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Reflexões e sonhos da top Raica Oliveira

Top avalia carreira na moda e dá lições de como dosar força e beleza

CARAS Publicado em 18/09/2015, às 17h52 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

No Castelo de CARAS, em NY, Raica narra sua trajetória nas passarelas. - Martin Gurfein
No Castelo de CARAS, em NY, Raica narra sua trajetória nas passarelas. - Martin Gurfein

Autenticidade é uma característica que se sobressai na personalidade de Raica Oliveira(31). A top, que já soma quase 15 anos de dedicação ao universo fashion, garante que, apesar de todo o glamour da profissão, sempre manteve os pés no chão e assegura que este é o segredo para trilhar uma trajetória de sucesso. “Lógico que nosso trabalho depende da imagem exterior, mas persistência, profissionalismo e humildade são fundamentais”, afirma ela, durante estada do Castelo de CARAS, em Tarrytown, NY. “Acredito que se estivesse iniciando a carreira hoje teria mais dificuldade. Quando comecei tive sorte, pois as modelos brasileiras estavam em evidência, todos queriam o nosso padrão de beleza. Hoje, a concorrência e a competição são grandes, são muitas modelos disputando um mesmo trabalho”, avalia Raica, que nasceu em Niterói, no Rio, e mora na Espanha.

Acostumada a arrancar suspiros por onde passa, ela não pensa em parar tão cedo e segue focada no trabalho. “A carreira de modelo hoje em dia é mais duradoura. Os tempos mudaram, a mulher se tornou mais independente, não quer ter filhos tão cedo”, diz Raica, ainda sem abraçar a maternidade. “No momento minha prioridade não é essa. Continuo focada na carreira, mas na hora certa tudo acontecerá”, avisa a top, que mantém discrição quando o assunto é o coração e evita tornar público seus relacionamentos. “Sou reservada”, limita-se a dizer.

Segura de seus passos, ela credita ao tempo a conquista de sua liberdade. “Quando tinha meus 20 anos era mais insegura, me importava com o que as pessoas pensavam de mim e ficava indecisa para tomar algumas atitudes. Depois dos 30, ganhei certa liberdade de pensamento. Se faço algo errado, é um problema meu, não das pessoas, tenho mais segurança e aprendi a lidar com o mundo exterior”, frisa.

Você disse ter adquirido mais segurança após a chegada dos 30 anos. Antes disso, chegou a ter a famosa crise dos 30?
Não, foi bem tranquilo. Na verdade, não acho que essa crise exista. Para mim é um mito que as pessoas colocam na cabeça. Aos 20, você ainda esta criando uma personalidade e vai se descobrindo com o tempo. Sei que quando estiver com meus 40 anos vou me sentir ainda mais segura, pois a vida é um eterno aprendizado.

O passar dos anos é algo que a preocupa?
Meu pensamento sempre foi que queria chegar bem aos 40, aos 50 anos. Antes de me tornar modelo já tinha essa preocupação. Aos 13 anos, comecei a ir regularmente ao dermatologista, fazia academia, sempre me preocupei com a alimentação, não beber, nunca fumei, não fico até tarde em festas. Então, sempre tive essa preocupação com a aparência, ainda mais por conta do trabalho.

Como lida com seu corpo e a sua sensualidade?
Com tranquilidade, não sou perfeita e ninguém é, mas me cuido. A brasileira, no geral, é muito perfeccionista e, apesar de ser linda, faz plásticas, intervenções e isso acaba virando uma obsessão. Em outros lugares do mundo as pessoas são mais livres com o corpo, elas se aceitam e eu sou assim. Por exemplo, não tenho problema de fazer topless para uma foto, pois não estou me vendendo, é artístico. A brasileira ainda tem pudores em relação a isso.

Você disse que há competição no meio. Como faz para não tornar isso uma preocupação?
Não chega a bater insegurança, mas a gente reflete, sim, sobre o fato de ter muita gente para pouco trabalho. A parte boa é que já estou no mercado há bastante tempo e as pessoas me conhecem, conhecem o meu trabalho.

Quando estava no início da carreira e se via nessa competição em quem buscava apoio?
Na minha mãe. Ela sempre foi meu maior incentivo e é até hoje. Às vezes, fico na expectativa de um trabalho e ela me acalma, me lembra que, se não for dessa vez, será na próxima. Esse apoio é fundamental para seguir em frente.

Tem amigas nesse meio?
Amiga de verdade tenho só uma, uma holandesa. A maior parte das amigas não é modelo.

Gosta mais de fazer a parte comercial ou editorial da moda?
Acho que os dois lados são importantes, mas a parte da moda em si e dos editoriais dá a aportunidade de fazer um trabalho mais artístico, dá a liberdade de expressão corporal. É como misturar arte e moda. Gosto deste conceito.

Qual considera que seja a melhor parte do seu trabalho?
Acho que viajar e ter a oportunidade de conhecer diferentes culturas. Às vezes, vou para lugares exóticos e com a população bastante carente. Quando a gente volta para casa passa a dar mais valor ao fato de ter um lar, de ter o que comer. Essa profissão nos coloca em contato com os altos e baixos da vida e isso nos faz valorizar as pequenas coisas do dia a dia. 

Que conselho daria para as meninas que estão começando?
Não adianta só ser bonita, tem de ter alguém que acredita em você, alguém sério, uma agência séria. Além disso, é preciso ter disciplina com os horários e muita responsbilidade. As pessoas pensam que é um trabalho fácil, que modelo já acorda linda e que só vive viajando e se hospedando nos melhores hotéis. No entanto, é um trabalho que exige força de vontade e muito controle emocional, pois a maior parte do tempo você acaba ficando sozinha. Você conhece, sim, lugares lindos, mas não tem com quem compartilhar aquele momento, com quem dividir alegrias e tristezas. Por isso, tem de ter uma base familiar e uma cabeça boa para não se deslumbrar ou desistir.

Qual é a sua rotina de cuidados com o corpo?
Faço kickboxing. Com ele, consigo trabalhar o corpo inteiro, perco peso e defino o abdome. Também faço pilates e quando estou viajando corro e faço yoga.

Tem vontade de enveredar pelo mundo da atuação?
Se surgir uma oportunidade eu até faço, mas meu foco mesmo é a moda. O mercado de modelo já é bastante complicado, imagina o das atrizes!

Como é sua alimentação?
Já não comia carne vermelha, depois deixei o frango de lado e depois o peixe. Também passei a comer mais verduras, lentilhas e a tomar suco verde.

Sente diferença no corpo com essa alimentação?
Bastante. Não sinto mais aquela sensação de peso, a pele melhorou, me sinto mais leve e saudável. Só sinto a sensação de peso quando como arroz e feijão ou uma massa, mas passa rápido. Quanto a questão da falta de proteínas por não ingerir carne, também não tenho problemas. Faço exames regularmente e estou sempre 100%. Meu pecado mesmo é o pudim de leite condensado! É difícil manter essa alimentação regada, mas me esforço e quando estou no Brasil faço as refeições em casa.