Canalha, do italiano canaglia, da raça dos cães, indica o que é vil,...

...infame. Muitos canalhas agem sob disfarce, de disfarçar, verbo provavelmente originado no latim farcire, engordar ou rechear animais para melhorar sua aparência à mesa.

Deonísio da Silva Publicado segunda 11 setembro, 2006

...infame. Muitos canalhas agem sob disfarce, de disfarçar, verbo provavelmente originado no latim farcire, engordar ou rechear animais para melhorar sua aparência à mesa.
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Asterisco: do grego asterískos, pequena estrela, pelo latim asteriscus. Em manuscritos antigos, os copistas desenhavam uma estrelinha para indicar que naquele ponto faltava uma letra, sílaba ou trecho, em decorrência do estado precário do original e que impedia a clareza do conjunto. Não se sabe qual terá sido a inspiração de quem o inventou, mas a mancha na córnea também é denominada asterisco. Com o tempo os asteriscos passaram a ter outras funções, como a de acrescentar algo, em geral no pé da página, ao que foi escrito no corpo do texto. São postos em renque ou em triângulo, quase enfeitando certas passagens. Os publicitários João Livi (41) e Ricardo John (29) criaram recentemente um anúncio para tevê intitulado Asterisco, com o fim de lançar uma operadora de telefone. Começa com um apresentador enumerando as vantagens das operadoras tradicionais. Pouco a pouco os asteriscos, indicando restrições- recurso comum em anúncios, que, assim, se defendem previamente dos órgãos de proteção aos consumidores -, vão ocupando a tela inteira. E uma voz diz ao fundo: "É tanta tarifa, tanto asterisco, que você não sabe mais quanto paga por um DDD? Domingo você vai começar a ser respeitado". Ironizando as pessoas que dizem "asterístico", um erro comum, Reinaldo Pimenta (58), em A Casa da Mãe Joana (Campus), diz que são as mesmas que comem "chuvístico", forma, igualmente errada, de chuvisco, que designa chuva miúda e um doce em forma de pingo, feito de gemas de ovo e açúcar. Canalha: do italiano canaglia, da raça dos cães, radicado em cane, cão, mais sufixo depreciativo, designando o que é infame, vil. O conjunto é também denominado canalhada, cáfila, cambada, corja, malta, quadrilha, récova, récua e súcia. Aparece no título da peça Meus Prezados Canalhas, de João Uchoa Cavalcanti Netto (71), em cartaz no Rio com Roberto Frota (67) no elenco, dirigido por Sebastião Lemos (60). Foi montada pela primeira vez em 1993 e contava no elenco com Débora Duarte (56), Ângela Vieira (54) e Othon Bastos (73), entre outros, dirigidos por Gracindo Júnior (62). Na trama, um banqueiro é seqüestrado por grupo subversivo e levado a julgamento clandestino, sendo seqüestrados também os membros do júri para declarar se ele é inocente ou culpado. Os espectadores fazem as vezes do júri. Nas primeiras apresentações da atual montagem, o banqueiro foi condenado por pequena margem. Disfarce: de disfarçar, verbo de origem controversa, mas que provavelmente surgiu do latim farcire, engordar os animais vivos fora de casa ou, já mortos, na cozinha, mediante recheios, fazendo parecer, na culinária, o que não eram. O disfarce nem sempre tem fins ilícitos. Pode ser feito com boas intenções. Uma das primeiras militares a disfarçar a condição feminina, único modo de servir à pátria entre soldados, foi Maria Úrsula de Abreu Lencastre (1682-?), carioca que sentou praça em Lisboa, no dia 1o de setembro de 1700, com o nome de Baltasar do Couto Cardoso. De Portugal foi enviada a Moçambique e de lá à Índia, onde, já então na companhia do marido, se destacou no combate aos piratas. Hoje mulheres são aceitas nas Forças Armadas, mas ainda enfrentam problemas. Em agosto de 2006, uma soldada israelense de 23 anos denunciou que, horas antes de Israel invadir o Líbano, o ministro da Justiça de seu país, Haim Ramon (55), a assediou numa festa. O ministro renunciou, mesmo alegando que "um beijo de dois ou três segundos, segundo denúncia da acusadora, não pode ser considerado crime". Pracinha: de praça, do latim vulgar platea, vinda do grego platéia, rua larga, lugar público, com influência do francês place e do espanhol plaza, com alteração do "l" para "r". Praça também é o militar sem patente alguma. Tornaram-se correntes expressões como"sentar praça" (servir ao Exército ou à polícia). O diminutivo pracinha foi o tratamento carinhoso dado pelo povo aos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) enviados à Itália para combater os nazifascistas. "A praça é do povo/ como o céu é do condor", de acordo com os conhecidos versos de Castro Alves (1847-1871), mas ela precisa ser defendida dos inimigos e por isso, nos albores da língua, "dar praça" já era sinônimo de combater. Soldada: feminino de soldado, do italiano soldato, soldado, radicado no latim soldatus, particípio de soldare, pagar com soldo, do latim solidus nummus, moeda maciça de ouro. Soldado designou na origem o combatente contratado a peso de dinheiro, mas pago também com mercadorias, sendo por isso conhecido igualmente como mercenário, pois o latim mercis, genitivo de merx, designa mercadoria, pagamento, prêmio, merecimento, graça, também em sentido figurado, de que é exemplo Nossa Senhora das Mercês.

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