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Abravanel: “Não quero perder essência”

Na pele Tim Maia nos palcos do teatro, Tiago Abravanel, neto de Silvio Santos, vive a loucura da fama repentina. Ator conta que aprendeu a se defender com o ícone da música. “Tim conquistou tanta coisa, que acabou se perdendo”, afirmou

Redação Publicado em 24/08/2011, às 08h42 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

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Tiago Abravanel na pele de Tim Maia em musical - Divulgação
Tiago Abravanel na pele de Tim Maia em musical - Divulgação

Desde a infância humilde, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, passando pelos momentos de glória ao eternizar seu nome na história da música brasileira, até a trágica e inesperada morte em 1998, a vida de Tim Maia (1942 – 1998) tem várias fases. Muitos atores poderiam interpretar cada etapa desse cantor ícone, que explorou todos os limites em sua passagem brilhante, marcante, porém, cheias de consequências.

No palco do Teatro Municipal Carlos Gomes, no Rio, somente um intérprete assume sua forma por completo na peça Tim Maia – Vale Tudo, o Musical.Tiago Abravanel (23), neto do empresário e rei da televisão Silvio Santos (80), enfrentou os riscos e tomou para si a responsabilidade de dar vida a um medalhão da MPB. Sozinho. “Essa foi a maior dificuldade. Em um período de três horas, eu faço todas as fases dele, dos 12 aos 55 anos, sem nenhum artifício, maquiagem, enchimento nem nada. Me atentei a isso. Tem momentos em que eu preciso engrossar a voz, porque ele está mais velho, ou então tomar outra postura, porque ele está mais gordo. O público sempre acha que existem truques aí, fico feliz ao ouvir isso, indica que consegui cumprir essa missão”, revelou o ator em entrevista exclusiva a CARAS Online.

Tiago estava gravando a novela Amor e Revolução, em São Paulo, quando soube das audições de elenco para o musical. Interessado, ele enviou um material para os produtores como quem não quer nada, já que tinha informações de que o casting estava completo. Dias depois, um dos produtores ligou para o jovem, dizendo que já tinha até pensando nele para o papel e perguntando se ele não gostaria de ir até o Rio de Janeiro fazer um teste. Tiago foi aceito e, antes de deixar a capital paulista, ligou paraTiago Santiago (48), autor de Amor e Revolução. “Tiago ficou triste e feliz ao mesmo tempo; feliz por eu ter conseguido esse trabalho, e triste porque eu teria que deixar a novela”. Já no Rio, o ator mergulhou de cabeça nos ensaios logo que chegou.

“Foi uma loucura! Montamos o espetáculo inteiro em um mês e meio, apesar de pouco tempo, o processo foi muito intenso”, recordou. O timbre de voz e aparência física, claro, ajudaram Tiago a conquistar um papel que muitos atores fariam de tudo para conseguir. No entanto, a sensibilidade de perceber um Tim Maia além de sua música e polêmicas foi decisivo para que o intérprete subisse ao palco com autonomia. “No primeiro dia de ensaio, o diretor [João Fonseca] falou que não queria nenhuma cópia do Tim Maia. E a minha preocupação era justamente não me tornar um cover dele no palco. Eu criei o meu Tim. Um pouco mais sensível, desprendido e que amava fazer tudo o que ele fazia”, contou Tiago.

No processo de preparação, Abravanel bebeu na fonte vasta de material do ícone, como entrevistas, shows e depoimentos de artistas e familiares, tendo como referência maior a biografia de Tim Maia escrita pelo jornalista Nelson Motta. Além de grandes sucessos de sua carreira, como Vale Tudo, Não Quero Dinheiro, Do Leme ao Pontal, o público também vai conhecer mais da história pessoal de Tim e aprender com as cabeçadas que o cantor deu na vida. Lições que Tiago toma para si toda vez que entra com as roupas brilhantes e o cabelo desarrumado como do artista.

“Em um paralelo muito menor, estou vivendo uma fase de loucura, de muita visibilidade e não sei se vale a pena ganhar o mundo e acabar perdendo a si mesmo. O Tim conquistou tanta coisa, que acabou se perdendo. Eu não quero perder a essência do Tiago, que é um cara divertido, que gosta de estar com todo mundo, que não tem papás na língua. Quero poder viver essa vida independente do sucesso. As relações humanas são mais importantes do que os flashes”, complementou o ator.

Vale lembrar, desde cedo Tiago viveu sob os holofotes. “Por ter o sobrenome que tenho, desde pequeno tive que lidar com essa questão. O que estava acontecendo comigo? Com o mundo ao meu redor? Quem eram as pessoas próximas a mim? Acho que fiquei carimbado por conta disso”, explicou Tiago que, finalizando, deixa uma definição para seu ídolo: “Um artista, mas acima de tudo, um ser humano sem limites”.