especial VENCENDO A GERONTOFOBIA!

O envelhecimento é um processo natural: entenda o que é 'gerontofobia' e supere esse estigma

Veja como Suzana Alves e outras famosas estão ressignificando o envelhecimento

Emilly Nascimento Publicado quinta 18 março, 2021

Veja como Suzana Alves e outras famosas estão ressignificando o envelhecimento
Veja como Suzana Alves e outras famosas estão ressignificando o envelhecimento - Reprodução/Instagram

Você já ouviu a seguinte frase: “Aproveite enquanto ainda é jovem”? Ela e muitas outras nos dão a sensação de que só vivemos plenamente quando estamos usufruindo da nossa juventude. Algumas práticas corriqueiras como: pintar o cabelo, usar creme anti-rugas e tentar esconder ao máximo as marcas do amadurecimento podem ser sintomas de ‘gerontofobia’, que nada mais é do que o medo excessivo de envelhecer. 

A psicóloga Geovana Ortiz nos explicou o porquê desse estigma ser tão presente na nossa sociedade: “As pessoas têm medo de envelhecer porque na nossa cultura o envelhecimento significa a perda do valor social, trazendo estigmas e exclusão. Além disso, para elas a velhice significa o fim da vida e a proximidade da morte”, declarou. 

A profissional ainda alertou sobre como esse medo pode afetar a vida de um ser humano: “A ‘gerontofobia’ é um medo patológico que prejudica a saúde mental das pessoas afetadas, causando angústia, ansiedade, pensamentos negativos e baixa autoestima. Este medo ainda ocasiona sintomas depressivos e isolamento social. Também pode provocar distorções da realidade e da autoimagem dos indivíduos”, afirmou. 

Homens e mulheres estão sujeitos a sofrerem por conta disso. Porém, de acordo com a psicóloga, as pessoas do sexo feminino costumam passar por esse processo de forma mais intensa: “As mulheres costumam sofrer mais com a 'gerontofobia', pois, na nossa sociedade é comum a idealização da mulher jovem, ativa e esteticamente saudável. Obviamente, há uma pressão maior sobre elas, uma cobrança excessiva sobre a sua longevidade”, declarou Geovana. 

Felizmente, na contramão desse fato, famosas como Suzana Alves estão ressignificando esse tabu e inspirando outros indivíduos a respeitarem todas as fases de sua vida. Quando questionada se já havia sofrido com isso, a artista foi bem direta: “Tive quando fiz 30 anos, mas depois não tive mais. Me aceito e estou aprendendo a cada dia me amar mais”, disse em bate-papo exclusivo com a CARAS Digital.

Reprodução/Instagram

Aos 42 anos, Suzana está passando por uma transição capilar para deixar os fios naturalmente brancos e abriu seu coração sobre como está sendo esse processo: “Foi natural e partiu da necessidade de não poder ir ao salão por causa da pandemia. Não foi planejado, mas eu estava preparada para receber meus cabelos brancos. Sempre admirei mulheres que tinham essa liberdade, elogiava elas na rua, em qualquer lugar, mas não me via de cabelos brancos. Quando  liberei ele crescer sem fazer a raiz, foi confortável e sereno, mesmo sem planejar, parecia que estava vestindo minha melhor roupa”, afirmou. 

Gloria Pires, 57, e Fafá de Belém, 64, também passaram por esse processo do embranquecimento dos fios. No caso da cantora, as madeixas já estão completamente brancas: "Quando eu deixei meu cabelo ficar branco, eu sei que eu frustrei algumas expectativas. Porque todo mundo tá acostumado a me ver de cabelão, castanho, uma coisa mais brasileira, assim… Então eu peço desculpas a você que de alguma forma se sentiu frustrado ou ofendido, porque eu falo de idade né. Peço desculpas, mas vou deixar por um tempo ele branco.", declarou Fafá em um vídeo postado em suas redes sociais

Reprodução/Instagram

Suzana Alves também falou sobre como lida com a opinião de outras pessoas a respeito do seu visual: “Sou livre para mudar se quiser. O cabelo branco me trouxe ainda mais essa consciência de liberdade e amor pelas minhas fases. As críticas dizem respeito a quem faz, não a mim.  Não me ofendo com as negativas, mas me alegro com as positivas. Não por mim, mas por quem as fazem. Sinto que essa pessoa está no caminho da sua própria liberdade”, disse. 

E prosseguiu, explicando o que sente ao saber que muitas pessoas a tem como inspiração: “Me sinto motivada a ser cada vez mais a minha essência. Me sinto realizada com a minha trajetória e escolhas que fiz ao longo da minha vida e carreira. Isso é reflexo de uma vida real que escolhi viver lá atrás, quando despertei a não viver mais um conto de fadas e também quando descobri que essa vida aqui é só uma viagem rápida e transitória”, completou. 

No Dia da Mulher, a atriz Mônica Martelli, de 52 anos, fez uma bela reflexão sobre o assunto em seu Instagram: “Quero te convidar a pensar no tempo como aliado da nossa luta, como uma mola propulsora das nossas conquistas. Não como um inimigo da nossa idade, da nossa beleza ou das nossas habilidades. Muito pelo contrário. Quero que estejamos juntas, encarando essa passagem com leveza, humor e espirituosidade. Quero ver a minha filha aproveitar ao máximo cada fase sem o medo de envelhecer. E quero isso para a sua também. Tenha ela 5, 15, 50 ou mais. Porque eu sei que já estamos encarando o tempo de uma forma diferente de como as nossas mães o encaravam. Mas sempre podemos mais. Juntas podemos mais!”, destacou. 

Reprodução/Instagram

Por fim, a psicóloga Geovana nos deu algumas dicas para não cairmos nas armadilhas da ‘gerontofobia’: “Esse estigma só pode ser vencido através de autoconhecimento e autocuidado. É necessário entender que para tudo existe uma terminalidade, uma finitude e isso se aplica à vida também. Porém, isso não significa que o envelhecimento seja sinônimo de exclusão, angústia e tristeza. É possível encontrar o equilíbrio, sem pensar nos padrões impostos, buscando sempre o bem-estar e qualidade de vida”, disse. 

Envelhecer é um processo natural, todas as fases da nossa vida são importantes para nossa construção como indivíduo. Temos que aceitá-las e buscar aproveitar ao máximo cada uma delas. 

Último acesso: 16 Oct 2021 - 03:25:08 (381109).

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