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Tom Cavalcante: 'Sou um artista popular'

O humorista Tom Cavalcante reestreou em São Paulo nesta terça-feira, 27, o espetáculo 'No Tom do Tom'

Rafael Andrade Publicado em 28/09/2011, às 02h14 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

Tom Cavalcante - Fábio Miranda
Tom Cavalcante - Fábio Miranda

Falta pouco mais de uma hora para o espetáculo. Tom Cavalcante (49) passa o som, se prepara para a reestreia de No Tom do Tom, em São Paulo, com a tranqüilidade de veterano e a humildade de artista iniciante. O humorista brinca com alguém da equipe de produção que está atrás das cortinas vermelhas. “Ela está solteira, se alguém estiver interessado, pode chegar”, diz. Ao mesmo tempo, acerta as deixas com o sonoplasta e repassa trechos do texto. Bastante solícito e um pouco tímido, Tom sai do personagem e interrompe o ensaio para conversar, no palco, com CARAS Online. Além de falar sobre o espetáculo, conversou sobre os sete anos do Show do Tom, na Record, e as emoções sobre a viagem recente para Jerusalém, onde ele assistiu ao show do camarada Roberto Carlos (70).

- Como é esse espetáculo?
Sou um artista popular, trago na minha essência a alma do povo brasileiro, captando o dia a dia dos nossos costumes, da nossa vida, do nosso País, do mundo. Trago para o palco uma seleção de situações. Tenho uma hora e quarenta minutos para fazer tipos, personagens, imitações de políticos. É uma leitura geral do que acontece em torno desse nosso País.

- De tantos personagens, qual o seu favorito?
Tem a Jarilene, que eu gosto muito.Tem o João Canabrava, que é o primeiro de todos eles e nasceu na Escolhinha do Chico Anysio(80), então tenho um carinho especial.

- Tem falado com o Chico?
Sim. Visitei no hospital, acompanho. Na semana retrasada, liguei para ele. O Chico se restabelece como um leão, né? Passar pelo que ele passou, desenganado... e já está na televisão de novo. É realmente um craque da vida.

- Qual a diferença entre o público da TV e o que vem te assistir aqui?
Na TV, o grande percentual do público é das classes C e D, e o conteúdo não é tão apimentado. Na casa de shows, você tem a liberdade de falar mais abertamente, de forma mais descompromissada, informal. Pode pintar um palavrão. Mas nada gratuito. É sempre dentro de um contexto. Aqui também posso falar mais de política. Quem paga o ingresso quer saber qual a minha visão de humor para isso. O humor é uma maneira delicada de tocar a consciência do público.

- Você é muito amigo de várias das pessoas que imita. Mas já aconteceu de alguém dizer que não gostou?
Uma vez eu estava fazendo uma imitação do ex-governador Mário Covas (1930-2001) em um show, e uma senhora sentiu-se ofendida. Ela levantou e disse:  "Isso é uma falta de respeito, falta de vergonha. Imitar o governador dessa maneira?" E, naquele instante, o Mário Covas levanta da primeira mesa, olha para todo mundo e diz: "A imitação é maravilhosa. Eu adoro! Ele imita, e eu gosto que ele imite!" Ela não sabia que o Covas estava assistindo.  As pessoas têm essa coisa de saber receber a imitação. Não vou invadir a privacidade de ninguém.

- O Roberto Carlos é um dos que você imita e é grande amigo. Como foi acompanhá-lo na visita a Jerusalém?
Eu já tinha ouvido falar que quem vai a Jerusalém fica encantado.  Você chega lá e começa a entender melhor a história. Aquelas imagens que tinha desde criança, que vem dos seus pais, da Bíblia... de repente você se depara com os lugares sagrados por onde Jesus passou. É quase como deixar de ser São Tomé, que só acreditou quando tocou na ferida, nas chagas de Cristo.  Eu já tinha toda a convicção de que me emocionaria muito.  E aproveitei para assistir ao show do Roberto, que foi belíssimo, com participação do público israelense. Recomendo. Quando tiver um tempo, vá a Israel.

- O Show do Tom fez 7 anos esta semana. Começou todos os dias no ar, depois virou semanal. Você tem vontade de voltar a fazer programa diário?
Não, hoje não.  É muito puxado. Um por semana já é uma atribulação. Programa de televisão exige muito, é um trabalho muito árduo. E tem que ver também o que a concorrência está colocando no ar, para aumentar ou diminuir o tempo... é uma guerra externa que tem que ser vista.

- É muito grande a pressão por audiência?
Na Record existe a liberdade de você apenas se dedicar, se dar ao máximo pelo programa. Naturalmente, se não for bem naquela noite, não vai balançar a ponto de tirar o foco.  Está no caminho certo, mas pode acontecer um dia de o programa não ir bem.

- Sente a responsabilidade de descobrir novos talentos, dar oportunidades?
Não tenho a intenção de ser rotulado como o cara que dá oportunidade. Faço de forma natural, aprendi assim. Minha vida, entrando na televisão, foi vendo isso com o Chico Anysio. E esse exemplo foi passado para mim.  Então, o máximo que puder auxiliar, não só na vida artística... É importante dar vez e voz às pessoas.

No Tom do Tom está em cartaz no Comedians (R. Augusta, 1129 - Cerqueira César) até o final de novembro. As apresentações acontecem às 21h, sempre às terças-feiras.