm riscos ainda maiores". Na galeria de fotos da coluna eu postei imagens do artista e de suas principais obras - não deixe de conferir. E para ficar sempre por dentro do que acontece no mundo das artes acesse meu blog: monicabarbosa.com.br. Até lá!