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Etimologia

Deonísio da Silva Publicado em 21/11/2013, às 17h59 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

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Coroa veio do Latim corona, radicado no Grego korone, designando de início círculo ao redor de um astro, depois o ornamento dos reis. Luís XIV, rei francês que viveu no século XVII e no início do XVIII, foi longevo e guloso, palavra originada do Latim gulosus, comilão.

Autarquia: do Grego autarkía, que tem autossuficiência para gerir a si mesma. Designou originalmente o poder absoluto, mas seu sentido mais comum hoje é o de entidade estatal autônoma, com patrimônio e receitas próprios, com vistas a melhor desempenho. No mês em que circulavam os primeiros exemplares desta revista, o presidente Itamar Franco (1930-2011) e Murilo de Avellar Hingel (80), seu ministro de Educação, sancionavam Lei do Congresso Nacional que tornava autárquicas as Escolas Agrotécnicas Federais, concedendo-lhes autonomia didática e disciplinar. Nesses 20 anos, o desempenho delas mostrou o quão acertada foi a medida.

Coroa: do Latim corona, radicado no Grego korone, designando originalmente círculo ao redor de um astro, depois a coroa dos reis e também o coro de dança e canto no teatro, por sua disposição circular ou em semicírculo. A expressão cara ou coroa, usada nos campos de futebol para escolha do lado em que cada time vai jogar o primeiro tempo, surgiu em 1727 na Bahia, quando a Casa da Moeda, criada em 1694, começa a cunhar moedas de ouro com a efígie do rei no anverso e as armas do reino no verso. A palavra coroa tornou-se gíria para designar a pessoa mais velha a partir de duas hipóteses: as rugas do rosto lembravam a terra ainda por lavrar; os dentes deterioravam mais depressa e eram repostos mediante armações chamadas coroas.

Esquecer: do Latim clássico excadere, pelo Latim vulgar excadescere, cair fora, depois escaecer e por fim esqueecer, antes de fixar-se na forma atual. Tornou-se antônimo de lembrar, do Latim memorare, depois mem’ar, tendo havido troca do “m” inicial por “l”, consolidando-se em lembrar. Há casos de esquecimentos quase impossíveis. Um deles é do matemático norte-americano Norbert Weimer (1894-1964). Formou-se em Matemática aos 14 anos e tornou-se doutor em Lógica aos 18. Foi um dos criadores da Cibernética. Após repetir muitas vezes o endereço da casa para a qual se mudariam, a mulher o escreveu num papel, mas o marido foi à universidade, usou-o para resolver um problema e, quando voltou para casa, esqueceu que a família se mudara. Saiu à rua e perguntou a certa moça: “Perdão, senhorita, eu vivia naquela casa ali, não lembro o que aconteceu, mas está vazia”. “Não te preocupes, papai, mamãe achou que se esqueceria e me mandou te buscar”.

Guloso: do Latim gulosus, comilão, praticante da gula, pecado capital. Um dos mais longevos reis franceses, que reinou por 72 anos, Luís XIV (1638-1715) comia demais. Há registro dos pratos que devorou na ceia de 1º de maio de 1681: quatro pratos de sopa, um faisão, uma perdiz, uma terrina de salada, 1/2 quilo de presunto, 1/2 perna de cordeiro, uma cesta de pastéis, frutas e ovos.

Moedeiro: do Latim monetarius, aquele que cunhava as moedas no templo da deusa Juno, que teve agregado ao nome o epíteto Moneta, do mesmo étimo do verbo monere, avisar, prever, também presente em premonição. No Brasil colonial, era costume cunhar moedas com frases latinas no verso. As mais frequentes eram In hoc signum vinces (com este sinal vencerás) e Pecunia totum circumit orbem (a moeda circula no mundo inteiro). Antes de voltar à moeda chamada real, o Brasil teve réis, pataca, cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro novo etc.

Real: do Latim regale, do mesmo étimo de rex, rei, antiga moeda portuguesa. Em 1568, o rei dom Sebastião (1554-1578) determinou que o real, moeda de Portugal, fosse também a moeda do Brasil. A perda de valor logo levou à cunhagem em múltiplos e por isso ela passou a ser mais conhecida no plural reéis, depois réis. O nome foi ressuscitado no governo Itamar Franco para substituir a Unidade Real de Valor (URV). As duas moedas conviveram por quatro meses, quando o real passou a reinar sozinho, ao derrotar a inflação, estabilizar a economia e valorizar a moeda brasileira, que há 20 anos chegou a valer 20% a mais do que o dólar norte-americano. Para se ter uma ideia da inflação que antecedeu o real, em 1º de março de 1994 a URV valia 647,50 cruzeiros reais e quando o Real foi baixado, quatro meses depois, o valor da URV era 2750 cruzeiros reais. Em 1º de julho, esses 2750 cruzeiros reais passaram a valer 1,0 real.