Revista CARAS
Busca
Facebook Revista CARASTwitter Revista CARASInstagram Revista CARASYoutube Revista CARASTiktok Revista CARASSpotify Revista CARAS
Revista / CARREIRA

'Representatividade é se sentir possível', declara Duda Santos, a Maria Santa de Renascer

Em entrevista exclusiva à Revista CARAS, Duda Santos reflete sobre trajetória até sua primeira protagonista da Globo com Renascer

Solteira, a artista se diz tímida e superfocada no trabalho - FOTO: MARCIO FARIAS
Solteira, a artista se diz tímida e superfocada no trabalho - FOTO: MARCIO FARIAS

Aos 16 anos, Duda Santos (22) enviou uma direct para o perfil da TV Globo no Instagram, contando que queria ser atriz desde pequena, mas que, por falta de condições, nunca tinha estudado teatro. “Deus sabe de todas as coisas e vai realizar meu sonho na hora certa, mas é preciso correr atrás de tudo o que queremos”, dizia o texto. Ela considerava que, talvez, ninguém fosse ler a mensagem ou que o responsável pelas redes sociais da emissora nem teria o poder de ajudá-la.

No entanto, mesmo assim, resolveu seguir seu instinto e arriscar. De fato, a iniciativa não deu em nada, mas o momento certo chegou naturalmente. Em 2020, ela estreou em Malhação – Toda Forma de Amar. Depois, emendou outros trabalhos. E agora a jovem experimenta o sucesso. Com Maria Santa, da primeira fase da global Renascer, ela vive a primeira protagonista em novelas. Em papo exclusivo com CARAS no Novotel Leme, a bela reflete sobre representatividade, força de vontade e avisa: “Esse é o começo de uma história, ainda tenho um caminho gigante para trilhar”, afirma.

– Renascer é a oportunidade da sua vida?

– Acho que a Maria Santa, assim como a Isa (de Travessia), e todos os personagens que ganhei ao longo da minha pequena carreira, foram presentes muito importantes. Todo personagem que a gente pega considera que será o personagem da vida. Desde o começo, quis a Maria Santa e pedi muito para ela me escolher. Acredito nessa novela, nas pessoas que foram escolhidas para contar essa história. Então, acho, é o projeto da vida de todo mundo que está envolvido, porque é um projeto muito bonito, potente e que todo mundo quer que dê certo. Acho que é o projeto em que mais acreditei na minha vida.

– Você já tinha feito outros trabalhos, mas esse é uma virada de chave na sua carreira?

– Com certeza! Minha primeira protagonista, protagonista preta, eu, como mulher preta, acho que é uma virada de chave não só para mim, como para muitas meninas como eu. Acredito e desejo que isso mude muita coisa e quero honrar quem veio antes de mim, quem abriu caminho para eu poder estar aqui hoje.

– A TV Globo saiu de uma protagonista negra, que é a Barbara Reis, e foi para você. Isso prova que o audiovisual realmente está mudando.

– Que momento! Acho que o audiovisual é muito potente e ele pode, sim, ser responsável por trazer essa representatividade para dentro de casa, para os pretinhos, pretinhas, os indígenas... Nossa novela tem corpos muito importantes de serem representados, que deveriam ser representados há muito tempo. Temos o Xamã, o Adanilo, a Edvana Carvalho, a Belize Pombal... é uma turma. É bonito ver esse momento e poder estar aqui, participando dele, pegar esse bastão da mão da Barbara. Na segunda fase tem o Juan Paiva, com a força que esse menino possui. Então, é sobre se sentir representado, porque a representatividade é se sentir possível.

– Você vai virar referência também. Já pensou nisso?

– Acho isso importante, porque eu fui muito carente de referência. Quando eu era pequena, era tudo muito distante, em sentido de geração, tinha Taís Araujo, tinha Cris Vianna, mas muito distante, eu pensava que era até possível, mas só daqui a uns anos. E hoje, com 22 anos, ser referência para meninas como eu, não acho uma responsabilidade, acho bonito, porque eu não tive muitas e acho importante que tenha isso hoje.

– Você sempre quis ser atriz?

– Sempre soube que ia ser artista, mas não sabia exatamente como. Eu também não tinha muito meio para conquistar... fui atrás por instinto de tentar, de alguma forma, fazer com que isso fosse possível. A minha mãe, no começo, teve muito medo, afinal, na minha família ninguém conhecia esse universo, muito menos eu. Comecei a tirar fotos para lojas da comunidade onde eu morava. Acredito que foi o jeito de me sentir mais próxima da arte. E, um dia, me acharam e perguntaram se eu não queria fazer um teste para Malhação. Eu quis. Minha mãe, embora tenha deixado, falou que eu não passaria, porque não tinha estudado para isso, porque eu não tinha feito nenhum trabalho ainda, mas que já seria uma oportunidade para eu aprender, ver como funciona esse meio.

– E você passou no teste, né?

– Passei e fiz a participação em Malhação! Lembro que estudei muito, não conseguia dormir de nervoso por causa do texto e fui fazer o teste na cara e na coragem. Foi a primeira vez em que eu acreditei, de fato, que essa carreira poderia acontecer, que esse era o caminho. Depois veio a pandemia e comecei a estudar sozinha em casa. Sou muito curiosa, geminiana, sempre pesquisando como fazer. Eu pedia ajuda para a minha mãe, assistia às novelas... Foi um caminho bem bonito, é a força que a vontade tem. Acho que esse é o começo de uma história, ainda tem muita coisa para acontecer, tenho um caminho gigante para trilhar, para construir.

– Espera que sua vida mude depois do remake de Renascer?

– Acho que a minha maior missão é realizar um trabalho bonito e, a partir disso, as pessoas me reconhecerem. Então, espero realmente que mude, sim, que as pessoas gostem, abracem essa novela e que transforme a vida, mas não só a minha, a de todo mundo que está ali realizando essa novela com amor, com o coração, porque, no final das contas, é somente isso que importa.

FOTOGRAFIA: MARCIO FARIAS; VÍDEO: ANDRÉ IVO; BELEZA: DAIANNE MARTINS; STYLIST: RODRIGO BARROS; AGRADECIMENTOS: NOVOTEL LEME; DUDA USOU: LANÇA PERFUME, SCHUTZ, COLCCI, CECCONELLO, APARTAMENTO 03, MASCK, ARTEMISI GALLERY, RONNELLY JOIAS, THATY RABELLO BRAND

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!