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Banda Yahoo lança álbum de 25 anos de carreira com 'visão mais madura do amor'

Sucesso nas décadas de 80 e 90, Yahoo lança primeiro álbum de inéditas desde a parada da banda em 1998. Em entrevista à CARAS Online, o vocalista Zé Henrique fala sobre os motivos do fim e do retorno da banda e avalia o mercado musical: 'Falta renovação'

Kellen Rodrigues Publicado em 04/10/2013, às 11h57 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Banda Yahoo - Divulgação
Banda Yahoo - Divulgação

Uma das bandas de maior sucesso no Brasil nas décadas 80 e 90, Yahoo está de volta com um álbum em comemoração aos 25 anos de carreira. O retorno acompanha a mudança no cenário fonográfico – o disco foi lançado no iTunes e está à venda somente na internet – e também o amadurecimento da banda.

“A gente já não fazia um disco de inéditas há muito tempo, ficamos quase dez anos parados”, diz o vocalista Zé Henrique à CARAS Online. Desde 1998, quando a banda parou, foram três álbuns: Versões (2006), Yahoo 20 anos – Ao Vivo (2008) e Yahoo Flashnight – Ao Vivo (2012), todos com regravações. “Resolvemos fazer um CD com o que a gente tem vontade, sem pressão de gravadora. Não me preocupei com rádio, não me preocupei com nada, só em falar do que eu queria falar”, continua o músico, autor das 11 músicas do novo disco. "Não estou mais preocupado com vendas. Vender disco não significava dinheiro, não".

Foram dois meses de ensaio até a gravação feita no próprio estúdio Yahoo. No repertório, o bom e velho rock and roll de sempre, mas com letras mais profundas. “É um disco de rock com temáticas românticas, a gente não abandonou isso. Não fala de política, de revolta nem nada disso, a gente fala de amor. Uma visão mais madura do amor, mais compatível com a idade que a gente tem”, conta Zé, hoje com 53 anos.

A parada

Desde sua formação em 1988, Yahoo embalou tramas de grande sucesso na Globo, como as novelas Bebê a Bordo, O Salvador da Pátria e Sexo dos Anjos - agora eles estão na trilha de Sangue Bom com o hit Mordida de Amor. A rotina agitada de shows e compromissos profissionais, no entanto, fez a banda perder o fôlego e voltar suas atenções ao estúdio de gravação (que lançou artistas como LS Jack, Tânia Mara e Felipe Dylon). Em 1998, o Yahoo se desmanchou. “Foram dez anos direto sem parar (desde 1988), daí você começa a olhar álbuns de família e você não está em nenhuma foto. Minha filha (Bárbara) nasceu e morreu quatro anos depois e pouco convivi com ela”, explica. “O melhor era ficar produzindo e compondo porque ganhava-se mais com isso e podia estar em casa dormindo”, continua.

“Depois a indústria do disco foi sucumbindo, o faturamento como compositor e como produtor começa a ficar mais difícil... aí se torna novamente interessante ir para a estrada tocar”, avalia. Mas Zé Henrique diz que esse não foi o motivo pela qual a banda foi retomada. “Foi porque realmente a vida no estúdio é muito bacana, você constrói o sucesso de muitos artistas, mas é uma vida solitária. Você não tem o retorno imediato que o público te dá no show, é uma coisa gostosa, necessária. O que você escreve é pra você cantar, é sob medida”.

Formada atualmente por Zé Henrique e Marcelão (os dois da formação original) e Rodrigo Novaes e Ricardo Aspira, que entraram para o Yahoo em 2010, a banda planeja turnê em 2014 por vários estados brasileiros. “Claro que não quero mais ter aquela vida de quando comecei, de segunda a segunda, 20 shows, divulgação. Hoje a gente pode escolher mais sem a preocupação excessiva que todo ser humano tem de viver disso. A gente pode colocar o amor à arte meio que na frente de outras coisas, isso dá pra gente essa liberdade de poder fazer as canções da maneira que a gente quer”.

‘Não existe renovação’

Para o líder da banda, a volta tem atraído não apenas os fãs que o acompanham há duas décadas e meia, mas uma nova geração. “O público novo também está vindo porque no trabalho pop não tem renovação. Eu lancei o LS Jack e vejo com muita tristeza que depois dele não apareceu absolutamente nada. Você vê pelo line-up dos festivais. É sempre as mesmas bandas, não existe renovação”, lamenta.

“Cadê o cara jovem para o lugar desses caras? Um dos melhores shows do Rock in Rio foi o Justin Timberlake porque foi voltado para a música, nada de pirotecnia. Hoje em dia as letras só falam em beber até cair, 'trepar' até morrer. Isso é reflexo de toda situação social do país. Tem uma luz no fim do túnel que é o Luan Santana”, acredita.

Veja o lyric vídeo da música 'Dois Loucos' do álbum Yahoo 25: