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Betty Faria, um ícone da TV brasileira

Em casa, revive Tieta, viraliza na web e cuida do corpo e da mente

Bianca Portugal Publicado em 19/06/2020, às 12h00 - Atualizado às 15h50

Em casa, Rio, a atriz lê, assiste a filmes e brinca com a cadela Madalena enquanto sonha em poder ir à praia, um de seus grandes prazeres - Giulia Butler/@giuliabutler
Em casa, Rio, a atriz lê, assiste a filmes e brinca com a cadela Madalena enquanto sonha em poder ir à praia, um de seus grandes prazeres - Giulia Butler/@giuliabutler

Após 30 anos, um dos maiores sucessos da televisão brasileira, a novela Tieta, está de volta, disponível na plataforma de streaming Globoplay. Mesmo três décadas depois, a história se mantém atual, discutindo temas como os preconceitos de sexo ou de idade e a ecologia, assim como sua protagonista, a atriz Betty Faria (79), uma mulher que sempre chamou a atenção não apenas pelo talento, mas também pela força e por sempre falar o que pensa. Hoje, isolada em casa por conta da pandemia do novo coronavírus, Betty descobriu uma nova maneira de continuar expressando suas opiniões. Ativa nas redes sociais, ela publica memes usando sua própria imagem como a personagem de Jorge Amado (1912–2001), defende o fim do desmatamento da Amazônia, exprime sua posição política, faz lives e fala da importância do isolamento. “Quando tudo acabar, quero ir à praia, dar um mergulho e abraçar os amigos”, contou ela, uma eterna fã do sol. Enquanto isso, Betty mata saudade da novela — apesar de não gostar de rever seus trabalhos por ser muito autocrítica, Tieta lhe traz tantas recordações boas que ela tem assistido —, revê filmes de sua coleção de DVDs, mantém a leitura em dia... E, principalmente, conta com a companhia da neta Giulia Butler (17), estudante de Cinema e filha da atriz Alexandra Marzo (51), fruto do relacionamento de Betty com o ator Cláudio Marzo (1940–2015), que fotografou a avó em casa, no Rio.

– Tem recebido manifestações do público pelas redes sociais?

– Tieta é uma alegria! Alegria com sua volta e com as demonstrações do público. Acho muito carinhoso quando as pessoas me chamam de Tieta ainda hoje.

– Você sempre foi à frente do seu tempo. Como vê a luta das mulheres hoje? Sofreu machismo ou assédio?

– A luta das mulheres em se fazer respeitar está cada dia melhor. Claro que, na minha carreira, sofri assédio, machismo, mas sobrevivi valente e respeitosamente.

– É bastante ativa na internet. Você sempre procura se atualizar com as novas tecnologias?

– Tenho a intenção de me atualizar mais assim que terminar a quarentena, pois só sei mesmo o básico. (risos)

– Está chegando aos 80 anos, quais os prós e contras?

– Prefiro falar dos prós. Como, por exemplo, a liberdade em escolher para onde você quer ir, com o que trabalhar, com quem quer falar e o que fazer. Ou apenas não fazer nada. Enfim, hoje tenho mais liberdade interna e coerência com meus desejos e pensamentos.

– Tem medo de envelhecer?

– Já envelheci. (risos) Se tenho medo de morrer? Não, não tenho. Mas gostaria que esta hora fosse suave.

– A idade lhe trouxe algum grande empecilho? Como tem se cuidado?

– Sim, tenho artrite reumatoide, mas como tive a sorte de encontrar uma reumatologista que acertou comigo, mantenho sob controle.

– Como é a Betty Faria avó, mima demais os netos?

– Sou amorosa. Dou o meu melhor, mas não sou molenga, não. Também dou limites e, às vezes, sou bem rigorosa.

– Você é budista?

– Gosto muito da filosofia budista e há muitos anos pratico o budismo do Sutra do Lótus, tentando ser uma pessoa melhor. A revolução humana é diária. É causa e efeito, e é bem difícil pôr em prática todos os ensinamentos. Um desafio!

– Você sempre falou o que pensa. Tem arrependimentos? Fez muitas inimizades?

– Tenho muitos arrependimentos em ter falado coisas desnecessárias. Fiz causas negativas e claro que isso traz inimizades. Falta de sabedoria, burrice.

– Você tem vontade de se casar de novo?

– Isso é uma coisa que não passa pela minha cabeça, casar de novo...

– Já sofreu por amor?

– Claro que já sofri por amor. Términos de relações, às vezes, são bastante sofridos.

– Sua boa forma impressiona, mantém o mesmo manequim de quando era jovem?

– Agora, com a quarentena que vivemos, acho que mudei de manequim. (risos)

– Como mantém o corpo?

– Como fui bailarina, sempre faço algum tipo de exercício e tenho uma alimentação basicamente saudável.

– Fez cirurgias plásticas?

– Fiz um lifting há muitos anos, mas sempre tive pavor de ficar ‘esticadinha’ por causa da minha profissão.

– E quais os cuidados que toma com o rosto?

– Na verdade, meus cuidados não são exagerados. Pelo contrário, sou uma mulher de sol e praia. Minha dermatologista sofre comigo.

– É a favor da busca pela beleza ou acha que existe uma cobrança excessiva?

– Quem se cobra ficar bela ou não é a própria pessoa e de acordo com os seus padrões. Eu sou vaidosa, gosto de estar bonitinha, apesar do sol. Mas mantenho um padrão sem exagero ou sacrifícios.

– Você já posou nua duas vezes. Faria de novo?

– Quando posei nua, registrei um momento de beleza, idade. E foi! Coisa do passado.

– Tem redobrado os cuidados por conta da pandemia de Covid-19?

– Eu estou presa em casa como grupo de risco que sou.