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Reflexões de Marcos Frota na África

A receita para superar dores e perdas: ‘olho a vida com amor e gratidão’

Redação Publicado em 03/08/2010, às 17h48 - Atualizado em 09/08/2012, às 15h22

Marcos folheia livros na sede da Embaixada de CARAS na África do Sul, no Rattray's em MalaMala Game Reserve. - MARTIN GURFEIN
Marcos folheia livros na sede da Embaixada de CARAS na África do Sul, no Rattray's em MalaMala Game Reserve. - MARTIN GURFEIN
O coração leve, o olhar alegre, encarando todos os fatos sem mágoas ou arrependimentos. Com esse espírito Marcos Frota (54) pautou seus dias de aventura e reflexão na Embaixada de CARAS na África do Sul, no Rattray's em MalaMala Game Reserve. "Quem não teve dores e perdas? Quem não passou por momentos de muita tristeza? Mas como é bom ver tudo cicatrizado. Olhar para a vida com amor e gratidão. Só assim podemos encarar o futuro de verdade. O que passou, passou. Sofri muito, mas o tempo se encarrega de tudo", garante ele, que na entrevista citou momentos dolorosos, como a morte da primeira mulher, Cibele, em 1993, em acidente de carro, e o rompimento com Carolina Dieckmann (31), há sete anos. Falou ainda dos planos com a administradora Luciana Reis (33), com quem namora há um ano, e da vontade de se dedicar ainda mais aos filhos, Amaralina (30), Apoena (28) e Taynã (19), do primeiro casamento, e Davi (11), com Carol. Empolgado com a volta às novelas em Ti Ti Ti -, estava afastado desde América, em 2005 -, o ator ressaltou também as conquistas profissionais no mundo do circo e a alegria de realizar os safáris: "É um lugar que arrebata com a força da natureza. Os problemas aqui ficam muito pequenos. Você consegue dimensioná-los e vê que nada é tão grande assim. Grande é a vida com suas infinitas possibilidades." - Como surgiu essa reflexão? - Foi natural, o lugar leva a isso. Basta abrir a janela de um quarto muito confortável para você estar na selva. Em setembro, completo 55 anos. Como foi bom vir para cá e experimentar essa viagem. É o início da minha maturidade plena. Estou pronto para o segundo tempo da minha vida. - O que seria isso? - Participar da realização dos sonhos e das conquistas dos filhos. No trabalho, ocupar meu lugar nesta orquestra de grandes músicos que é o elenco da Globo. Estou comemorando 25 anos de circo e isso consolida minha perseverança e persistência. E ainda esse ano vamos implantar no Rio a sede nacional da Universidade Livre do Circo, na Quinta da Boa Vista. É um projeto artístico com atitude social. Apresentamos o circo brasileiro como instrumento de promoção humana, difundindo arte, cidadania e cultura de paz. - Como define sua trajetória? - Tenho a sensação da missão cumprida. Quando comecei, em 1985, jamais esperava que pudesse contribuir dessa forma com um segmento artístico tão importante e popular, revelando talentos, formando público e contribuindo com uma nova estética ao criar um musical circense e brasileiro. - E se arrepende por deixar sua vida pessoal em segundo plano em muitos momentos? - A vida é um constante desafio em equilibrar pessoal e profissional. É assim em qualquer atividade. Mas agora terei mais tempo para me dedicar à família e curtir o Rio, gravando novela e trazendo a sede da Unicirco para a cidade. Vou investir para valer em minha vida pessoal. - Como vai conseguir isso? - Primeiro, dando mais ênfase ao lado espiritual. É a capacidade que a pessoa tem ou desenvolve de fazer o bem a si mesmo para depois fazer o bem ao outro. Tudo o que passa na vida deve provocar libertação, não apego. - Mas qual foi o processo? - Vivi muitos momentos significativos. Fiquei viúvo no pico do sucesso e da realização, quando, de repente, me vi sozinho com três crianças. Isso provocou em mim outra relação com a vida. Depois, tive uma fase linda, a união com Carol, que durou uma década. E aí veio a dor do rompimento. Pela segunda vez vi minha família separada. Machuca muito, mas o aprendizado é intenso. É bonito sofrer por amor, existe beleza na dor do amor. Enriquece espiritualmente. Mas não tirei de letra. Acusei, sim, o golpe. Chorei e sofri bastante. Mas canalizei para meu dia a dia. Trouxe a experiência para mim. Tudo na vida passa. E também passou. E veio a fase de namoro com liberdade e sem compromisso. Conheci pessoas lindas, tive relações maduras ou simplesmente por prazer. Faz parte da vida. - E planeja casar de novo? - Estou com a Luciana há um ano. Venho achando bonito ver em alguns amigos o companheirismo e a intimidade que só a vida a dois proporciona. Fui casado por 27 anos. Temos um namoro bacana no sentido de respeito ao espaço do outro. O tempo vai me dizer se estou pensando, mas acredito estar aberto a isso. - E o que mudou para você desenvolver esse lado espiritual? - A religiosidade é importante. Os rituais. Fui formado na igreja Católica, tenho carinho e respeito por ela. Mas há algum tempo já abri as portas para perceber as outras, experimentar Deus dentro de mim e na relação com o outro. Não somos responsáveis por tudo sozinho. É muito bom chegar nessa fase da vida e ter tanto a agradecer e retribuir. A essência da espiritualidade é o exercício do amor em todas as suas possibilidades.