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"Era simples e bem-humorado", diz Flaney Gonzallez, autor do livro sobre Cristiano Araújo

Em 'Onze Mil Horas', o fotógrafo conta histórias de bastidores com o cantor

Kellen Rodrigues Publicado em 28/06/2016, às 14h52 - Atualizado às 14h59

Flaney Gonzallez - Divulgação
Flaney Gonzallez - Divulgação

Poucas pessoas conhecem tanto um artista como as que vão para a estrada com eles em turnês. São noites em claro em shows, dias longe da família, rotina intensa de divulgação... Mas o que se passa nos bastidores da turnê de um artista no auge? O fotógrafo Flaney Gonzallez viveu essa experiência ao lado de Cristiano Araújo.

Agora, um ano após a morte do cantor, ele resolveu contar em um livro o que viveu nos meses em que acompanhou o astro sertanejo Brasil afora e em sua passagem pelos Estados Unidos e Europa. Assim nasceu Onze Mil Horas, que, segundo ele, mostra um Cristiano "essencialmente simples e bem-humorado" e sem se deslumbrar com o sucesso. "Ele desdenhava a fama, embora levasse tanto à sério a carreira", conta Flaney.

A obra traz histórias e fotos inéditas feitas de março de 2014 até o último show de Cristiano, em junho de 2015.  "Foi prazeroso mexer nas lembranças, exceto no final, quando tive que reconstruir um dia que até então estava escondido em alguma fenda da memória", confessa. "Lembro que terminava o capítulo muita das vezes em lágrimas e com uma angústia que levava dias inteiros para sumir".

Confira o bate-papo com o autor!

- Como surgiu a ideia do livro?
Quando comecei a refazer todo o trajeto, meses depois, com artistas diferentes. Me deparar com os mesmos eventos, palcos e hotéis, era impossível não comentar e reviver algumas histórias que se passaram, e comecei a perceber que me alegrava poder compartilhá-las. Era notável o olhar de surpresa e admiração das pessoas a cada história.

- Foi difícil mexer nas lembranças?
Por ser um livro de vida, pautado em momentos engraçados e leves, foi prazeroso mexer nas lembranças, exceto no final, quando tive que reconstruir um dia que até então estava escondido em alguma fenda da memória. Por proteção também. Lembro que terminava o capítulo muita das vezes em lágrimas e com uma angústia que levava dias inteiros para sumir. Estamos falando de poucas páginas onde inevitavelmente precisaria contar o que eu passei naqueles dias.

- Tem alguma parte do livro que seja a sua preferida?
Eu adoro a parte que fala da nossa relação com textos e do quanto ele insistia em compor comigo. Nunca acreditei que fosse capaz de escrever músicas, mas ele insistia que por escrever bem eu aprenderia isso fácil. Essa parte mostra bem como nossa relação era baseada naquele tempo mais por admiração e respeito que por uma liberdade de fato. Me faz pensar o quanto seríamos amigos com o tempo, devido a construção do sentimento em etapas e descobertas.

- O que 'ninguém' sabe sobre o Cristiano que vamos descobrir com o livro?
Vão descobrir o quanto ele era essencialmente simples e bem humorado. O quanto desdenhava a fama, embora levasse tanto à sério a carreira. Todos os artistas tentam vender uma simplicidade e humildade que muitas vezes não existe atrás das câmeras, mas que no nosso caso era facilmente percebida nos momentos mais íntimos.

- Um ano após a morte dele, como está sua vida agora? 
Não parece que se passou um ano, e quando penso em tudo, parece que nada aconteceu. Exceto pela saudade que sinto dele, da Allana e de todos os amigos que essa turnê deixou. Estou na estrada, fazendo aproximadamente 20 shows por mês com a dupla Henrique e Juliano e dediquei os raríssimos momentos de folga a esse livro nos últimos cinco meses. Paralelo a isso desenvolvo projetos de vídeo e fotografia para outros artistas.