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Saia da bolha: conheça o fenômeno K-pop e a força do gênero musical no mundo

Entenda como o século XXI está sendo marcado por uma revolução musical sul-coreana

André Luiz Freitas e Bruno Cominatto Publicado terça 20 abril, 2021

Entenda como o século XXI está sendo marcado por uma revolução musical sul-coreana
BTS e BLACKPINK lideram 8 das 10 maiores estreias no YouTube desde sua criação! - Foto/Divulgação

Originário da Coreia do Sul, o gênero musical K-pop pode soar como novidade, mas vem ganhando seu espaço faz muitos anos. Você pode não ter tido contato, mas com certeza já deve ter ouvido alguma coisa do BTS, BLACKPINK, Twice, Monsta X e outros grupos que se tornaram uma verdadeira febre mundial.

O K-pop nasceu nos anos 90, quando as músicas eram apresentadas em shows de talento transmitidos na televisão. Naquela época, a tendência era unir vários gêneros musicais, cantando sobre amor em músicas “chiclete”. O maior exemplo foi o grupo Seo Taiji and The Boys, pioneiro do K-pop.

Apesar do tempo em produção, o estilo acabou se consolidando em grande parte apenas no oriente, tanto por preconceitos quanto por barreiras do idioma, uma vez que a língua coreana faz uso de um alfabeto próprio. O grande responsável por ultrapassar essas limitações foi PSY, com seu Gangnam Style, de 2012, que hoje conta com mais de 4 bilhões de visualizações no YouTube.

A faixa viralizou na internet e apresentou às novas gerações a indústria musical sul-coreana, impulsionando o fenômeno Korean Wave (Onda Coreana). Depois do cantor, diversos grupos de K-pop surgiram e conquistaram público internacional, como foi o caso de EXO e Girl’s Generation.

Uma pesquisa recente da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, que visava ranquear os gêneros musicais mais ouvidos no mundo, identificou o pop sul-coreano como o sétimo mais escutado, à frente do R&B e do Metal. Mais da metade desse público, segundo o Spotify, consiste em jovens entre 18 e 24 anos, sendo as mulheres grande maioria da audiência.

Na plataforma de streaming, o Brasil se destaca como o quinto país no mundo que mais ouve K-pop, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Indonésia, Filipinas e Japão — sim, os fãs brasileiros estão na frente dos fãs sul-coreanos. Para ilustrar o fenômeno aqui, é só relembrar da passagem do grupo BTS por São Paulo. Com um único show no Alianz Parque, os mais de 36 mil ingressos se esgotaram em apenas 1 hora e 15 minutos.

Em território brasileiro, os grandes destaques do K-pop são justamente os grupos mais populares ao redor do globo: o próprio BTS e sua legião de fãs, os ARMYs, e o BLACKPINK, apoiado pelos milhões de Blinks

BTS:

O septeto formado por RM, Suga, J-Hope, V, Jimin, Jin e Jungkook nasceu em 2013 com uma cara bem diferente da atual. Contratados por uma empresa prestes a falir, a estreia não foi tão fácil. Com bastante persistência e vários trabalhos de destaque, foi apenas em 2014, com o álbum Dark & Wild, que o sucesso alcançou notabilidade.

Após serem iluminados pelos holofotes, a escalada para o sucesso aconteceu numa crescente. Em 2015, com o hit I Need U, os Bangtan Boys (como também são conhecidos), ganharam seu primeiro grande prêmio televisivo na Coreia do Sul. Depois, lançaram Sweat, Blood and Tears, do álbum Wings (2016), que logo chamou a atenção internacional.

Em 2018, o grupo chegou a discursar na ONU para inspirar os jovens sobre amor-próprio. Tudo isso enquanto trabalhavam na trilogia Love Yourself: Speak Yourself, que trouxe DNA, um de seus maiores sucessos, com mais de 1,2 bilhão de visualizações atualmente.

Pouco tempo depois, com Fake Love, bateram o recorde de vídeo mais visto no YouTube em apenas 24 horas, somando 35,9 milhões de views, ultrapassando Look What You Made Me Do, de Taylor Swift, que detinha o título na época. Essa categoria no Guinness Book ficou bem concorrida entre os Bangtan Boys e as divas do BLACKPINK.

