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Paulo Borges em tour com o filho, Henrique

Em Foz, ele fala de felicidade de ser pai e de como a chegada do menino mudou sua rotina

CARAS Digital Publicado em 25/12/2014, às 14h12 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Paulo Borges - Selmy Yassuda/artemisia fot comunicação
Paulo Borges - Selmy Yassuda/artemisia fot comunicação

Há oito anos, a vida de Paulo Borges (52), criador do São Paulo Fashion Week, mudou radicalmente. A rotina de trabalho exaustiva, com viagens longas e horas de dedicação exclusiva aos negócios, foi totalmente readequada quando ele decidiu que teria um filho. “Foi a maior criação que fiz para minha vida. A minha melhor invenção é ser pai”, afirma o empresário, que adotou Henrique (9) quando ele tinha 1 ano e meio. O desejo de ser pai foi algo que com o tempo foi amadurecendo e se tornou uma decisão forte. “Muitas vezes, pensei em ter um  filho, tinha épocas que isso era mais forte, outras, em função do meu  estilo de vida superatribulado, acreditava que não teria condições de criar uma criança. Mas quando aconteceu, foi tudo muito intenso”, explica Paulo, que se mudou para um sítio em São Roque, interior de SP, para ter mais qualidade de vida ao lado do menino. “Vivemos ligados à natureza, nossa casa fica no meio da montanha, tem cachoeira, pomar, rio e cavalo, é uma delícia”, conta. Sintonia e cumplicidade marcam esta relação tão afetuosa e profunda. “Temos uma ligação, um sincronismo, nos falamos só com o olhar”, orgulha-se Paulo, no luxuoso Belmond Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu.

– O processo de adoção foi complicado, demorado?
– Foi tudo muito rápido. Entre decisão de querer ter um filho e adotar, foram dois meses. Não tinha noção se gay e solteiro podia adotar, então procurei o Juizado de Menores, em Salvador, para me habilitar à adoção. Eu queria um menino baiano, negro e que não fosse recém-nascido. Henrique tinha todas as qualificações, não o escolhi, foi coisa do destino.

– Como foi o primeiro encontro com ele?
– Ele tinha 1 ano e meio, um bebê. Quando as crianças estão no abrigo, depois de uma certa idade, elas já sabem que estão lá para adoção. Quando você chega, elas vêm todas ao seu encontro, para te agradar. Mas o Henrique ficou lá em um cantinho, me olhando de longe, e eu perguntei para a assistente social se era ele o meu filho, e ela disse que sim. Trinta dias depois, ele já estava morando comigo em São Paulo.

– O que achou mais difícil no começo?
– Nada. É uma escolha, uma decisão muito importante de se fazer, não é uma brincadeira, mas nada foi difícil. É trabalhoso. Educar é uma entrega. Estou vivendo intensamente este período.

– Você é um pai rígido?
– Eu converso, não sei se sou rígido. Sou atento, próximo, sou de entender as suas necessidades.

– Conversam de tudo?
– Sim, ele sabe que é adotado e que eu sou gay. Nada lá em casa é escondido dele.