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EVA TODOR: A PAIXÃO PELA ARTE MANTÉM A FÉ NA VIDA

ATRIZ FESTEJA NA ILHA DE CARAS SETE DÉCADAS DE CARREIRA E O LANÇAMENTO DE SUA BIOGRAFIA

Redação Publicado em 29/03/2007, às 17h00

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Bem-humorada, Eva Todor, a Branquinha da série Amazônia, é categórica: aos 84 anos, não pensa em aposentadoria
Bem-humorada, Eva Todor, a Branquinha da série Amazônia, é categórica: aos 84 anos, não pensa em aposentadoria
por Luciana Marques Aos 84 anos de idade e 70 de carreira, a atriz húngara Eva Todor - que desde os 6 anos vive no Brasil- não quer saber de aposentadoria tão cedo. "Não sinto falta de nada maior, a não ser do meu trabalho", afirma a Branquinha da minissérie Amazônia. Falante e bem-humorada, a veterana atriz mostra uma incrível disposição para a vida em visita à Ilha de CARAS. "Não gosto de ficar parada", diz ela, que acumula no currículo cerca de 35 atuações só em televisão, entre novelas, minisséries e seriados. E, se o fôlego já não é o mesmo do início da carreira, a paixão se mantém intacta. O afinco com que se dedica a um personagem é o mesmo de sua estréia no palco, na década de 1930, no espetáculo Quanto Vale Uma Mulher, no Teatro Recreio, Rio; ou de quando recebeu, em 1969, o prêmio máximo do teatro nacional, o Molière, pela peça De Olho na Amélia. "Comecei a atuar com 14 anos. É só o que sei fazer", explica Eva, que neste ano lança sua biografia, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. "Lamento que muitas vezes as pessoas não tenham memória, não lembrem da gente. Mas, se tiverem paciência para ler o livro, que será enorme, saberão de muitas coisas. Histórias não faltam", diverte-se. Viúva por duas vezes, sem filhos, Eva não reclama de solidão. "Tenho meu trabalho, amigos e bons empregados", enumera ela, que desde a morte do segundo marido, o empresário Paulo Nolding - com quem viveu por cerca de 25 anos-, em 1989, não quis mais saber de um novo amor. Antes da união com Paulo, Eva foi casada durante 28 anos com o diretor teatral Luiz Iglesias, que faleceu em 1963. - Foi feliz em seus casamentos? - Muito. Mas os dois fizeram uma grande sujeira comigo: morreram. Isso não é coisa que se faça com uma pessoa a quem declaravamamor. Me deixaram sozinha. Mas fui feliz e apaixonada pelos dois. Depois não tive mais ninguém, nem vontade de namorar. Quando me perguntam se quero casar, digo não, tenho labirintite (risos). - Não sente falta de ter alguém? - Não procurei, nem achei. Sempre me ocupei com o trabalho. Quando fiquei viúva pela segunda vez, pensei: 'Agora, sim, estou sozinha no mundo. Sem filhos, nem parentes'. Mas o Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho), na época na direção da Globo, me disse para nunca mais repetir isso, porque daquele dia em diante eu teria uma família, que é a Rede Globo. E ele me tornou funcionária. - Não ter filhos foi uma opção? - Sinceramente, não tive tempo.Nasci na Hungria, falava mal português e meu segundo marido contratou professores para que eu pudesse terminar os estudos. Também comecei a trabalhar cedo. Não me arrependo de não ter sido mãe. - O peso da idade assusta? - Já pensou se eu tivesse medo? Me enfiaria debaixo de uma mesa. Estou mesmo velha e a única maneiraé confessar a idade. A cabeça, por enquanto, está funcionando bem, até quando não sei (risos). Outro dia fiquei danada da vida porque publicaram que eu estava fazendo 88 anos. Só aumentam! - Você é vaidosa? - Não sou muito cuidadosa comigo. Tenho labirintite e um problema na coluna, por isso não posso fazer exercícios. A única coisa que faço sempre é lavar o rosto e passar um creme à noite. - Pensa em aposentaria? - Continuo trabalhando porque não tenho parentes, nem filhos. Mas tenho bons empregados, que são meus amigos. E isso me basta. Não sinto falta de nada maior, a não ser de trabalho. Quando acordo de manhã e não tenho que trabalhar, penso: 'O que vou fazer?' Não gosto de ficar parada. - Algum sonho? - Nesta altura, só peço saúde e paz. Gostaria que o mundo tivesse um pouco mais de tranqüilidade, que nos oferecesse possibilidade de ir e vir, o que a gente não tem mais. E gostaria de ter saúde para acabar bem, sem chatear ninguém.FOTOS:PAULO BATELLI