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Decoração / Anuário

Entrevista: Simone Goltcher

Madeira de demolição Envelhecida pelos anos de uso, recuperada ela pode se tornar um diferencial na decoração.

Redação Publicado em 31/07/2009, às 15h27 - Atualizado em 13/08/2009, às 18h36

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Simone Goltcher - Reprodução
Simone Goltcher - Reprodução
Assim como as pedras valiosas, desejadas por sua raridade, a madeira de demolição também tem seu charme pela quase escassez. Afinal, já não existem mais tantas portas, janelas, tacos e frontões centenários por aí. Resgatadas do passado, elas são lixadas, limpas e protegidas. Ainda com as marcas da idade, mas com uma estampa atual, essas peças voltam para a roda da história e esperam pelas próximas gerações de arquitetos e designers logo ali na frente. Originária de antigos casarões e fazendas de café do interior paulista ou da região sul do país, a madeira de demolição costuma ser de espécies nobres e quase extintas, como é o caso da peroba, do jacarandá e o pinho-deriga, o que já torna especial. Soma-se a isso mais um agregado natural de valor que é a passagem do tempo. Não existem duas iguais. São marcas, tonalidades diferentes, pregos e bitolas variadas que dão às peças um charme único e fora de série. Literalmente. Menina dos olhos de muitos arquitetos e em voga ultimamente, a madeira de demolição realiza parte do desejo cada vez mais comum de exclusividade. Para completar, é tida como ecologicamente correta, porque evita que outras árvores sejam derrubadas. Por outro lado, a madeira de demolição pode custar mais que o dobro de uma novinha em folha. E aliás, essa é uma diferença de peso entre avelha e a nova. Em boa medida, o que torna a madeira de demolição mais cara é o nível de acabamento que se dá aos novos produtos que nascem dela. "Dificilmente se repete o mesmo uso", explica a arquiteta Chiara Meschini. "São portas que viram mesas e batentes que se transformam em pisos, por exemplo", diz. Por serem muito pesadas, essas peças costumam ser redesenhadas com linhas mais leves. "Ficam muito bacanas se usadas com aço inox, laca e espelho", afirma Walter Galabi, ambientador da loja A Especialista. Segundo a designer de interiores Simone Goltcher, "pelo aspecto rústico, as peças de madeira de demolição dão um bom contraste a ambientes mais sofisticados". E essa cara mais "surrada" tem ainda outra vantagem. "Como ela já é bastante marcada, quando usada em pisos, exige menos cuidado", pondera. Mais uma cadeira arrastada não fará muita diferença. Pelo contrário, a graça é essa mesmo. Por isso, o tratamento que a madeira de demolição recebe é básico, apenas para regularizar a peça e protegê-la. Como são centenárias, secas e bem trabalhadas, essas peças são consideradas bastante resistentes e de boa durabilidade. "Por serem muito duras, os cupins nem passam perto", brinca Chiara, que adora usar madeira de demolição em seus trabalhos. Para ela, todo projeto de arquitetura ou decoração deve ter um conceito claro, e é preciso atenção para não exagerar. "Hoje trabalham-se os planos com materiais diferentes e a madeira de demolição pode ser um detalhe, como um painel ou uma mesa". Muita gente, por exemplo, vem aplicando esse revestimento nos halls de distribuição dos apartamentos. Não é de hoje que a madeira é bastante usada de modo funcional, em estruturas, coberturas e pisos, e também como decoração. Por ser bom isolante térmico e acústico, não há quem não goste do conforto e do aconchego desse material. Ainda mais quando ele é charmoso, prático e menos formal. Correndo atrás desses consumidores descolados, com dinheiro e consciência ambiental, vários fornecedores passaram a trabalhar também com a madeira de demolição. Mas é preciso prestar atenção, porque na ânsia de fazer render mais algo que é escasso por sua natureza rara, muita gente está apenas revestindo peças novas com lâminas de madeira de demolição. É bom ficar atento. Afinal, nesse caso, o melhor mesmo é ter cara e corpinho de mais velho.