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LUCÉLIA SANTOS PERTO DE REALIZAR O SEU SONHO DE 10 MILHÕES DE REAIS

NA ILHA DE CARAS, ELA FALA DA LUTA PARA RODAR DESTINO, PRIMEIRA PARCERIA NO CINEMA ENTRE CHINA E BRASIL, E DA VONTADE DE AMAR

Publicado terça 4 março, 2008

NA ILHA DE CARAS, ELA FALA DA LUTA PARA RODAR DESTINO, PRIMEIRA PARCERIA NO CINEMA ENTRE CHINA E BRASIL, E DA VONTADE DE AMAR
Lucélia reúne a equipe do projeto Destino no Living Chinês da Ilha: as atrizes Lian e Elisa (em pé), os atores Debora, Thomas, Chao e Renion, e o diretor Moacyr Góes -
Não uma atriz, mas uma força da natureza. A definição do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) para Lucélia Santos (50) pode parecer, à primeira vista, paradoxal. Afinal, ela, que, além de Nelson, conquistou outros fãs famosos, como o ex-líder cubano Fidel Castro (81), é doce, tipo mignon - tem 1m57 e 49 kg -, budista, medita, pratica yoga há sete anos e adora vestir-se de branco. A tranqüilidade zen, a atriz também carrega no coração há cerca de seis anos. Apesar de quieta, garante querer se apaixonar logo. Mas, com 35 anos de profissão, Lucélia é, sim, uma forte guerreira. A luta atual é finalizar um sonho de dez anos: a megaprodução de 10 milhões de reais Destino, primeira parceria de cinema entre Brasil e China, país que nos anos 1980 assistiu à novela Escrava Isaura (1976), emocionou- se com o drama da heroína interpretada aos 18 anos pela atriz e até hoje a idolatra. Na Ilha de CARAS, Lucélia apresentou parte da equipe do projeto de dois longas - Destino parte 1 e 2 - e minissérie para a TV com quatro capítulos: os atores Debora Olivieri (50), Chao Chen (33), Thomas Li (27), Elisa Jung (24), Lian Tai (25), Renion Tun Jen (33), filhos de chineses residentes no Brasil, e o diretor Moacyr Góes (46). Além de atuar na história de amor, que começou a ser filmada ano passado nos dois países, Lucélia corre atrás de 2 ,5 milhões de reais que faltam para viabilizar a produção. "Queremos aproveitar a efervescência das Olimpíadas em Pequim, em agosto, para fazer première dos filmes em julho lá", conta a atriz, que não fica parada um minuto. "Com toda essa energia, eu deveria medir 1m90. Tenho muito fogo (risos)". - Você vem se dedicando totalmente ao projeto Destino. Há tempo para o amor? - Na verdade, falta tempo para namorar. Não tenho nem tempo de olhar para homem (risos). Tive que me embrenhar no projeto com vontade para que saísse e não fiz outra coisa na vida nos últimos anos senão trabalhar de 16 a 18 horas por dia. E ainda viajo o mundo para captar recursos. Claro que isso também foi uma forma de não pensar muito em relacionamentos. - Quantos casamentos? - Na verdade, foram quatro relacionamentos importantes. Primeiro, o Johnny (o maestro John Neschling), pai de Pedrinho (o ator Pedro Neschling), com quem fui casada 12 anos. Depois da separação, namorei o Raul Gazolla quando fazíamos a peça Pluft, O Musical (1987). Com ele, foi um casamento, sem morarmos juntos, de três anos. Tive ainda um relacionamento de quase três anos com o Antônio Grassi e depois me casei com o Davi Akkerman (engenheiro). Este último foi um casamento com fotografia e tudo (risos). Me separei depois de quase três anos porque não deu certo. - Desde então está sozinha? - Estou separada há cinco, seis anos e não me apaixonei mais. Agora, quero muito. Mas, sabe o que aconteceu? Fiquei muito machucada com o fim do casamento e mudei completamente. - Por quê? - Me desestruturei. Mas foi a melhor coisa que me aconteceu, porque mudei muito, me fortaleci de uma maneira incrível. E me encontrei no budismo. Virei uma praticante disciplinada. Antes, era só simpatizante. Quando você traz para sua vida prática os ensinamentos budistas, não há mais terapia, não há mais nada que importe. Agora, eu abençôo profundamente o fim desse casamento. - Um dos ensinamentos é o desapego, não? - Desapego total, não-julgamento, reflexão sobre a impermanência. Tudo termina. Se pensar nisso, você entra em uma relacão de forma diferente. Com o Davi e os outros buscava a infinitude, achava que fosse durar para sempre. Balela! Se não fizer esse castelo, ele não desmorona. Mas é difícil se apaixonar e manter o desapego (risos). - Você é fiel? - Não sei responder, porque não entendo o conceito de fidelidade. Acho que, às vezes, você não deixa de ser fiel porque fica com alguém. Isso é interpretação. Mas, no conceito clássico, sim, sou fiel. - Teria relacionamento aberto? - Não, sou muito conservadora emocionalmente. Sou aquela mulher bem feminina no sentido de não separar sexo de amor. - É vaidosa? Já fez plástica? - Sou muito vaidosa. Gosto de cuidar do corpo, já corri meia maratona, São Silvestre, mas agora só pratico yoga. Plástica, não fiz. Só botei um pouquinho de botox, mas é perigoso. Quando você olha no espelho, tudo é lindo, porque está paradinha, mas, quando começa a falar, a cara não mexe (risos). - É verdade que foi o próprio Nelson Rodrigues que a indicou para fazer no cinema a peça dele Bonitinha Mas Ordinária? - Não sei, pode ser. Ele me adorava desde Escrava Isaura. Quando eu rodava Bonitinha, me ligava todos os dias para falar horas. Queria saber detalhes da filmagem, o que eu havia sentido nas cenas. Cansada, dizia: "Ah, seu Nelson, liga para o Braz (Braz Chediak, diretor)". Sempre o chamei respeitosamente de 'seu' Nelson. Ele é um mito!

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