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Paixão traz um novo sentido para a vida, mas também alguns desacertos

Marcos Ribeiro Publicado em 28/05/2014, às 13h13 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

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“Eu sei que vou te amar/ Por toda a minha vida eu vou te amar/ Em cada despedida eu vou te amar/ Desesperadamente, eu sei que vou te amar...”. Essa letra de Eu Sei Que Vou Te Amar, de Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Moraes (1913-1980), traduz bem o sentimento de quem vive uma paixão. O coração parece uma bateria de escola de samba.

A paixão chega sem pedir licença. Mas, para amar, é preciso coragem. O outro pode ter dificuldade de seguir em frente. Surge a pergunta: “Será que vale a pena arriscar?”. Isso é muito comum quando a pessoa vem de uma desilusão amorosa que a faz associar paixão com sofrimento. Há dificuldade de aceitar uma nova pessoa ou de se entregar. Mas na vida não podemos ter ou dar garantias e quem não se envolve não se desenvolve.

Do ponto de vista meramente biológico, segundo os cientistas, a paixão é o resultado de uma descarga de anfetaminas produzidas pelo organismo. Para entender melhor, saiba que essas substâncias são da mesma família dos moderadores de apetite. Até os sintomas são bem parecidos. A pele fica  ruborizada, sobe a temperatura do corpo e o coração bate mais acelerado. O estado de consciência fica alterado. Tem mais. Após o sexo, ocorre outra reação biológica: uma brigada de endorfina e hormônios traz a sensação de bem-estar ao lado da paixão. Portanto, ela vai além do ato sexual.

Emocionalmente, a paixão transforma as pessoas e, de uma hora para outra — sem racionalidade —, cada um quer ser tudo para o outro e que a outra pessoa seja tudo para si. Existe o desejo, mesmo inconsciente, de negar o que é para ser o que o outro deseja. O que mais se objetiva em um primeiro momento é ser aceito ou aceita.

E qual a diferença entre o comportamento de homens e mulheres diante da paixão? Em geral, quando o homem se apaixona e tem uma relação estável com outra pessoa, procura manter os dois relacionamentos — até que a “corda arrebente” —, com dificuldade de assumir e dar um passo adiante. Ele teme que assumir a paixão o deixe na “mão da mulher”. Com ela, é o oposto. A mulher apaixonada larga tudo — até o marido, se for casada — para viver esse momento da vida. O ruim é que, diante do comportamento masculino que citei acima, ela perde um tempo enorme, podendo desgastar a paixão. E nessa conversa não tem traição, porque quando ela ocorre um dos dois deixou de desejar e, na sequência, de amar. Nova paixão assume o controle da história.

O problema dos apaixonados é que não estabelecem outras trocas; nem de amizade. É como se o amado ou a amada fosse sua única fonte de gratificação e se vive por e para ele ou para ela. A pessoa está, de fato, “perdidamente apaixonada”. Se de um lado há felicidade plena, de outro está perdida para os outros temas da vida cotidiana, porque sua paixão basta.

O que fazer para não sofrer? Buscar sempre o equilíbrio entre a fantasia e a realidade. Viver uma paixão avassaladora, que deixa “sem ar”, faz perder o rumo de casa e transforma a vida em um paraíso, pode ser bom por um tempo. Mas também sufoca. Por isso é que se diz que uma paixão dura em média dois anos. E, aí, é cuidar para que se transforme em amor, porque esse, sim, é o único transformador de uma vida inteira.