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Da jovem Babalu à delegada Helô: entenda a influência das novelas na moda brasileira

Você é influenciado pelas telinhas? Relembre algumas personagens que deixaram sua marca na TV e no guarda-roupa do povo brasileiro

Emilly Nascimento Publicado quinta 1 abril, 2021

Você é influenciado pelas telinhas? Relembre algumas personagens que deixaram sua marca na TV e no guarda-roupa do povo brasileiro
A influência das novelas na moda brasileira - Divulgação/TV Globo

Você já viu algo na TV e saiu correndo para comprar depois? Bom, isso é mais comum do que parece. As novelas fazem parte do cotidiano do povo brasileiro e mesmo com a ascensão da internet e de streamings como Netflix e Amazon Prime, grande parte da população ainda se senta no sofá à noite e acompanha de pertinho o desenrolar da história de muitos personagens. Essa proximidade faz com que as pessoas se identifiquem e enxerguem a vida desses seres fictícios como uma referência, seja na personalidade ou no modo de se vestir. 
 
A professora de Jornalismo, Publicidade e Mercado da Moda, Valéria Martins, nos explicou o porque isso acontece: “Frequentemente, as pessoas veem nas novelas algo que sonham em viver. Sabe aqueles desejos que ficam guardados? Então, algumas pessoas se libertam disso quando veem personagens usando, por exemplo, um look que não teriam coragem de usar em situações do cotidiano. Além disso, há também a ideia de que se a personagem, que é símbolo de sucesso na novela, usa tal item, eu também posso usar para ter essa sensação de sucesso. Tudo é inspiração. É como se por meio de um look eu pudesse viver um sonho, me sentir melhor, me sentir mais bonita. Há um tipo de projeção”, declarou. 

(Foto: Divulgação/TV Globo)
 
Valéria ainda nos deu alguns exemplos de como isso geralmente acontece: “Há anos o que aparece nas novelas acaba, muitas vezes, sendo vendido nas lojas, nos grandes centros de compra popular nas capitais. Quando eu era pequena, assisti à novela Roque Santeiro, um sucesso de Dias Gomes, em 1985. Roupas com cores fortes e maquiagens mais fortes ainda foram para as ruas. Os exemplos, aliás, são inúmeros. Anos mais tarde, tivemos O Clone, de Glória Perez, em 2001. A protagonista, vivida por Giovanna Antonelli, aparecia com um acessório em uma semana. Na semana seguinte, todos os camelôs da Rua 25 de março, aqui em São Paulo, já estavam vendendo a peça. Depois a mesma Giovanna viveu uma delegada em Salve Jorge, de 2013, e novamente a personagem ditava moda. Nesse caso, até as capinhas de celular que apareciam em cena viravam febre. Recentemente, em A Dona do Pedaço, a influenciadora digital Vivi Guedes, interpretada por Paolla Oliveira, além de ter seus looks copiados, representou uma influência tão forte que a personagem virou garota propaganda de uma marca de cosméticos”, relembrou. 

(Foto: Divulgação/TV Globo)
 
Antonelli, que lançou muitas tendências ao longo de sua carreira como atriz, falou com exclusividade para CARAS Digital sobre a sensação de ser uma inspiração nesse quesito: “Sinto muita alegria, orgulho, de ver que através de um personagem podemos acessar tanta gente, tantas histórias, e promover mudanças na vida das pessoas”, afirmou. A artista revelou quais tendências mais a impactaram: “Das que fiz, tem os esmaltes, acessórios, roupas, cintos, animal print, maquiagens…”, destacou e prosseguiu relembrando suas referências de quando era mais nova: “Lembro da Viúva Porcina (Roque Santeiro, 1985) na infância... Foi bem marcante na época. Era muito divertido. A Babalu da Leticia Spiller (Quatro por Quatro, 1994), também lançou tendência, era bom demais aquele personagem”, completou. 
 

(Foto: Divulgação/TV Globo)

Por fim, a musa nos contou se já teve o seu próprio estilo influenciado por algum personagem: “Sabe que não, amo dar ideias e ajudar a criar os looks para personagens, mas na vida pessoal não funciono muito bem. E as minhas personagens têm tanta personalidade, que geralmente são completamente diferentes da Giovanna”, concluiu. 

(Foto: Divulgação/TV Globo)
 
A figurinista da TV Globo, Gogoia Sampaio, nos deu detalhes de como funciona a escolha dos figurinos que, muitas vezes, saem das telinhas e vão direto para as vitrines: “Depende do perfil do personagem, em que situação a cena está, época do ano, época em que se passa a trama. Por exemplo: se o personagem é rico, mora em um lugar frio, a história se passa no séc XVIII e naquela cena ele está indo a um enterro. Esses fatores mudam tudo”, declarou e acrescentou: “Em relação às tendências em um projeto atual, olhamos sempre o que está nas vitrines. Dependendo do perfil do personagem, ele acaba sim, lançando a moda”, destacou. 
 
Essa influência da TV no cotidiano das pessoas tem o seu lado positivo e negativo, como reflete Valéria: “Será que essa cópia de estilos, ou inspiração (como quiser chamar) não é superficial demais? Muitas vezes, percebo que se trata apenas de estímulo ao consumo. Nesse sentido, não seria legal personagens de novela falarem de brechós? De upcycling (reutilização)? Seria tudo de bom! Mas, infelizmente, não é isso que vemos. Há um caso aqui e outro lá”, explicou. 
 
E prosseguiu, destacando que também há um lado bom: “Em A Força do Querer, que acabou de ser reprisada, agora em 2021, vimos personagens mostrarem que moda é expressão. Foi maravilhoso! A atriz Carol Duarte viveu na ficção um homem transgênero que buscava resgatar sua identidade. Foram para a tela várias cenas em que Ivan falava da necessidade de respeitarem a roupa que ele queria usar. Cheguei a chorar em alguns trechos da narrativa. Na mesma trama, o ator Silvero Pereira interpretou a travesti Elis e arrasou. Elis mostrava às pessoas que a moda deveria servir para nos fazer bem. Deveria ser divertida. Esses dois últimos casos trazem ao espectador uma temática que envolve o universo da moda, mas que envolve mais a alma das pessoas. Foi lindo. Queria ver mais isso. Moda e autoestima”, completou. 

(Foto: Divulgação/TV Globo)
 

Último acesso: 19 Apr 2021 - 09:55:07 (384000).

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