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Vilões na TV provocam risos no teatro

Beatriz Segall e Herson Capri, intérpretes de grandes vilões na TV brasileira, encenam ‘Conversando com Mamãe’, peça em que os atores vivem mãe e filho e divertem a plateia com situações comuns às relações familiares

Redação Publicado em 30/08/2011, às 18h04 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

Beatriz Segall e Herson Capri na peça 'Conversando com Mamãe' - Divulgação
Beatriz Segall e Herson Capri na peça 'Conversando com Mamãe' - Divulgação

Dois intérpretes de grandes vilões da teledramaturgia, Herson Capri (58), o Cortez de Insensato Coração, e Beatriz Segall (85), a Odete Roitman de Vale Tudo - por muitos considerada a maior vilã que já apareceu em um folhetim brasileiro - se reúnem no palco do teatro para surpreender o público que, ao invés de ver as vilanias de seus personagens memoráveis, dará risada das situações inusitadas propostas em Conversando com Mamãe, obra de Santiago Oves adaptada para o tablado por Susana Garcia e que estreia no Teatro Folha, em São Paulo, na sexta-feira, 2.

“Os personagens que interpretamos são completamente diferentes do Cortez e da Odete Roitman. Estamos uns doces nessa peça (risos). Muito carismáticos e falando sobre relações familiares; tipo de assunto que o público poderá se identificar”, adiantou Herson, radiante por dividir o palco com a veterana. “Quando fazemos um personagem tão marcante, como fiz com a Odete, ficamos enraizados. E o público acaba esperando ver isso sempre. Será uma grande surpresa porque eu e o Herson vamos mostrar outra coisa nessa peça”, complementou Beatriz.  Embora ambos atores tenham adorado dar vida à vilões em diferentes fases da carreira (“sem um bom vilão, a trama não anda”, justificou Herson), a veterana garante que a simpatia do grande público depende de um bom personagem, independente de seu caráter. “Só recebi elogios com a Odete Roitman, o público adorava aquela personagem porque ela sempre dizia as verdades sobre esse Brasil. Tem gente que até hoje sabe as falas dela de cor”.

Além de doces, Herson e Beatriz estão extremamente hilários em Conversando com Mamãe. Situações inusitadas entre mãe e filho, que permeiam o texto, vão garantir risadas e emocionar a plateia. A reação do público, já sentida pelo elenco durante a temporada de nove meses da obra no Rio de Janeiro, no entanto não era esperada pelos atores. “Fiquei muito surpresa com as risadas vindas dos expectadores, porque a peça foi pensada de forma séria; não achamos que seria para rir e nem tentamos imprimir esse ar de comicidade”, contou. “Dez dias antes da estreia no Rio, fizemos uma sessão só para os técnicos da peça. E eles riram. Pensei comigo: ‘Estão rindo do quê? Será que querem nos incentivar?”, disse ainda, com muito bom humor. “Não nos demos conta de que isso poderia acontecer”.

Na história, Herson vive Jaime, um cinquentão bem-sucedido, casado, com dois filhos. Por conta de uma crise econômica, ele perde o emprego e seu mundo desaba. Tendo ao seu lado somente a mãe, uma senhora inteligente, divertida e muito moderna, Jaime decide vender a casa em que vive com a matriarca – escolha que irá desencadear várias discussões, reflexões e ressaltará a importância das questões familiares na vida do ser humano.

“É uma história de mãe e filhos que se gostam muito, mas se desentendem, brigam, para poder se entenderem de novo”, explica Beatriz. “A mãe que eu faço é uma mulher muito simples e que, ao passar por grandes mudanças em sua vida, acabou ficando mais forte e menos medrosa que o filho”.  Essa força de mulher, recorda Capri, foi mentalizada logo que o ator pensou em Segall como protagonista da obra. “O meu personagem perde tudo e se vê a beira do desespero, encontrando apoio em sua mãe; logo pensei na Beatriz para interpretá-la. Beatriz dispensa apresentações; ela é uma grande fatia do nosso teatro brasileiro e estar trabalhando com ela é um gosto. Nós estamos a favor dessa peça, desse texto, dessa história. Não existe nenhum ego nosso à frente disso e, nesse ponto, nós dois combinamos; dentro e fora de cena também”, completou.

Essa admiração, acrescenta Segall, é mútua. “No final de toda apresentação, eu e o Herson nos unimos e agradecemos os espectadores. Depois, ele se afasta e deixa que o público me aplauda sozinha. Nunca vi isso acontecer no teatro. Está sendo muito prazeroso esse período de trabalho”, concluiu.