ISABEL FILLARDIS, JÚLIO, ANALUZ E JAMAL ANUAR

NA ILHA DE CARAS, COM O MARIDO E A FILHA, ATRIZ FALA PELA PRIMEIRA VEZ DA DOENÇA DO CAÇULA

terça 31 janeiro, 2006
por Patrícia Albuquerque A tranqüilidade na voz de Isabel Fillardis (32) vem da certeza de que o pior já passou. Há seis meses, o caçula da atriz, Jamal Anuar (2), está livre da Síndrome de West - um padrão de ondas cerebrais associado a crises epilépticas que comprometem o desenvolvimento intelectual da criança. Junto ao marido, Júlio César Santos (39), e à primogênita do casal, Analuz (5), Isabel decidiu falar pela primeira vez sobre o drama vivido durante os primeiros meses de seu filho. A dor do diagnóstico, inevitáveis momentos de desânimo, o perigo do tratamento médico e alternativas apresentadas pela fé. Corajosa, a atriz passou a limpo todo o caminho que hoje leva às pequenas conquistas diárias de Jamal. "Outro dia ele disse 'mamãe' pela primeira vez. Na hora, eu nem acreditei. Fiquei lá parada, olhando para meu filho, eu nem respirava", lembrou Isabel. Certos de que a recuperação do herdeiro depende em grande parte da quantidade de estímulos que lhe forem oferecidos, Isabel e Júlio fazem questão de incluí-lo em toda programação familiar. "Esta é a primeira vez que ele entra no mar", disse a atriz, emocionada, na praia da Ilha de CARAS. "Eu evitava porque Jamal se resfriava com facilidade e logo virava bronquite. Mas a fisioterapia aumentou sua capacidade respiratória e conseguimos melhorar sua imunidade", explicou ela. "Quando respingou água salgada na boca dele, Jamal abriu um sorriso, como se pensasse: 'Meu pai está aprontando comigo'", contou Júlio, que é advogado e sócio da Natan, empresa de consultoria e assessoria aeronáutica. Casados há cinco anos, depois de um rápido namoro, a atriz e o marido viram o relacionamento tornar-se mais forte a partir do nascimento de Jamal. "Somos vitoriosos. Eu soube de vários casais que passaram por situação semelhante e não agüentaram", comentou Isabel. No seu caso, Júlio e o filho foram fundamentais para que a musa vencesse um período que chama de "inferno astral". "Minha profissão lida com a vaidade. Preciso estar atenta para não deixar o sucesso subir à cabeça e entender que haverá momentos de penumbra. Se a pessoa não estiver preparada para isso, pode pirar. Eu ficava insegura, me sentia feia, incompetente, sofria muito. Júlio sempre me puxou para a terra. Ele e Jamal proporcionaram que eu me enxergasse melhor. Com meu filho aprendi que nada do que pode acontecer comigo se compara à luta dele para viver", explicou ela, durante entrevista concedida em Angra. - Como vocês chegaram ao diagnóstico de Jamal? Isabel - Comecei a desconfiar de que tinha alguma coisa diferente quando Jamal estava com 2 meses, porque meu filho não sorria. O pediatra dizia que era normal, que alguns bebês são introspectivos, mas logo ele começou a ter sustos e se contorcer. Quando estava com quase 5 meses, o médico recomendou que o levássemos ao neurologista e fizemos um videoeletroencefalograma. Na hora, o especialista disse que se tratava da Síndrome de West e ainda que os espasmos eram crises epilépticas que poderiam deteriorar os neurônios e levar até mesmo à morte cerebral. Eu gelei. Hoje falo isso tranqüilamente porque Jamal não tem mais essa doença. De três em três meses, ele repete o eletroencefalograma e as ondas cerebrais estão normais. - Foi possível determinar o que causou a síndrome? Isabel - A gravidez do Jajá foi complicada desde o início. Nos primeiros exames, descobri que tinha contraído um vírus chamado citamegalovírus e o infectologista me deu um parecer horroroso, disse que o bebê podia nascer cego, surdo, mudo... Com cinco meses, tive um sangramento feroz. Eu chorava, porque era louca para