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Martinho da Vila festeja em família título da Vila

Em casa, o campeão do carnaval carioca, Martinho da Vila, revela a intimidade e fala de seuas paixões

Redação Publicado em 19/02/2013, às 10h49 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Na sala, Martinho, com os dois filhos mais novos, Preto e Alegria, e a mulher. Os dois festejam 20 anos de casados em 2013. - Cesar Alves
Na sala, Martinho, com os dois filhos mais novos, Preto e Alegria, e a mulher. Os dois festejam 20 anos de casados em 2013. - Cesar Alves

O grande campeão do carnaval carioca 2013 tem uma rotina bem mais trivial do que sua ainda persistente fama de boêmio pode fazer supor. Gênio da música, ícone da Vila Isabel e um dos autores do samba-enredo, já considerado clássico do gênero, que embalou a escola na conquista de seu terceiro título, Martinho da Vila (75) hoje em dia gosta mesmo é de ficar em casa curtindo Cleo (41) e os dois filhos do casal, Preto (18) e Alegria (13). É pai ainda de outros seis, de uniões anteriores. No apartamento na Barra, Rio, que só não ganhou uma decoração ainda mais clean porque Cleo conseguiu fazer o marido mudar de opinião, o cantor passa o tempo jogando cartas, lendo e escrevendo livros. Este ano lança o 12º, O Nascimento do Samba. Às vezes, Martinho também faz experimentações gastronômicas. Pica tomate, cebola e alho, frita um ovo e mistura tudo no arroz, para o desespero da eleita. “Ele é a pessoa mais agradável do mundo. Não tem como brigar, exceto na cozinha. Se pudesse, impediria ele de entrar lá até para pegar água. Faz o maior estrago”, justifica, rindo. Completar 75 anos também vem sendo motivo de festa. O grande presente veio mesmo com o título. “Vou comemorar o ano todo”, avisa ele. Mas 2013 promete outros momentos especiais, como o lançamento em abril do Sambabook, que inclui dois CDs com seus clássicos gravados por 24 artistas, livro de partituras e uma biografia.

– Como foi chegar aos 75?

– Normal, não sinto muita diferença. Mas os gostos mudam. Não tenho mais aquela vontade de ir para o bar, por exemplo. É como ter piscina em casa. No início, todo mundo quer usar, depois esquece. Gosto de curtir o ócio, ficar no meu canto. 

– E o que gosta de fazer?

– Jogar cartas com Alegria e o Clayton, meu motorista. Xadrez no computador também. Acho bom ficar lendo, adoro livros infantis. Inclusive, recomendo a intelectuais. A gente encontra coisas que pensa que sabe e não sabe.

– E quais gostos incorporou?

– Pescar, coisa que não fazia. Já viajar, não gosto mais. Hoje virou sacrifício. Para um show, me programo, embarco dias antes e aproveito para fazer turismo também. Se for só trabalho, estou fora.

– Você anda compondo?

– Estou quieto. Isso muda com o tempo. Quando mais novos, escrevemos só pelo prazer. Depois, passamos a fazer apenas quando pretendemos lançar algo. Se bolo um disco, faço as músicas em cima da ideia. Acho que só se cria na adversidade. Quando a mulher vai embora, o cara compõe. Quando está tudo legal, é mais difícil. Hoje, a inspiração vem dos desafios.

– E como consegue relaxar?

– É complicado. Consigo na minha fazenda em Duas Barras, onde nasci. Vou para lá não fazer nada. É não fazer nada mesmo, não programar. Às vezes, você marca uma coisa, pode até mesmo ser um programa legal. Mas aí acorda no dia sem vontade, porém o programa está marcado. Vira obrigação. 

– E como educa os filhos?

– Vivo muito fora de casa. Mas com os dois últimos consegui ficar mais próximo por causa da rotina mais tranquila. E tento compensar sendo amigo. Isso é fundamental. 

– Você e Cleo estão completando 20 anos de casamento...

Cleo – Nos conhecemos em 1986. De lá para cá, o coração nunca se separou. O casamento foi em 1993, em maio. Penso em fazer um livro sobre esses 20 anos, com nossas músicas, troca de bilhetes, cartas, fotos, para celebrar o amor.

Martinho – Compus para ela o  Samba do Passarinho, fala justamente disso, da vontade de viver sempre junto. A convivência é difícil. Mas o fundamental é ceder um pouco. Cada um tem seu jeito de tratar o assunto. É importante respeitar. E temos amor e amizade. Isso que é bom.