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A África na visão de Lázaro Medeiros

Com humor e glamour, o promoter fala de suas viagens pelo continente

Redação Publicado em 23/08/2010, às 20h39 - Atualizado em 09/08/2012, às 15h22

No safári em MalaMala Game Reserve, sede da Embaixada de CARAS, o promoter não se inibe diante do elefante.
No safári em MalaMala Game Reserve, sede da Embaixada de CARAS, o promoter não se inibe diante do elefante.
A história de vida do promoter cearense Lázaro Medeiros, o Lalá (60), não pode ser contada sem um mergulho na África do Sul. "É como se fosse minha segunda pátria. Na primeira vez em que pisei no país, em 1968, com 18 anos, tive a certeza de que já havia vivido aqui no passado, em outras encarnações", assegura, realçando o caráter místico e carnal de sua ligação. "Já perdi a conta de quantas vezes estive aqui.Com certeza, foram mais de trinta", orgulha-se ele, na Embaixada de CARAS, no Rattray's em MalaMala Game Reserve. Há 20 anos promoter do Beach Park, em For taleza, que está comemorando 25 anos, Lalá planeja realizar uma dupla celebração em novembro. "O parque é o termômetro do nosso estado", justifica ele sobre o complexo, que recebe cerca de 1200000 visitantes por ano. "Encaro meu trabalho como uma missão", avisa, valendo-se da mesma intensidade e paixão para falar das aventuras e das descobertas que fez em dezenas de viagens pelo continente africano. - Por que essa ligação tão forte com a África do Sul? - Vida é realmente destino. Quando vim pela primeira vez, há 42 anos, cheguei para passar 15 dias e fiquei dois anos e meio sem voltar ao Brasil. Fui criado em família que sempre viajava. Então, já tinha essa tendência quando um amigo me convidou para fazer um trabalho em uma feira que divulgaria a imagem do Brasil aqui. Minha mãe não queria que eu viajasse. Mas minha avó disse que filho nasce para o mundo. Vim com uma malinha vermelha e 500 dólares... - E como foi a aventura? - Cheguei no aeroporto e meu amigo não veio me esperar. Mas tinha um casal de gregos que morou em São Paulo e achou que eu fosse outra pessoa. Fui com eles. Dois dias depois contei a verdade, não era quem aguardavam. Eles acharam tudo muito engraçado. Me ajudaram a encontrar meu amigo. Ele teve malária e não pôde me buscar. Fui trabalhar na feira e voltei para a casa dos gregos. Eles eram donos de uma boate. Trabalhei lá como garçom, usava uma roupa de anjo. Me senti em casa aqui. O povo é hospitaleiro como o nordestino. Eles cantam, dançam, cozinham, adoram festa. Retornei ao Brasil e logo vim para Angola. Trabalhei vendendo livro. Andei o país inteiro. Depois fui para Moçambique, onde passei a comprar peles e mercadorias para vender no Brasil. É algo que trago para a vida inteira. - E que outras experiências teve nas andanças pela África? - Em 1973 sonhei que sofreria um desastre. Logo depois, precisei viajar de Angola para Moçambique. E como tive o pesadelo, fiz um seguro de vida. No caminho, em Keetmanshoop, na Namíbia, onde se encontra o grande canyon da África, sofri o acidente. Quebrei costelas, a clavícula e fiquei um mês internado. Mas recebi o seguro, o equivalente a US$ 5000, o que, na época , era muito dinheiro. Quando fiquei bom, com a grana que recebi, embarquei em um navio e fui até o Ceilão parando em vários portos. - E o que aprendeu nessas viagens pelo mundo? - Hoje posso ser cartomante. Sei definir a pessoa com um olhar. Também aprendi a me relacionar. E isso ajuda muito meu trabalho no Beach Park, a receber, o que considero uma arte. E o cearense tem isso na alma. Com as viagens, pude aperfeiçoar ainda mais esse dom. Conheci muita gente. - Quais são as virtudes da população e as belezas naturais que mais admira na África do Sul? - Além da alegria do povo, sempre fico impressionado com o pôr do sol. É uma despedida. O vermelho se junta ao azul do céu, uma cena maravilhosa. E diferente de qualquer outra região do mundo. Talvez reflita a energia desse lugar e das pessoas. São pobres, mas têm um coração muito rico. Trabalham, cantam e dançam. Não tem país do mundo assim. Nem o Brasil tem isso. A disposição de fazer tudo ao mesmo tempo e deixar os problemas em casa. A alegria constante. - E o que achou dos safáris? - Amo animais. Vi um leopardo e fiquei impressionado como ele demarca seu território. Sente o cheiro. Acho lindo as girafas. São muito elegantes. Também adoro quando os elefantes abrem as orelhas para proteger os filhos. Nessa convivência tão forte com os bichos que esse lugar propicia, fica a certeza de que o homem é muito mais agressivo do que eles. - Como avalia seus 20 anos como promoter? - A gente vem ao mundo com uma missão. E eu realmente adoro receber, cuidar dos pequenos detalhes. Descobri, por exemplo, que Thereza Collor adora beber café com leite no fim de tarde. Quero fazer com que as pessoas se sintam em casa. Acho que essa é uma característica do cearense, a de saber agradar até quem não conhece. É um povo que cede a própria cama para o visitante. - Como define seu estilo? - Você precisa arriscar o tempo todo. E para isso é importante ter personalidade. Eu arrisco porque tudo na vida tem jeito.