ter um filho homem. Na época, fiz todos os exames e deram normais. Com quase nove meses, Jamal se enrolou em duas alças do cordão umbilical e o médico disse que teríamos que fazer uma cesariana. No dia marcado para a cirurgia, entrei em trabalho de parto, o que significava sofrimento para o bebê. Jamal demorou dois segundos para chorar, mas mesmo assim recebeu 9/10 no Índice de Apgar, calculado a partir de pontos-chave como a respiração e a freqüência cardíaca do bebê. Hoje, achamos que faltou oxigênio no cérebro na hora do parto e isso originou a doença. Mas os médicos dizem que, no caso de Jamal, a síndrome é de origem idiopática, ou seja, desconhecida. - Como é o tratamento? Júlio - Ele tomou uma injeção chamada ACTH, uma espécie de "startzinho" no cérebro. Isabel - Ele tinha uns 6 meses na época e ficou uma semana internado para ser monitorado, porque havia risco de parada cardíaca e a imunidade da criança abaixa muito. Atualmente, ele toma três anticonvulsivos, que estão sendo reduzidos aos poucos. Faz fisioterapia diariamente: temos que ensinar ao corpo dele para que servem as mãos, os pés... Além disso, uma vez por semana, Jamal vai à equoterapia e ao Hospital Sarah, no Rio, onde moramos, para revisão médica. Paralelamente, o tratamento espiritual foi fundamental para a melhora. Uma ressonância magnética tinha acusado que a parte frontal do cérebro de Jamal era ligeiramente pequena. Depois que começamos o tratamento espiritual, fizemos outra e estava normal. O médico se impressionou. - Consiste em que o tratamento espiritual? Isabel - Somos espiritualistas, kardecistas que acreditam nos fenômenos da natureza. Para quem crê em reencarnação, o que aconteceu com Jamal tem ligação com outras vidas. Já disseram que meu filho é um espírito antigo, que passou por coisas ruins. Ele fez três operações espirituais no cérebro: duas ano passado e uma no retrasado. - Como esse processo todo afetou vocês? Isabel - Dizer que não cheguei a desanimar seria mentira - aconteceu, várias vezes. Eu pensava:meu Deus, por que o Senhor fez isso comigo? Passei pela fase da vergonha, do entendimento e, finalmente, do amadurecimento como pessoa, do fortalecimento do meu amor pelo meu filho e pelo Júlio. Jamal veio reforçar minha fé, me ensinar o que é o amor incondicional. Qualquer coisa que eu venha a passar não é nada em relação à luta do meu filho para viver. Os médiuns dizem que ele ama a vida, que devo fazer tudo que estiver ao meu alcance para dar a meu filho a oportunidade de viver plenamente, pois o esforço prosperará. - Quais as conquistas mais recentes de Jamal? Isabel - Achávamos que ele não tinha interesse pelas coisas, mas descobrimos que não enxergava direito por causa da miopia. Ele já se equilibra sozinho, ainda que por pouco tempo, já elegeu seus brinquedos favoritos, sorri, interage. Antes era sisudo, um senhor. Júlio - Sinto que meu filho está voltando de uma longa viagem. A expectativa é que, aos 7 anos, quando se dá o ápice do amadurecimento do cérebro, Jamal esteja sentando, falando, comendo sozinho. Isabel - Agora é o tempo dele com Deus. O nosso papel é oferecer informação para o cérebro de Jamal. É o que ele precisa para recuperar o tempo que perdeu. - Existe segredo para atravessar tudo isso sem que o relacionamento seja abalado? Isabel - Apesar de ser expansivo, uma criança grande, Júlio manteve um controle impressionante nos momentos críticos. Sempre me apoiou. Ele me faz companhia, entende os horários da minha profissão. Encontrei o pote de ouro! Júlio - Admiro a perseverança de Isabel. Ela é guerreira, mas muito carinhosa. E infinitamente paciente comigo. Larguei minhas namoradas porque elas queriam mandar em mim. Isabel sabe pedir.

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