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Desafiador papel de Regina Duarte empossada

Atriz assume cargo de secretária especial da cultura no governo Jair Bolsonaro

Revista CARAS Publicado segunda 16 março, 2020

Atriz assume cargo de secretária especial da cultura no governo Jair Bolsonaro
Damares Alves, Regina Duarte, Michelle e Jair Bolsonaro levam mão ao peito para entoar o Hino Nacional - Alan Santos/PR e Lincoln Iff


Com uma carreira consagrada de mais de 50 anos, a atriz Regina Duarte (73) acaba de assumir o papel mais desafiador de sua trajetória: o de secretária especial de Cultura. A eterna Namoradinha do Brasil aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro (64), feito em 17 de janeiro. Quarta a assumir o cargo desde o início do governo, ela tomou posse em uma cerimônia no Palácio do Planalto, na capital federal, usando um vestido preto de bolinhas brancas e um blazer branco. No dia da posse, Regina adentrou o saguão de braços dados com o vice-presidente, Hamilton Mourão (66). Durante toda a cerimônia, ela sorriu, se emocionou, fez coração com as mãos e, inclusive, deixou escapar algumas lágrimas. A solenidade teve início com o Hino Nacional. Assim como as demais autoridades, a atriz entoou a canção com a mão direita no peito. Em seguida, ela se sentou entre a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves (55), e a primeira-dama Michelle Bolsonaro (37). Coincidentemente, ambas também elegeram looks de bolinhas para a solenidade.

Além de autoridades, o evento foi acompanhado por alguns artistas como a atriz e humorista Maria Paula (49), que atualmente vive em Brasília, e os atores Rosamaria Murtinho (84) e Carlos Vereza (81). “Vi na Regina da política o mesmo olhar que ela tinha no começo da carreira, quando estava fazendo comigo o curso de interpretação em São Paulo, ainda bem jovem. É um olhar determinado e com muita vontade. Estou muito contente de estar presente, vim para dar uma força. Senti uma alegria muito grande pelo presidente ter chamado uma mulher para este cargo. Conheço o caráter da Regina. Ela é uma pessoa que tem vontade de fazer”, elogiou Rosamaria, que viajou do Rio especialmente para a posse da amiga de longa data. “Ela é minha amiga faz tempo. E tem dito para mim que quer pacificar a categoria”, disse Vereza, que revelou ter sido convidado por Regina para a equipe.

O tom do discurso de Regina foi exatamente o dito por Carlos Vereza: a pacificação entre as classes. “Uma cultura forte consolida a identidade de uma nação. A cultura é um ativo que gera emprego, renda, inclusão social, impostos, acessibilidade e educação. E é nisso que acreditamos. Meu propósito aqui é pacificação e diálogo permanente com o setor cultural, com Estados e municípios, com o Parlamento e com os órgãos de controle”, afirmou ela. “A cultura de um país é a sua alma, seu passado, seu presente, seu futuro e, assim como a família, é sólida. Quando a família cultiva seus valores, suas raízes, gera seus frutos, assim uma nação tem que nutrir e zelar pela cultura de seu povo. A cultura é um direito de todos. Uma ponte que nos leva à conquista de um sentimento de pertencimento, que pode se chamar também de felicidade”, emendou ela, sob calorosos aplausos. Fã-clubes da atriz de diversas partes do Brasil e até mesmo de Portugal acompanharam a posse.

A fala da atriz teve também um recado para Bolsonaro em tom de brincadeira: “O convite que me trouxe até aqui falava em porteira fechada, carta branca. Não vou esquecer, não, presidente. Foi inclusive com esses argumentos que eu me estimulei e trouxe para trabalhar comigo uma equipe apaixonada, experiente, louca para botar a mão na massa”, disse ela, que continua ainda tomando as decisões de quem fará parte de sua equipe, e até sofrendo alguns revezes por conta de vetos do Planalto.

No mesmo dia em que Regina aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir o cargo, a TV Globo, emissora na qual a atriz fez diversos papéis de sucesso, anunciou o encerramento do contrato que durou por mais de 50 anos. “Deixar a TV Globo é como deixar a casa paterna. Aqui recebi carinho, ensinamentos e tive a oportunidade de interpretar personagens extraordinárias, reveladoras do DNA da mulher brasileira. Por mais de 50 anos, sinto que pude viver, com a grande maioria do povo brasileiro, um caso de amor que, agora sei, é para sempre. E não existem palavras para expressar o tamanho da minha gratidão. Que Deus me ilumine para que eu possa agora, na Secretaria Especial de Cultura do governo Bolsonaro, honrar meus aprendizados em benefício das Artes e das Expressões Culturais da população do meu país”, declarou a estrela.

E foi para o Fantástico, revista eletrônica dominical da emissora onde por tantos anos trabalhou, que Regina concedeu sua primeira entrevista como integrante do governo federal. “As portas estão abertas para a classe artística. Queremos o diálogo com o setor cultural”, avisou ela durante conversa com o jornalista Ernesto Paglia (60). “Dá para fazer muita coisa com os recursos possíveis. Temos muitas pautas positivas. Estamos começando a trabalhar. Quero ter uma equipe na qual eu possa confiar”, ressaltou a paulista, natural de Franca. “Se precisar vamos passar o chapéu. A lei Rouanet precisa de alguns ajustes. Ela pode ser mais democratizada”, acredita a mãe de André Duarte Franco (50), sócio e consultor de Regina, do diretor João Gomez (39) e da atriz Gabriela Duarte (45), que mora em Nova York com o marido, o fotógrafo Jairo Goldfuss, e os filhos, Manuela (13) e Frederico (8). Durante a entrevista, Regina comentou que a transformação da Cultura em uma pasta do Ministério do Turismo não a incomoda. “Não preciso de ministério para fazer uma gestão rica, construtiva e colaborativa”, disparou.

Antes de aceitar o convite do presidente, a atriz estava ensaiando uma peça de teatro, que teve de ser engavetada, pelo menos por enquanto. “Não me vejo com tempo para os palcos. O Gil continuou a cantar. Quem sabe mais para frente?”, deixou em aberto Regina, citando o cantor baiano Gilberto Gil (77), ministro da Cultura no governo Lula de 2003 a 2008.

Último acesso: 10 Aug 2020 - 12:35:55 (345624).