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Julia Lemmertz, 50 anos, admite: "Envelhecer é mais cruel com as mulheres"

Na Ilha de CARAS, a Helena de Em Família fala de sua primeira protagonista das 9, da paixão pelo marido Alexandre Borges e sobre envelhecer

CARAS Publicado em 11/03/2014, às 16h27 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

O universo íntimo Julia Lemmertz - Martin Gurfein / Produção: Christina Boller / Assist. Prod. Juliana França / Agrade Cimentos : Cantão
O universo íntimo Julia Lemmertz - Martin Gurfein / Produção: Christina Boller / Assist. Prod. Juliana França / Agrade Cimentos : Cantão

A conversa com Julia Lemmertz (50) na Ilha de CARAS é olho no olho, sem rodeios. Usando palavras firmes, mas com seu característico jeito doce e generoso, ela fala sobre o ônus e o bônus da idade, ri ao lembrar momentos marcantes das três décadas de carreira, aponta as características que contribuíram para o sucesso do longo casamento com Alexandre Borges (47) e define com autenticidade sentimentos tão subjetivos como o amor. “Antes de tudo, ele é imprevisível e mutável. Quando acontece com um casal, amor vem junto com identificação e tesão. Depois, entra o companheirismo... No fim das contas, o que faz as pessoas permanecerem juntas é ter passado por todas essas fases, amadurecendo um sentimento que foi construído sobre bases sólidas. É meu caso com o Alê”, explica a atriz. “Nós dois já passamos por tantas coisas. As situações mais lindas e momentos complicados, claro. São 21 anos e seria estranho se não tivéssemos passado por esses momentos. Faz parte de toda história de amor que se preze. O que nos une, sobretudo, é a profundidade do nosso sentimento e a vontade de ficar junto”,  avalia.

A precisão das palavras, no entanto, não é a mesma quando o assunto é Helena, sua personagem na trama do horário nobre, Em Família. O motivo: ela encerra  uma trajetória de nove heroínas escritas por Manoel Carlos (80). O que mexe ainda mais com Julia é que a primeira Helena foi interpretada justamente por sua mãe, Lilian Lemmertz (1937–1986), em 1981, na novela Baila Comigo. “Isso tudo que está acontecendo é muito mais profundo e forte, não tenho como traduzir em palavras”, justifica,  emocionada. “Como o convite foi feito há quase dois anos, venho esse tempo todo refletindo sobre como esta oportunidade é única. Não é só uma novela do Maneco e uma personagem incrível, o que já seria grandioso. É sua última novela, uma homenagem a todas as Helenas, essas mulheres fortes, bacanas, erradas, frágeis, contraditórias. E, para coroar, tudo vem com mais um monte de sentimentos fortes ‘pra caramba’ no pacote. Olha que loucura: de certa forma, a minha história pessoal se misturou com a profissonal. A gente não vê a Julia fazendo uma homenagem para a Lilian na novela, mas isso está ali o tempo todo de maneira subliminar. Os dois mundos cruzados. E é lindo. Nossa, é lindo mesmo!”, orgulha-se.

– Você lembra-se mais de sua mãe devido à novela?
– As saudades são permanentes, mas esse trabalho em especial me leva a recordar ainda mais dela. Já vi e revi vários trechos de Baila Comigo. As palavras e os sentimentos têm muita força. Como fico pensando, chamando, sinto como se ela estivesse aqui e ela está. Mesmo que seja na lembrança, em pensar o quanto ela se dedicou e teve prazer em fazer sua Helena, o quanto essa história ainda é viva na memória do Maneco. Agora eu e ele estamos construindo uma nova parceria a partir do que começou com minha mãe. As coisas estão todas ligadas.

