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Receitas / Gourmet

Alex Atala celebra prêmio: ‘Os olhos da gastronomia estão virados para o Brasil’

Karen Lemos Publicado em 03/05/2012, às 15h42 - Atualizado em 07/06/2012, às 23h22

Alex Atala - Divulgação
Alex Atala - Divulgação

Dono do D.O.M., restaurante premiado como o quarto melhor do mundo no San Pelegrino World's 50 Best Restarurants, evento promovido pela revista inglesa de gastronomia Restaurant, o chef de cozinha Alex Atala (43) não pensou duas vezes ao ser questionado sobre o segredo de tanto sucesso. “Minha teimosia”, afirmou, entre risos, em entrevista à CARAS Online.

De fato, foi a teimosia e a perseverança desse paulista que ajudou a gastronomia brasileira a figurar entre rankings da culinária mundial, divulgado na última segunda-feira, 30. Desembarcando em São Paulo nesta quinta-feira, 3, às 6 horas da manhã – logo após ter recebido o prêmio em Londres – Alex celebrou o feito e enalteceu a riqueza da nossa cozinha. “O Brasil já tinha projeção na gastronomia mundial”, disse. “Eu não chegaria onde cheguei se o mundo não tivesse curiosidade de entender o que é a Amazônia e o que são esses ingredientes que vem dela”, ressaltou. “Isso só fez aumentar a minha teimosia de não abrir mão do meu país e de minhas crenças”.

Na lista dos cinquenta melhores do mundo – segundo a premiação – dois brasileiros, dois mexicanos e um peruano figuram o ranking. “Somos quase 10% nessa lista. Os olhos da gastronomia estão virados para a América Latina e para o Brasil. Agora é uma questão de competência e inteligência nossa de usar isso como benefício”, avaliou Alex. “Afinal, temos o maior potencial em matéria de ingredientes. Somos as crianças com mais brinquedos no quarto”, divertiu-se. 

Galinhada brasileira

No próximo sábado, 5, Alex Atala vai celebrar o novo título com a sua tradicional Galinhada – seu prato/especialidade ao custo de sessenta reais - em seu outro restaurante, o Dalva e Dito. O prato nasceu do gosto do chef pela cozinha brasileira; paixão que cresceu após suas viagens gastronômicas pela Europa.

“Eu fui trabalhar na Europa onde experimentei, pela primeira vez, caviar e trufa. O contato foi bem estranho, não achei maravilhoso. Achava mais legal coisas que experimentei durante a minha infância aqui no Brasil, como cupuaçu e graviola”, recordou. “Foi ali que eu entendi que não saberia fazer cozinha italiana ou francesa como alguém que nasceu naqueles países. E nesse momento eu me dei conta de que, talvez, ninguém poderia fazer comida brasileira melhor do que eu”.

Apesar do preço ‘salgado’ de um prato tipicamente brasileiro, Alex defende uma cozinha barata e justifica o valor de seu trabalho. “Eu sei fazer comida barata, mas eu tenho uma estrutura que custa caro e que é parte fundamental da minha cozinha”, explicou. “Isso não quer dizer que a alta cozinha precisar ser cara. Alta cozinha é colocar o ingrediente em seu melhor momento”, ponderou.

Alex ressaltou ainda que em algumas ocasiões, como a Virada Cultural, a galinhada é gratuita. “Faço isso para mostrar para as pessoas que elas devem ter atitude, no momento certo”, concluiu.