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Contrato de Rosamaria Murtinho com sua arte

Ela interrompe descanso para encenar o pacto das 3 meninas com Camila Amado e Marly Bueno

Redação Publicado em 10/05/2011, às 17h46 - Atualizado em 11/05/2011, às 03h05

No camarim, a atriz pouco antes de subir ao palco. - SELMY YASSUDA/ARTEMISIA FOT. E COMUNICAÇÃO
No camarim, a atriz pouco antes de subir ao palco. - SELMY YASSUDA/ARTEMISIA FOT. E COMUNICAÇÃO
Quando encena uma peça, Rosamaria Murtinho (75) gosta de ter um camarim próprio. Assim, sozinha, ela realiza um ritual nos momentos que antecedem a entrada em cena: concentrar-se, dar uma estudada no texto, fazer o sinal da cruz e bater na madeira três vezes. Mas Rosinha, como é carinhosamente chamada, mudou um pouco esse hábito em seu atual espetáculo, O Pacto das 3 Meninas, em cartaz desde o dia 27, no Rio. Ela está dividindo o espaço com Camila Amado (72) e Marly Bueno (77), suas colegas de elenco. "É ótimo ter a companhia dessas duas. Camila, por exemplo, estreou comigo no teatro e, desde então, nunca mais havíamos nos encontrado no palco. Nessa peça, quanto mais animadas nós estivermos, mais divertida a montagem fica", ressaltou Rosamaria. "Nossa relação é adolescente e ela é uma 'rosinha' (risos). Trabalhar com Marly também é uma honra, pois ela é uma dama, uma mulher extraordinária", apontou Camila. "Também estou me divertindo muito ao lado das duas", completou Marly. No texto escrito por Rosane Svartman (40) e Lulu Silva Telles (48), as atrizes veteranas mostram o reencontro de três amigas depois de cinco décadas. "Não ia fazer esse trabalho agora, porque no segundo semestre eu volto a encenar Um Sopro de Vida, com a Nathalia Timberg, e queria descansar um pouco. Mas adoro o Neco (Ernesto Piccolo, que as dirigiu) e ele me convenceu. A peça é muito engraçada porque é para a nossa idade mesmo. São colegas de escola que 50 anos depois resolvem fazer tudo que não fizeram quando eram mocinhas", explicou Rosamaria. "Esse é um texto muito interessante sobre três velhinhas malucas. Nossas personagens são bem definidas. A da Camila é careta, certinha. A da Rosinha é rica, quer viver, mas não teve um bom casamento, e a minha é brava porque não casou, não teve filho e abandonou a profissão por um problema de saúde. Então, vai para o 'pacto' botando para quebrar: quer fumar, beber, fazer amor, tudo a que tem direito", divertiu-se Marly. Para ela, o público da sua faixa etária se identifica bastante com o texto, ao contrário dos mais jovens. "Eles acham que somos antigas, que tudo sobre o qual falamos é do século passado, mas eles precisam da gente na hora de procurar a certidão de nascimento, nos feriados, quando necessitam de alguém para deixar os filhos... Aí somos importantes", ressaltou Marly. "A velhice no Brasil é tratada da seguinte forma: passou dos 60 você já era. E isso não é verdade, nós temos muita energia e experiência. Mas no palco isso tudo é mostrado de forma leve e gostosa. Lembramos que nesse estágio ainda estamos na ativa, que existe vida na terceira idade. Eu mesma lido bem com essa questão, não me sinto derrotada e aproveito todos os segundinhos que tenho de vida. Se um jovem de hoje tivesse a experiência que temos, ele seria dono do mundo", completou. A naturalidade com que Marly encara a morte contrasta com a ideia de Rosamaria sobre o assunto. "Minha vida é boa, fiz o que quis, tenho minha carreira, criei uma família ótima e acho que a velhice não é problema. O chato é a proximidade de tudo acabar. Tenho muito receio de morrer, pois não gosto do desconhecido. Existem tantas novidades em 2011, já imaginou no ano 3000? Então, acho chatíssimo, de repente, não estar mais aqui e ter de ficar em um caixão", assegurou ela, casada com o ator Mauro Mendonça (80) há 51 anos. O espetáculo O Pacto das 3 Meninas apresenta ainda ao público uma nova faceta da atriz Maria Zilda (60), que faz a sua estreia como diretora assistente. "Tinha uma certeza muito grande de que seria ótima nessa função, porque sou muito detalhista. Acho que eu e o meu queridíssimo Neco fizemos uma dobradinha maravilhosa. Ele me ensinou coisas lindas de um ser humano sobre paciência, tolerância, amor, carinho, sobre ouvir as pessoas e outras coisas mais que me emocionam", comentou Maria Zilda. "Ela é uma parceirona. E com ela me sinto feliz e orgulhoso por estar dirigindo um time de bambas que eu adoro desde criança. Camila, Rosamaria, Marly e o Lafayette Galvão, que completa esse elenco, são uma escola viva. Eu agradeço aos deuses por ter conseguido a oportunidade de poder contar com todos eles ao meu lado para mostrar essa história", disse Ernesto Picollo, que, além dessa peça, tem mais outras cinco montagens comandadas por ele em cartaz: Seis Aulas de Dança em Seis Semanas, Igual a Você, Pamonha e Panaca, A História de Nós 2 e Doidas e Santas.