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Buchecha relembra dupla com Claudinho em novo CD e defende funk 'mais comportado'

Cantor lança CD 'Adesivo' com participação dos filhos e letras bem comportadas. Em período de 'ostentação' na música, ele defende o funk melody e elege os melhores do mercado

Kellen Rodrigues Publicado em 24/03/2014, às 15h19 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Buchecha - TV Globo
Buchecha - TV Globo

Dezoito anos se passaram desde que Buchecha estourou ao lado do amigo Claudinho com o hit Conquista, em 1996. De lá pra cá, viu sua vida e o funk mudarem no Brasil - ele foi dos shows em cima de caixas de cerveja a grandes palcos país afora, encarou a perda de Claudinho no auge da dupla e acompanhou os altos e baixos do gênero. “Jamais imaginei que pudessem arrecadar tanta grana fazendo funk”, confessa.

Agora, Buchecha preparou um ‘retorno às raízes’ em seu novo CD Adesivo. Segundo ele, o álbum que mais lembra seu trabalho como dupla. “Me põe de volta às origens do funk melody”, conta. O álbum se torna ainda mais especial para ele por dois convidados bem familiares: os filhos Clauci Julio, de 14 anos, e Giulie, de 10.

Em depoimentos à CARAS Digital o cantor avalia o funk ostentação, fala da família, da saudade de Claudinho e elege os melhores nomes da música funk atualmente. Confira!

Adesivo

Adesivo é uma música que eu fiz, conta a história de um casal que se gruda, ele quer marcar a vida dela e ela quer marcar a vida dele. O pessoal achou legal dar esse nome ao disco porque a gente também quer que a música se torne um chiclete no povo. Usamos adesivo para sair do clichê. Tem músicas românticas para quem é mais romântico e de pista para a galera que gosta mais de dançar. Esse disco me põe de volta às raízes, às origens do funk melody, da época que eu fazia dupla com o Claudinho, mas também é bem dançante, bem alegre. Eu estava há um tempo sem lançar disco novo, o último foi em 2006. Falei ‘poxa, tenho que vir com um disco diferente. O funk hoje está muito ostentação, do tamborzão. Quero fazer um funk sem tamborzão, diferenciado. Acho que consegui suprir essa falta que eu tinha. Está todo mundo falando que lembra mesmo Claudinho e Buchecha. É isso é o que eu queria. São 21 anos de carreira, modéstia à parte, anos bem sucedidos. É uma nostalgia boa, tem coisas que valem a pena sempre lembrar.

Filhos compuseram músicas para o pai

A participação dos meus filhos é a coisa mais prazerosa para mim nesse CD. Eu fico babando as crias. A música Pensamentos Voam meu filho fez para uma namoradinha dele do colégio, estava apaixonado. Quando ele começou a cantar eu adorei, chamei ele para participar e considero essa a princesinha do meu CD. A Giulie, minha filha, e ele, me ajudaram muito a compor todo esse disco. Eu viajava e deixava por fazer e eles terminavam para mim. Esse disco é mais deles do que meu, tem participação das pessoas que mais amo na vida.

'Queria que eles fossem médicos ou engenheiros'

Eles cresceram me ouvindo cantar, eu recebia visita de colegas de profissão, fazia luau. Eles cresceram com isso, era natural que eles viessem a aderir a música, é muito forte na minha família. Meu filho aprendeu a tocar violão vendo vídeos no Youtube, hoje ele tem professor. A Giulie é muito boa de melodia. Acho que música é uma coisa que você pode até aprender no colégio a parte teórica, mas desenvolver é muito de alma. E isso eles têm. Eu queria que ela fosse médica, queria que ele fosse engenheiro, mas acho que não vai ter jeito, eles querem música. Eu respeito o que eles quiserem ser, eu vou ser pai sempre, apoiar sempre para que eles sejam felizes. Eu acho que tudo tem seus empecilhos, faz parte em qualquer ramo, mas na música às vezes acontece muita decepção, se você não souber lidar... Por exemplo o Justin Bieber, é um menino super talento, garoto do bem, mas teve uma hora que o sucesso ficou muito maior que a capacidade dele de administrar isso. É complicado. Esse medo de pai existe em mim, queria que eles estudassem outras coisas.

Por um funk mais 'comportadinho'

Jamais imaginei que pudessem arrecadar tanta grana fazendo funk. Já peguei funk em momentos baixíssimos, em fazer show em cima de uma caixa de cerveja, não imaginei que o funk pudesse estar em grandes palcos. Isso pra mim é um orgulho, uma honra saber que a gente ajudou a construir a história do funk. Tem muita gente que torce o nariz, mas está bem aceito. O funk melody tem mais aceitação no mercado. É um funk mais comportadinho, mais agradável aos ouvidos. Hoje em dia tem muita gente boa no mercado. O Guimê tem tem umas músicas ‘da hora’, gosto da Anitta, Ludmila, Naldo, Coringa, Sapão, MC Bola... tem muita gente boa.

Doze anos sem Claudinho

No lado profissional está bem sanado, sinto muita saudade dele como amigo. É muito difícil você perder uma pessoa que era teu espelho, que vislumbrou essa coisa de formar dupla, ele foi o grande responsável. Durante um grande período eu ficava pensando se conseguiria dar conta da carreira. Olhava para o lado e estava vazio e isso mexia muito comigo. Essa parte já foi sanada. Agora a parte da saudade não tem jeito, o lado pessoal vai estar sempre ali, lembrando das situações que a gente viveu junto.

Ouça Pensamentos Voam: