Revista CARAS
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Etimologia

CARAS Publicado em 14/08/2013, às 16h14 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

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Apartamento: do Italiano appartamento, do verbo appartare, separar, por sua vez radicado no Latim ad (para, à) e partem, declinação de pars, parte. Recebeu este nome como variante do Provençal antigo Baranda, varanda em Português, por influência do Latim varare, cercar com varas. O cercado ou puxadinho, inicialmente emendado à casa, era denominado também alpendre, do Latim appendere, do verbo pendere, pendurar, mas com influência do Árabe albándar, lugar onde os mercadores estendiam seus produtos. Alpendre era também o pórtico sobre pilares à porta de algum edifício onde era recolhido o trigo quando chovia. Outra variante de alpendre era sacada, do gótico sakar, lutar, furtar, mas que, ao migrar para os textos legais, fixou-se como sinônimo de tirar licitamente, sacar. Nas lides náuticas, “é a distância, em milhas marítimas, entre os meridianos de dois pontos da superfície terrestre, medida sobre o paralelo comum quando ambos estão na mesma latitude, e sobre o paralelo médio quando estão em latitudes diferentes”. Designando residência, o
Francês appartement foi sua última escala antes de chegar ao Português. 

Bairrista: de bairro, do Árabe clássico barra, pelo Árabe vulgar bárri e o Latim tardio barrium, designando a periferia de uma cidade ou vila, para identificar aquele que exagera as qualidades do lugar onde mora, menosprezando os demais. É uma variante do patriota exagerado, para quem o único país que presta é o dele, do qual agiganta qualidades e omite falhas. 

Colocar: do Latimn collocare, pela formação cum, com, locare, pôr no locus, lugar. Botar, seu sinônimo popular, veio do Francês antigo boter (no Francês atual é bouter). O papa Francisco (76) preferiu esta variante, dizendo logo ao chegar ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude: “Cristo bota fé nos jovens, e os jovens botam fé em Cristo”. Depois, falando a mais de 1 milhão de pessoas na praia de Copacabana, recomendou:
“Bote fé, bote esperança, bote amor”. O pontífice, que é poliglota, usou muitas gírias em suas falas, entrevistas e homilias no Brasil. Ele já tinha dito de brincadeira que “o Português é um Espanhol mal falado”.

Furreca: provavelmente de alforreca, do Árabe al-hurreqa, coisa pequena, sem importância, inconsistente. E ainda palavra malformada, carro, ferramenta ou coisa sem préstimo ou estragada. Seu primeiro registro em Português deu-se talvez em Roteiro de Lisboa a Goa, do cartógrafo e administrador português dom João de Castro (1500- 1548): “Vejo ali uma coisa... a modo de geleia. Deve de ser uma alforreca”.

Istmo: do Grego isthmós, passagem estreita. Estreita faixa de terra que une uma península a um continente. Mas designa outras ligações também, de que são exemplos as de anatomia: istmo das fauces, entre a boca e a laringe; istmo do útero, ligando o útero ao seu colo. Mas o istmo que une ao continente o rochedo onde está a abadia de São Michel, na França, sumiu em julho, coberto pela maré. 

Pé de cabra: de pé, do Latim pede, declinação de pes, e cabra, do Latim capra, tendo havido troca do “p” pelo “b”. Designa ferramenta em que o cabo e a ponta fendida, parecendo um pé caprino, são uma peça só. Essas trocas são frequentes no Português: o Latim caper, bode, macho da cabra, deu cabrone em Italiano, mas cabrón em Espanhol e cabrão em Português, ampliando o significado: de macho da cabra para marido que consente que sua mulher tenha relações com outros homens, uma variante de corno, mas que sabe da traição. Nas habituais confusões do Acordo Ortográfico, a ferramenta pé de cabra não tem hífen; porém pé-de-cabra, designando uma planta, tem hífen.

Taifeiro: do Árabe taifa, grupo de pessoas que professavam os mesmos princípios, segundo nos informa João Baptista M. Vargens (60) em Léxico Português de Origem Árabe. Deste étimo surgiu taifeiro para designar
marinheiro e soldado encarregados da defesa da tolda e do castelo de proa das embarcações. Aplicou-se mais tarde a outros tripulantes: o cozinheiro, o barbeiro, o padeiro, o copeiro e o camaroteiro. O trabalhador civil lotado nos quarteis também é chamado taifeiro. Ultimamente, com o surgimento de igrejas pentecostais, as auxiliares dos pastores nas igrejas vieram a ser chamadas taifeiras.