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Silvia Abravanel fala sobre plano de engravidar e a relação com o pai, Silvio Santos

Em entrevista para a CARAS Digital, Silvia Abravanel fala sobre sua trajetória pessoal e profissional e a relação com o pai, Silvio Santos: "Ele é meu melhor amigo e foi a minha universidade"

Flávia Faccini Publicado em 27/10/2014, às 15h24 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Silvia Abravanel - Kika Damasceno
Silvia Abravanel - Kika Damasceno

Em entrevista exclusiva para a CARAS Digital, Silvia Abravanel falou sobre sua trajetória pessoal e profissional. Aos 44 anos, a "filha número 2" de Silvio Santos, que responde pela direção do núcleo infantil do SBT e do Programa Roda a Roda Jequiti, contou que pretende engravidar novamente no próximo ano - ela já é mãe de duas meninas, Amanda e Luana - e falou sobre os desafios que enfrentou ao dirigir aquele que é considerado um dos maiores comunicadores da televisão brasileira.

"Meu pai tinha comigo uma cobrança excessiva e pesada, que me machucava como filha. Ele não sabia ser sutil comigo, vinha pesado como uma manada de elefantes me cobrar. Nós precisamos conversar, e eu disse: 'olha, da porta para dentro, eu sou sua funcionária só, e da porta para fora, sua filha. Então aqui, recebo ordens como sua funcionária e sou cobrada como tal, não como sua filha'. Isso foi muito importante para que a gente continuasse desenvolvendo nossa relação de pai e filha, e hoje é tudo muito tranquilo. Ele é meu melhor amigo", comentou a diretora, que é casada há quase um ano com o cantor sertanejo Edu Pedroso, da dupla Téo & Edu.

Veja abaixo os melhores trechos da conversa:

- Quando surgiu o seu interesse em trabalhar na TV? Você foi criada nos bastidores, vendo seu pai trabalhar?
Não, muito pelo contrário. Meu pai nem permitia que a gente ficasse muito no SBT quando a gente era criança. Ele não autorizava, achava que a gente tinha que brincar, ter vida de criança, não ficar na televisão, nunca foi de estimular nada disso. Eu tinha 16 anos quando ele me chamou para trabalhar com ele e eu aceitei na hora. Meu primeiro trabalho foi no Domingo no Parque. Durante a semana, ficava no escritório com ele, e no fim de semana trabalhava até de madrugada na TV, só parei quando fiz faculdade de medicina veterinária. Mas quando você começa a trabalhar com TV, não temo como não amar, me encantei.

- No início, você trabalhava como apresentadora. Tem vontade de voltar?
De vez em quando até dá vontade de voltar, mas passa. Foi uma experiência super válida . Mas meu coração sempre me falou que era para eu estar atrás das câmeras, sempre gostei muito de dirigir, produzir, criar, eu gosto desse trabalho. Sempre tem os fãs que pedem, mas eu não sei se voltaria.

- Mas isso tem a ver com estar envolvida com o trabalho de diretora então, não com timidez...
Nossa, tem a ver com timidez também, porque eu sou uma pessoa muito tímida, provavelmente a mais tímida que você conheceu. Falar em público, meu Deus, é um transtorno para mim. Quando eu apresentava, sempre dividia com alguém, então era mais tranquilo. Depois, fui apresentar o Casos da Vida Real sozinha. Aí, precisei encarnar um personagem, senão não conseguiria. Eu sou muito fechada, pelo menos até conhecer o ambiente, e as pessoas tendem até a achar que eu sou brava ou mal humorada, mas é pura timidez.

- E como é dirigir o próprio pai? Vocês conseguem separar bem a vida profissional da pessoal?
Hoje, a gente consegue, mas porque eu impus isso, não foi nada fácil. Meu pai sempre falava comigo com o programa ao vivo, me tratava de filha, era bem pesado. Ele exigia de mim como filha, e muitas vezes sem a sutileza com a qual ele traria um outro funcionário. Não era sempre que eu conseguia aguentar a demanda. Meu pai tinha comigo uma cobrança excessiva e pesada, que me machucava como filha.

- E como resolveram isso?
Nós precisamos conversar e eu falei: 'olha, da porta para dentro, eu sou sua funcionária só, e da porta para fora, sua filha. Então aqui, recebo ordens como sua funcionária e sou cobrada como tal, não como sua filha.Isso foi muito importante para que a gente continuasse desenvolvendo nossa relação de pai e filha, e hoje é tudo muito tranquilo. Meu pai é meu melhor amigo.

- Em algum momento, sentiu o peso de ser não somente Sílvia Abravanel, mas a filha do Sílvio Santos?
Olha, eu estudei em colégio americano, e isso ajudou muito, porque para eles artistas são pessoas comuns, não tem diferença, é só uma profissão a mais, acho que é um pouco coisa de brasileiro essa história de colocar artista em uma bolha, de achar que eles são diferentes, até porque não tem diferença. Mas claro que teve, uma coisa que me irrita, me entristece, é quando as pessoas descobriam quem eu era e mudavam da água para o vinho, me tratavam diferente, melhor. Eu não sou diferente de ninguém por ser filha de quem eu sou. Isso ofende, é chato, é desagradável, não só para mim quando me tratam diferente quanto para as pessoas que estão comigo, que estão à minha volta.