Recentemente, com Dynamite, primeira faixa inteiramente em inglês, os cantores conquistaram o recorde que pertencia a PSY, alcançando 32 semanas no top 100 da Billboard. Além disso, a canção, que rendeu a primeira indicação de artistas sul-coreanos ao Grammy, conquistou mais de 100 milhões de views em seu primeiro dia no YouTube.

BLACKPINK:

O BLACKPINK é o primeiro grupo de garotas em sete anos da YG Entertainment. O entusiasmo antes da estreia das meninas em agosto de 2016 havia chegado a um pico extremamente alto - assim como detalhado no documentário BLACKPINK: Light Up the Sky (Netflix). Havia muito a se trabalhar após a expectativa. De forma inovadora, era importante o grupo reviver o som pop-eletrônico ousado que tinham incorporado, além da imagem criada somente para elas.

As artistas se tornaram a maior aposta da produtora e vieram para ocupar o lugar deixado vago pelas 2NE1, até então a banda feminina de referência da editora e do público em geral no mercado K-pop. O quarteto feminino, formado por Jennie, Jisoo, Lisa e Rosé, virou um dos nomes favoritos da cena pop asiática e mundial.

É importante ressaltar que a YG Entertainment criou um quarteto promissor com artistas poliglotas, as quais falam coreano, chinês, japonês e inglês.

O sucesso mundial veio com Square Two, o segundo álbum que recebeu as músicas Playing With Fire e a romântica Stay, balada pop com folk. Após o lançamento, novos êxitos nos charts aconteceram e um novo 1º na respectiva tabela da Billboard. O ano não fechava sem uma série de troféus importantes ganhos nas cerimônias.

Em 2019, o BLACKPINK se tornando o primeiro grupo de sul-coreano a atingir 1 bilhão de visualizações com o clipe de DDU-DU DDU-DU. No mesmo ano, elas quebraram três recordes mundiais do Guinness com o single Kill This Love, que alcançou mais de 312 milhões de reproduções no Spotify e mais de 824 milhões de visualizações no YouTube. 

Ainda em 2019, as cantoras também realizaram a turnê de maior sucesso financeiro de um grupo feminino coreano. Além de se tornarem o primeiro grupo K-Pop a ser uma das atrações principais em festivais norte-americanos, como o tão sonhado Coachella.

Fusão de gravadoras e investimentos no mercado norte-americano:

O Estados Unidos segue sendo o maior alvo para empresários sul-coreanos. Após ingressar - com sucesso e alcance - no mercado norte-americano, Scooter Braun vendeu a totalidade de sua Ithaca Holdings – incluindo SB e Big Machine Label Group – para a HYBE, anteriormente conhecida como Big Hit Entertainment, gravadora responsável por gerenciar o BTS. Ou seja, artistas famosos como Ariana Grande, Justin Bieber, Demi Lovato, J Balvin e outros se tornaram membros da empresa da Coreia do Sul.

Como o K-pop está influenciando o cinema coreano:

Após o conhecimento mundial desses artistas, o impulso que o K-pop trouxe para indústria vem trazendo resultados afora, e com produções que muitas vezes se igualam às maiores produções de Hollywood, destacando o sucesso do terror Invasão Zumbi, o mercado cinematográfico coreano também se tornou destaque no mundo. O fato ficou ainda mais evidente quando, em 2020, o filme sul-coreano Parasita foi o maior vencedor na cerimônia do Oscar, levando 4 estatuetas para casa.

O estilo sul-coreano ganhando o street wear no mundo:

Derivado da ascensão do K-pop, outro ponto a se destacar é a difusão do “look coreano” em vários países. Além dos idols (nome dado aos artistas sul-coreanos) se tornarem garotos e garotas propaganda de marcas de luxo como Dior, Chanel, Valentino, eles são responsáveis pela consolidação de várias tendências.

Roupas sólidas com cores não muito chamativas são uma das opções mais recorrentes. Nesse modelo, se destacam suéteres e cardigans “soltinhos”, muitas vezes com mangas largas. Como o conforto é quem dita regra, o uso de tênis e jeans faz sucesso, tanto em calças e shortinhos quanto em saias.

Outra dica que sempre aparece no guarda-roupa sul-coreano são calças pantacourt e camisas, numa fusão entre vestimentas sociais e looks cotidianos que conseguem te deixar com um visual elegante e despojado.

Último acesso: 22 Jun 2021 - 04:35:23 (386298).

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