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Mario Testino confessa: "Pensava em me tornar padre"

O fotógrafo de moda peruano fala sobre a educação religiosa que teve e o modo como vive e fotografa hoje

CARAS DIGITAL Publicado em 12/09/2014, às 14h16 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Mario Testino - Getty Images
Mario Testino - Getty Images

O fotógrafo Mario Testino fala para a revista The Talks sobre a ousadia de seu trabalho na moda e sobre seu desejo antigo de se tornar padre.

Quais fotos suas chegaram mais perto de serem perfeitas?
Para mim a perfeição é: quão perto você pode chegar ao que o projetista, o modelo, ou a revista que você está trabalhando está tentando transmitir. Nas minhas relações com marcas como Gucci, Burberry, Versace, por exemplo, tento trazer a mulher que os designers querem. Mas sou tão crítico com o meu trabalho que eu nunca o vejo das formas que as pessoas vêem. É difícil ser seu próprio juiz.

Você nasceu em Lima, Peru, e teve uma educação muito católica onde o sexo era um tabu. Como isso afetou sua vida mais tarde?
Essa educação pode ser a razão por que sou tão obcecado com isso hoje, porque o sexo é uma parte essencial de minhas fotos. Quando jovem, pensava em me tornar padre, mas as pessoas me diziam: “Você ama muito a vida, faça outra coisa! Que pena que eu sou um pecador hoje! (risos)

Os elementos sexy que são muito comuns nas suas imagem alguma vez entraram em conflito com a sua mãe conservadora de 90 anos?
Ela aceita as pessoas pelo que elas são e consegue se adaptar facilmente. E aprendi que esse é o segredo de tudo, não? O quão preparado você está para deixar os outros serem o que eles querem ser e permitir que você seja você mesmo. Mas é egoísta também: "se eu deixar você ser você, então você me deixa ser eu". Mas talvez isso seja o que temos em comum: esta liberdade que criamos para assegurar as nossas liberdades.

Quão diferente é o jovem Mario Testino da pessoa que você é hoje?
Talvez tenha me tornado mais consciente das minhas possibilidades. É tão engraçado porque, ultimamente, estou percebendo que você pode ter quase tudo que quiser. O jeito que sou e o jeito que penso são exatamente os mesmos.

Entao, que tipo de pessoa você foi quando crescia?
Eu era um mix. Era extremamente responsável na escola - eu era o primeiro ou o segundo na minha classe - e, ao mesmo tempo, era muito curioso e bastante livre. Era mais livre do que a maioria das pessoas que me cercavam, que foram muito limitadas pela sociedade, pela educação, pelas suas famílias, pelos seus amigos. Notei no Peru que cada decisão que você toma é julgado por tantas pessoas diferentes que realmente precisa ter coragem para ser você mesmo. E eu me vestia de forma diferente, eu viajava. Essa foi a minha maneira de me expressar. Eu tinha esta necessidade. Não poderia controlá-la. Eu só era daquele jeito. Não podia mudar, era mais forte que eu.

Leia a entrevista na íntegra, aqui.