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A questão da retirada das mamas nas mulheres com mutação genética

Redação Publicado em 26/06/2013, às 21h11 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Saúde - Divulgação
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Recentemente, a mídia mundial deu destaque à notícia de que a atriz norte-americana Angelina Jolie (37) fez mastectomia preventiva, ou seja, retirou as duas mamas para diminuir seu risco de vir a ter câncer de mama. A razão, segundo relatou, é que herdou da mãe o gene BRCA 1 alterado e, com isso, teve o risco estimado pelos médicos em 87% de apresentar câncer de mama e de 50% de apresentar o de ovário. Segundo seu relato, o risco de ter câncer de mama cairia para 5%, com a mastectomia. A avó e a mãe da atriz morreram desse câncer. Relata, ainda, que foi aconselhada a retirar os ovários entre os 45 e os 50 anos, porque a probabilidade de câncer nesses órgãos é mais tardia.


A mastectomia redutora de risco para o câncer de mama é praticada há mais de 20 anos. Vem sendo feita com maior frequência desde cerca de 10 anos, face ao embasamento científico proporcionado pelo sequenciamento do genoma humano e pela descoberta do gene alterado BRCA 1 e sua relação com câncer de mama e ovário.


Hoje podemos optar entre dois tipos de mastectomia “preventiva”. O primeiro tipo ocorre quando a mulher recebe o diagnóstico de câncer em uma das mamas. Como o risco de ter na outra aumenta 1% ao ano, o médico e sua paciente podem decidir pela retirada da outra mama e reconstruí-la. É a chamada mastectomia profilática contralateral. Já o segundo tipo se constitui da retirada das duas mamas de uma mulher com alto risco, mas ainda sem o diagnóstico de câncer, por ter herdado da mãe o gene BRCA 1 alterado.


O câncer de mama é o mais comum dos tipos da doença e o que mais mata mulheres. É classificado em hereditário e em familial.  A causa do hereditário é a alteração no gene BRCA 1. Portadoras da alteração podem ter câncer de mama mais cedo, em geral antes da menopausa. O risco de mulheres com o gene alterado terem câncer de mama é de 60%.


Já a causa do familial ainda é desconhecida e pode ter outros genes associados. A história mostra um salto de incidência nas gerações: a avó teve, a mãe não teve, mas a filha pode tê-lo. Como se vê, às vezes a doença não se manifesta em uma geração, mas ressurge na seguinte.


Mulheres adultas que tenham histórico familiar de alteração no gene BRCA 1 e desejam saber se são portadoras devem consultar um mastologista. Ele é o especialista mais adequado para avaliar o risco e indicar testes, por exame de sangue.


Quando diagnosticada a alteração genética, cabe à paciente, em conjunto com seu médico, decidir se faz ou não a mastectomia. Não se trata de uma cirurgia estética. O procedimento é altamente complexo, com complicações — como sangramento, infecção, contratura, insatisfação estética e outras menos comuns — que requerem nova intervenção cirúrgica em até 50% dos casos.


A mastectomia redutora de risco reduz de forma significativa o risco do câncer de mama, mas as mulheres ainda continuam com uma pequena probabilidade de apresentá-lo. Por isso, o procedimento cirúrgico é uma alternativa para um grupo muito restrito de mulheres. O ideal é que a candidata se informe sobre tudo antes de tomar a decisão, uma vez que o objetivo é lhe dar qualidade de vida, por meio da manutenção de sua integridade corporal, conjugada com tratamentos preventivos ou oncológicos precisos.