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Laura Cardoso fala sobre beijo lésbico em 'Babilônia': "Deixa a pessoa amar quem ela quiser"

Em entrevista exclusiva, Laura Cardoso fala sobre a profissão de atriz e comemora casal gay de Fernanda Montenegro e Nathália Timberg em 'Babilônia'

Renan Botelho Publicado em 17/03/2015, às 11h08 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

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Laura Cardoso - Reprodução
Laura Cardoso - Reprodução

Aos 87 anos, Laura Cardoso chega animada para mais um dia de ensaio da peça A Última Sessão, onde contracena com oito atores na faixa dos 75 anos. "Ela é quem tem mais idade no grupo, mas é a primeira a estar pronta. A equipe ficou impressionada com a disciplina dela", elogia o diretor Odilon Wagner, que também assina o texto do espetáculo que estreará a segunda temporada no final do mês. Com 72 anos de carreira, mais de 50 trabalhos na televisão, dezenas de filmes e peças de teatro, a atriz explica para CARAS Digital de onde vem tanta empolgação: "Vivi muita coisa especial, mas aqui eu me sinto em casa. É uma das coisas mais agradáveis que já fiz".

Ícone da dramaturgia brasileira, Laura é uma das poucas de sua geração que continuam se revezando nos palcos e no vídeo. "É vida! É prazer! Eu amo representar, pode ser na rua, no palco, no circo, na televisão... O representar é o que eu gosto, o que não saberia viver sem. Eu tive sorte, os deuses do teatro me apoiaram", diz ela, que acabou de encerrar sua participação na novela Império, de Aguinaldo Silva, na Globo: "Foi um convite legal. Para mim não importa se vai ser rica, pobre, bonita, feia... eu quero é representar".

- Voltando um pouco no tempo, quando a senhora percebeu que tinha nascido para ser atriz?
Foi essa chama que o ator verdadeiro tem. O ator de verdade tem uma chama que faz com que ele não pare, que ele continue, que ele vá em frente, pesquise, estude. Eu tenho 70 anos de carreira, eu acho... acho não, eu tenho certeza que ainda estou aprendendo a ser atriz. Eu presto atenção nos jovens, nos jovens que vêm com vontade de atuar, de seguir uma carreira. Fico prestando atenção porque sempre trazem uma ideia nova, um desejo.

- Quando a senhora começou, a profissão não tinha o glamour de hoje...
...tinha muito preconceito, ficou um pouco melhor. Ainda existe preconceito, mas não como quando eu comecei em 1940 e pouco. O preconceito era bem feio. Era uma coisa pesada.

- A senhora sofreu com isso?
Olha, nunca dei uma atenção a isso. Prestei muita atenção a minha carreira, ao meu desejo de fazer teatro, de fazer cinema e, tempos depois, de fazer televisão.

- Atualmente, a senhora é uma das poucas atrizes de sua geração que continuam na mídia e são recebidas tão bem pelo público. Por que a senhora acha que existem tão poucas atrizes da 'melhor idade', na televisão?
É porque são boas, são atrizes de verdade. Tem uma Nathália [Timberg], tem uma Fernanda [Montenegro], tem uma Beatriz [Segall], uma Nicette [Bruno], uma Arlete [Salles]... Gente que é séria, que levou essa profissão muito a sério a vida inteira.

- A senhora citou a Nathália e a Fernanda que vão ter papeis de destaque na próxima novela das nove, Babilônia. Elas vão ser um casal...
... gay, gente! É o que a Fernanda falou, espero que as pessoas entendam, que as pessoas deixem os outros viverem a sua vida seja ela qual for, qual for sua vontade, seu desejo. Deixa a pessoa amar quem ela quiser amar, não é verdade? A vida é uma só, é uma para cada um, então faça dela o melhor.

- Os atores de sua geração costumavam se envolver mais em questões sociais, especialmente no teatro.  
É verdade, mas hoje ainda tem. Talvez seja um pouco de receio, não sei, mas acho que a gente ainda participa, fala e luta.

- Para a senhora, qual a importância do artista se envolver em questões sociais ou políticas?
Muita. O artista é o povo. Teu país é tua casa, você tem que lutar para que essa casa esteja limpa, esteja bem, que esta casa vá para frente. Não é verdade? O país é uma casa com seus filhos. Ainda tem [atores envolvidos com questões sociais], apesar da gente regular um pouquinho.

- Algum conselho para os artistas mais novos?
Acho que é necessário muito estudo, muita honestidade no trabalho, persistência, desejo de luta, de querer vencer. Não querer participar, querer ganhar.

Serviço - A Última Sessão
Em Minas Gerais: 19 e 20/03 às 20h30, no Grande Teatro do SESC Palladium, e dia 22/03 às 19h00, no Palácio das Artes.
Em São Paulo: a partir do dia 28/03, no Teatro Raulo Cortez, sextas, sábados e domingos.