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Ximenes encara anoréxica no palco

Redação Publicado em 13/09/2011, às 18h37 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

Mariana Ximenes e Guilherme Weber - Amauri Nehn/AgNews
Mariana Ximenes e Guilherme Weber - Amauri Nehn/AgNews

Nove anos se passaram desde que Mariana Ximenes (30) pisou pela última vez no tablado, isso em 2000, quando atuou em A Rosa Tatuada. Na próxima sexta-feira, 16, no Teatro Augusta, em São Paulo, a atriz retorna aos palcos em um papel provocador – motivo que fez Mariana, que continuou frequentando o teatro, mas como expectadora – pular da plateia para a cena.

“Eu venho do teatro, foi onde comecei, e sempre fui apaixonada por ele. No caminho, surgiram bons projetos para a televisão e para o cinema, e acabei me afastando do teatro como atriz, mas nunca como expectadora”, complementa Mariana em entrevista à CARAS Online. Prova da fidelidade da atriz com o universo cênico foi a viagem que fez até Canudos, no interior da Bahia, para conferir a adaptação de Os Sertões pelo Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa (74).

Agora, em 2011, ela estrela Os Altruístas, peça baseada em texto do dramaturgo Nicky Silver e com direção de Guilherme Weber (36), que também é ator. Foi justamente o trabalho de Weber no teatro que despertou a vontade em Ximenes em retomar a carreira no tablado. “Senti uma vontade de trabalhar com as diferentes linguagens abordadas pela companhia de teatro fundada por Weber [a Sutil Companhia de Teatro, criada em 1993 em parceria com Felipe Hirsch]. Ele trabalha com um repertório que eu nunca consegui acessar como atriz. Além disso, o texto é provocativo e tem um jogo cênico interessante que pede que os atores estejam sintonizados a todo o momento”, afirmou com exatidão.

No palco, ela é Sidney, uma atriz de novela neurótica, histérica, anoréxica, carente e que tem uma relação doentia com a vida. Resumindo, Ximenes dá vida a uma personagem de densidade ímpar. “E que traduz muito bem as personagens escritas por Nicky Silver. Ela é super verborrágica e tem um ritmo de humor ácido e muito feroz”, acrescentou.

Para dar veracidade a essa mulher intensa, a atriz mergulhou em um processo de descoberta e referências. “Eu falei com uma psicanalista para entender mais sobre a bulimia e anorexia, precisava entender o problema”, disse. Orientada por Weber, Ximenes ainda coletou inspirações diversas para o papel que permearam desde o teatro expressionista alemão, passando pelas mulheres de Alfred Hitchcock (1899 - 1980), e chegando até as estrelas-travestis de Andy Warhol (1928 - 1987). “O Guilherme quis exercitar uma linguagem teatro diferente comigo e pediu que eu pensasse que era um homem interpretando essa mulher no palco”, explicou.

Para Weber, essa mistura é o que garante a originalidade de seu trabalho. “Hoje em dia é difícil esse processo de criação; temos muitas referências e não dá para trabalhar sem elas. Mas acho que, ao colocar em conflito essas inspirações, conseguimos alcançar um ineditismo”, explicou o diretor. 

Semelhanças?

Ximenes quis deixar bem claro que a única semelhança que encontrou com Sidney foi o fato de as duas serem atrizes de novela. Esse detalhe garantiu, ainda mais, a atração de Mariana por esse projeto e, para Guilherme, a certeza de que escalá-la para a peça daria um resultado interessante.

“Achei interessante trabalhar esse lado metalinguístico ao viver atriz de novela no teatro”, contou Ximenes, sendo complementada por seu diretor. “É quase um fetiche ter uma atriz vivendo uma atriz em sua peça”, riu.

“No geral, fico feliz de ter reunido um elenco tão brilhante. Acho que o trabalho de um diretor começa com a escalação do elenco e poder contar com esses atores foi uma chama atrativa. Eu sabia que essas vozes diferentes em um lugar comum resultariam em um embate interessante”, resumiu.

Os Altruístas traz ainda em seu elenco Kiko Mascarenhas, Miguel Thiré, Jonathan Haagensen e Stella Rabello.

Politicamente incorreto

Para o diretor Guilherme Weber, o texto de Nicky Silver ‘desperta o que temos de pior’. “É uma peça politicamente incorreta”, definiu.

O universo do dramaturgo norte-americano, acrescenta ainda Weber, transita em um tipo de humor bastante atraente para um artista. “É um humor demolidor, satírico, quase difícil de expressar”, sintetizou. “Mas, acho que é esse humor que faz uma sociedade mais atenta. Hoje, estamos vendo uma abertura maior no Brasil a esse tipo de comédia, vide o stand up comedy e humoristas como Danilo Gentili (31)e Rafinha Bastos (34) na televisão. É bom poder abrir esse espaço para discussões como as que são abordadas na peça”, concluiu.