– Pensa em como seria diferente se ela estivesse aqui?
– Ela já se foi há quase 30 anos, mas é claro que tudo me leva a resgatá-la. Para quem a viu atuando, é bastante impactante me ver também, muita gente me chama de Lilian mesmo depois de tanto tempo... Tenho orgulho enorme da saudade, do carinho, respeito e admiração com que todos falam dela. É uma mulher que realmente faz falta. Ela morreu quase na minha idade e hoje vejo como era mesmo jovem. Estou no auge da metade da vida. É uma fase consolidada da profissão, estou criando meus filhos, um dia, talvez não tão distante, terei netos. E, ao mesmo tempo, ainda estou jovem, cheia de pique, energia e  vontade de viver e trabalhar. É um momento em que podemos aproveitar o corpo ainda jovem e a mente mais sábia.

– A Helena, sua grande protagonista, chegou no seu melhor momento, então?
– Helena chegou em uma hora muito boa, mas lembro com carinho e até graça de outras fases. Revi, por exemplo, umas cenas com o Gabriel Braga Nunes (o Laerte de Em Família) em O Beijo do Vampiro. Fazíamos um par romântico e éramos uns pústulas, ‘de quinta’ mesmo! Também dou risada de matérias sobre mim quando comecei a carreira, nos anos 1980, que não foram bons para ninguém do ponto de vista
da moda!

– Como lida com essa passagem do tempo?
– Envelhecer é mais cruel com as mulheres. Veja o Alê, tão bonito grisalho! Mas não tem outro jeito. A outra opção seria bem pior, morrer. A vida está em movimento e isso é maravilhoso. Vivo o aqui e o agora, sem me preocupar demais com isso, e me sinto bem com a minha idade. Na televisão todo mundo  acompanha de perto o nosso envelhecimento e isso gera uma pressão sobre muitos artistas, mas não em
mim. Eu quero envelhecer bem e fazer papéis maravilhosos de mulheres mais maduras, a televisão precisa disso. E, na verdade, essa coisa de idade é uma grande besteira. O ator não tem idade. Veja a Natália do Vale (de 61 anos) fazendo a minha mãe.

– Mas isso vem causando polêmica, muita gente questiona as diferenças de idade do elenco da novela, como essa entre você e a Natália do Vale...
– No teatro eu poderia fazer uma criança ou uma senhorinha que não haveria estranhamento. Não há motivos para não ser assim na televisão, onde também  estamos brincando de ser alguém. Repito: o ator não tem idade.

– Que cuidados tem com o corpo e a alimentação?
– Em relação à aparência, o alarme do meu limite apita muito rápido. Nunca fiz plástica. Meu rosto é meu cartaz. Eu sou muito europeia nesse sentido. Ou seja, respeito a idade que tenho e não quero parecer ter outra. Agora, acho importante se cuidar, manter uma pele bonita e ser saudável. Depois de certo tempo, a gente tem de ir mudando os nossos hábitos. Você é o que você come e hoje em dia sou bem ‘natureba’. Dos 15 aos 40 parei de comer carne, mas depois percebi que meu organismo sentia falta e voltei. Sou gaúcha! Mas prefiro comer soja e peixe. Também procuro me exercitar, já experimentei muita coisa, até karatê. Atualmente estou fazendo pilates e alongamento, atividades que funcionam muito bem para mim,
preciso correr mais atrás da definição, deixar ‘durinho’, porque já sou magra por natureza.

– Como é sua vida com Alexandre e os dois filhos?
– Feliz, serena, equilibrada. O mais difícil em uma relação é abrir mão e hoje percebo que as pessoas não têm paciência e desistem no primeiro desentendimento. Eu e Alê temos um amor firme, uma identificação e uma vontade de ficar junto muito grandes e sabemos respeitar os momentos solitários um do outro. Também confesso que ele é mais paciente que eu... (risos) Me vejo velhinha viajando com ele por aí, mas  em aposentadoria, queremos trabalhar para sempre! Meus dois filhos são maravilhosos, mas estão em fases diferentes. Luiza (da união com Álvaro Osório) está com 25 e é atriz. Conversamos muito sobre a pressão que pode existir por vir de uma família de atores e ela está percorrendo um caminho muito tranquilo. E Miguel, com o Alexandre, está com 13, é inteligente, carinhoso, parceiro, mas preguiçoso. Fico no pé! Ele diz que quer ser músico.