- E como isso se traduziu na vida profissional? Alguma vez acha que foi tratada diferente por ser filha do Silvio Santos, ou de acharem que você estava ali por isso?
Claro que tem, isso sempre acontece. Eu sou formada em medicina veterinária, minha formação não é em TV. Tudo que eu aprendi em televisão, aprendi trabalhando, na prática, dando duro. Meu pai foi a minha universidade e eu trabalhei duro, mas sempre tem alguém para dizer que estou onde estou porque sou filha do Silvio Santos. Mas eu trabalhei pesado, e o que talvez muita gente não saiba é que sempre fui muito mais cobrada por ser filha dele. Meu pai não sabia ser sutil comigo. Ele vinha pesado como uma manada de elefantes me cobrar.  Mas eu finquei meu pé, fiz ele ver que precisava me cobrar como profissional, e trilhei meu caminho. Hoje, eu sou consagrada pelo meu trabalho, e sei disso porque já soube até de diretores da Globo que conhecem e elogiam meu trabalho.

- Como é a relação com as suas irmãs?
A melhor possível. Sempre me perguntam se não tem ciúme, e posso garantir que não. Eu ajudei minha mãe a criar minhas irmãs, não tive ciúme nenhum. Minha mãe ficava com as mais velhas, eu ficava com as mais novas, sempre ajudei a cuidar delas, das roupas,  a dar mais banho. Sempre estive neste papel da irmã mais velha, que cuida, e todas nos damos muito bem.

- Como diretora do núcleo infantil do SBT, como vê a programação para esse público hoje em dia?
Tem pouca coisa, né? Na verdade temos nós, a TV Globinho e a TV Cultura, que faz um trabalho excelente.  Eu tento resgatar um pouco disso, que é o que tive na minha infância, essa coisa de ser criança mesmo,  de ver criança falando com criança, e acho que esse meu trabalho vem sendo reconhecido pelas famílias, acho que estou conseguindo atingir meu objetivo.

- Dirigindo crianças, deve ter passado por algumas situações inusitadas...
Ah, isso acontece quase diariamente. Criança tem umas tiradas muito engraçadas, e faço questão que eles mantenham isso, que não percam, eu não tiro. Tinha muita situação inusitada na época da Maísa. Uma vez, uma criança do Acre ligou, e ela falou no ar: "Acre, existe isso, tem no mapa?". Meu Deus, que vergonha, que saia justíssima. Depois busquei um mapa, expliquei para ela que se tratava de um estado do Norte do país, muito bonito, mas na hora foi complicado. Uma outra vez, a Maísa começou a gritar que tinha um escorpião na roleta. De onde eu estava, pedi que a câmera aproximasse para eu ver o que era, mas não dava visão. E a Maísa se recusava a continuar, a rodar a roleta, eu dizendo para ela prosseguir e ela não queria por medo de ser picada. Só depois, no intervalo, é que vimos que o "escorpião" era na verdade uma aranha minúscula (risos).

- Convivendo tão de perto com esse universo, dá vontade de aumentar a família?
Com certeza, não é uma vontade, é um projeto. Ano que vem vou fazer inseminação artificial em fevereiro ou março, porque queremos que nasça no final do ano e eu já tinha feito laqueadura.  Acho que podem vir gêmeos, porque a família do Edu tem casos de gêmeos e também com inseminação a probabilidade aumenta. Não tenho preferência de sexo, quero apenas que tenha saúde e com certeza será muito amado.

- Como concilia esse lado mãe, com a carreira e o marido?
Eu sou mulher, né? Mulher sempre dá um jeito, mas para mim o dia teria que ter um milhão de horas, e não só 24. Eu costumo dizer que tenho duas filhas e meia, a Amanda e a Luana, e a filha do meu marido, que também é como filha para mim. Eu consigo dividir bem meus horários e quando estou com elas, meu tempo é 100% delas, onde eu vou elas vão também. Tenho uma filha especial, a Luana [que tem um déficit neurológico causado pelo atraso no parto], mas conto a ajuda da Amanda para cuidar dela,  ela sempre me ajuda na programação,  divide mesmo comigo e me ajuda muito. E tem meu marido que é um parceiro, que me dá dicas no meu trabalho e eu no dele, já que dirijo seus shows, a gente troca muito e é muito parecido. Como eu, ele não é de balada, gosta de cultivar a família, ficar em casa, me ajuda muito.

- Você costuma fazer planos para o futuro ou é daquelas que prefere deixar as coisas acontecerem?
Nunca, eu sou de fazer muitos planos. Tenho muitas metas, procuro atingi-las, muitas já consegui atingir. Acho que nos próximos anos minhas metas são criar meus filhos, fazer o melhor para o meu público, tanto na TV quanto nos shows do meu marido, melhor aquilo que já tenho. E claro, pretendo continuar na televisão até os 80 anos, já que eu tenho um grande exemplo a seguir em casa.