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Vera Fischer diz estar cheia das cobranças de que precisa estar sempre linda

A atriz Vera Fischer diz que não aceita mais ser cobrada pela aparência, não quer saber da opinião dos homens e que enfrentou suas tragédias particulares sem nunca fugir

Redação Publicado em 28/05/2013, às 12h54 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

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Vera Fischer - Marcelo Faustini
Vera Fischer - Marcelo Faustini

Eterno ícone de beleza, Vera Fischer não tem medo de envelhecer. Aliás, aos 61 anos, se sente aliviada por não precisar mais sustentar o título de musa e garante que está na fase mais serena de sua vida. Prefere se dedicar à leitura a badalar em eventos sociais. Troca, com prazer, os vestidos justos por kaftans confortáveis, assume as rugas, se dá ao luxo de não fazer ginástica e não fica neurótica quando engorda alguns quilinhos,
apesar de continuar vaidosa. Tem tempo de cuidar dos filhos Rafaela (33), com Perry Salles (1939-2009), e Gabriel (20), com Felipe Camargo (52), acaba de se despedir de Salve Jorge, em que interpretou sua primeira vilã em 40 anos de carreira, se prepara para voltar ao teatro, pinta quadros e escreve romances. O último, Lucíola, lançado em abril, é o segundo de uma série de dez que já estão prontos, todos protagonizados por heroínas. “Não sou mais aflita como era no passado. A idade traz paz. Estou alegre e, finalmente, em grande entrosamento com meus filhos. Também não tenho mais paciência para cobranças sobre a minha aparência. Cansei. Não é só por ter 61 anos e achar que estou bem para a minha idade, mas também porque a mulher é explorada e tratada como um troféu. Acumula várias funções na casa e no trabalho e ainda tem que estar linda! Temos que parar de nos importar tanto com a opinião dos homens e dizer: todo mundo tem celulite e pronto!”, desabafa. Em seu apartamento no Leblon, Rio, decorado com telas pintadas por ela e objetos e móveis comprados em viagens, entre dezenas de livros de arte e clássicos da literatura, uma pilha de blocos se destaca. É neles que Vera, ainda relutante em usar computadores, escreve como forma de aliviar a angústia, que considera inerente aos artistas. “Temos muita criatividade e a ânsia de se expressar gera esse sentimento. É natural. Na maior parte do tempo me sinto feliz e satisfeita com a vida, mas, do nada, enlouqueço e preciso de uma válvula de escape”, revela.

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– Você atua, pinta e escreve. Ainda busca “a” sua arte?

– Não, minha paixão é atuar. No segundo semestre começo a ensaiar uma peça com Victor Garcia Peralta e estou ansiosa. O teatro é o meu lugar, mas de vez em quando fico louca, tenho uma ideia e começo a escrever. É um processo bem orgânico e acredito que produza uma literatura ágil.

– Lucíola, com linguagem urbana e ousada, conta a história de uma prostituta que aceita um casamento de fachada com um homem rico. É inspirado no clássico homônimo de José de Alencar?

– Não, nem li o livro de Alencar, é uma coincidência do além! (risos) É até um absurdo não ter lido, mas, no tempo de colégio, busquei autores mais universais, como Dostoiévski. E a linguagem realista é meu estilo. Não economizo nas palavras e não uso eufemismos. Não há eufemismos na vida.

– Você quer deixar uma marca também como escritora?

– Não me preocupo se as pessoas vão gostar e não me considero escritora, sou contadora de histórias. Mas tenho uma linha: escrevo sobre mulheres. Não sei exatamente o motivo, acho que busco o feminino
que falta no mundo. O machismo me incomoda.

– Você sofreu com isso?

– Todas as mulheres sofrem. No Brasil, a coisa é mais camuflada e mais cínica. Somos tratadas como troféus a serem exibidos, subordinadas nos mínimos detalhes como se nossa capacidade fosse menor. Não é fácil ser mulher. Um bom exemplo: acham que preciso ter um namorado, como se não estivesse completa assim. Também cobram estar sempre linda e com bumbum em pé. Sinceramente, estou de saco cheio. Eu mesma não me cobro. Olho no espelho e gosto do que vejo. Todas as marcas refletem uma vida muito bem vivida, não tenho porque não assumir a idade.

– Você se arrepende de algo que viveu ou de alguma escolha?

– Não, do contrário seria outra pessoa. Acho o resultado bom. Todos têm suas tragédias particulares e passa por momentos difíceis, mas cada um lida com elas da sua forma. Nunca fugi das minhas, enfrentei. Demorei, mas superei. Sofri muito e hoje não sofro mais.

– Você fala de dependência química? No final de 2011, chegou a ser internada em uma clínica...

– Estamos falando de problemas na cabeça. Há um momento em que a gente precisa se retirar e entender as coisas que estão acontecendo e gerando sofrimento.

Vera Fischer em clínica de reabilitação

– Teve medo de morrer?

– Não! Fisicamente, sempre estive bem. E tenho sede de viver. Quero ver meus netos nascerem e crescerem. Vou viver até 100 anos. 

– Como avalia seu momento?

– É de grande serenidade e também de uma expectativa muito boa, quero trabalhar, viver e ser feliz, mas sem aquela aflição da juventude. Ficamos mais sábios com a idade. Estou em paz, alegre e, o mais importante,
em enorme entrosamento com meus filhos. Estou podendo ser mãe. Teve uma época em que não consegui, devido ao trabalho, à vida pessoal, problemas. Finalmente eles estão se sentindo filhos, ficam embaixo da asa. Estou achando isso muito bom. Eu e Rafaela somos bem amigas, partilhamos nossas crises existenciais, nos apoiamos. Aos domingos, vemos filmes juntas. Gabriel cursa cinema e é muito caseiro, como
eu. Hoje, prefiro ficar no meu canto escrevendo, vendo filmes e lendo até de madrugada. Estou viciada no seriado Dexter e nos romances policiais de Lee Child.