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Decoração / Anuário

A arte de colorir

Redação Publicado em 12/12/2008, às 12h51 - Atualizado às 12h56

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A arte de colorir
A arte de colorir
Cores estão em toda parte; porém, é quando temos o poder de combiná-las que uma boa dose de sensibilidade e conhecimento se faz necessária. Ao usá-las no nosso recanto mais íntimo, temos de estar cientes de seus efeitos, tanto técnica quanto emocionalmente falando. Há quem se sinta bem numa casa ampla, clara... E os que preferem o calor e o aconchego de ambientes menores e coloridos. Ao decorar sua casa, reflita sobre os tons que lhe inspiram boas sensações e consulte um designer de interiores que vai apresentar informações sobre a adequação das cores na composição do espaço. Elas tanto podem se destacar nas paredes e piso, como nos móveis, quadros e pequenos objetos. É um divertido quebra-cabeças a ser montado com muito prazer. A arquiteta Brunete Fracca-roli, conhecida por seu estilo colorido, usualmente constrói em seus projetos uma casa quase toda branca. As cores fortes estão nos detalhes. "Acho que a gente tem que ser ponderado. Minha casa é praticamente branca, mas vou misturando os objetos e ela vai mudando de acordo com a minha época. Hoje ela está lilás e roxa, mas já foi verde, azul, amarela...", conta. Para ela, cores têm de ser muito bem dosadas e é importante perceber o que está mais de acordo com a personalidade do cliente. "Você tem de captar a cor da pessoa, porque cada um tem uma dentro de si. Na hora de decorar, é preciso estudar o cliente. Também não jogo essa cor na casa inteira para não cansar. Jogo um pouquinho, até chegar ao ponto ideal", ensina Brunete, que utiliza objetos, vasos e vidros de várias maneiras para colorir um ambiente. Um recorte de vidro lilás e um roxo sobrepostos, por exemplo, podem ficar em cima de uma mesa branca, transparente ou espelhada. Esse tipo de artifício é comum. Uma sala em tons claros, com paredes acompanhando a cor dos móveis, pode ganhar vivacidade com objetos e detalhes de diversas tonalidades. Isso pode ser feito através da colocação adequada de vasos, vidros recortados, almofadas ou com uma manta jogada sem compromisso sobre um sofá. Léo Shehtman, arquiteto que tem em sua lista de clientes nomes célebres como o de Gugu Liberato, concorda: "Há pessoas que são superdiscretas, não gostam de nada em exagero; então, o ideal é apostar no básico usando cor só nos detalhes", afirma. "Se o cliente quer uma casa mais duradoura, vamos trabalhar com tons neutros e jogar umas almofadinhas coloridas, porque se amanhã aquilo cansar, ele pode trocar apenas as almofadas", conclui. Designer de interiores com cursos realizados na Itália, Patrícia Serralha reforça que a escolha das cores de uma casa deve estar em perfeita sintonia com o perfil de seu dono. "Jovens geralmente preferem tons mais fortes. Mas acho que a grande sacada é usar a base em cores mais sóbrias, porque depois você pode jogar os móveis nos tons que quiser", sugere. Com isso, o ambiente fica atemporal. E, para quem quer colorir, mas não deseja ter um arco-íris em casa, uma boa opção é brincar com vários tons de uma mesma cor. Debora Aguiar, arquiteta responsável por projetos realizados no Canadá, Estados Unidos, Emirados Árabes, Espanha e África do Sul, prefere tudo claro e num mesmo tom. "Eu sinto a energia fluir melhor. Gosto do ambiente monocromático, mas isso não significa que tenha de usar apenas tons claros: outras cores podem aparecer nos acessórios", comenta. Claridade também é o forte de Roberto Migotto - reconhecido arquiteto de São Paulo que tem Adriane Galisteu em sua lista de clientes -, sobretudo para os espaços de maior permanência dos residentes. "Ficam mais gostosos", opina. E dá uma dica de expert: "Mas pode ficar muito elegante utilizar um tom fendi em uma única parede de um ambiente claro. Com uma boa iluminação, o resultado é espetacular. E, nessa parede, você ainda pode colocar um quadro vermelho e ter um ambiente extremamente chique", orienta. Já o arquiteto Sig Bergamin, incluído na lista dos TOP 100 em decoração, publicada pela revista americana House Beautiful, acredita que tudo depende da localização do imóvel. "Quando você está na frente do mar, deve usar mais o branco. Numa casa de campo, eu gosto do colorido. A cor deve ser pensada de acordo com a geografia do lugar", ressalta. Dono de um trabalho eclético, o designer de interiores Oscar Mikail aprecia a unidade de um projeto. "Escolha um tom para toda a área social. Acho que o único lugar que você pode jogar um tom diferente é numa suíte ou num quarto de menina ou no do rapaz." E acrescenta: "Se quiser, pode dar uma diversificada no hall de entrada. Mas a cor deve vir no detalhe". Porém, há quem defenda um ambiente todo colorido. A arquiteta Bya Barros, responsável também pela decoração de vários shoppings de São Paulo, admite até usar o branco ou o cru, mas sempre com a interferência de cores. "Você pode ter um ambiente clássico, ou mais clarinho para não cansar, mas tem que utilizar a cor no lugar certo: uma parede, ou mesmo um ambiente inteiro colorido. Vermelho ou laranja numa sala de jantar é gostoso, atrai; mas pode ser um verde-claro também, muito utilizado em copas. Nos palácios europeus, essas cores são bastante usadas, até o amarelo-gema! E tudo com maestria", enfatiza. "Em matéria de decoração, não existe a cor bonita ou a cor feia, depende da sua afinidade com ela", explica o italiano radicado no Brasil Ugo di Pace. "Eu pessoalmente sou de uma gama de cores muito leves, que se integrem e não interfiram", afirma. Para colorir, entretanto, não leve em consideração apenas a estética. O azul claro, por exemplo, acalma e deve ser utilizado por pessoas mais agitadas. Para as mais tranqüilas, pode causar sono. Já o vermelho é vibrante e pode gerar excitação e até nervosismo quando usado em excesso. Em pequenas doses, traz requinte e sedução ao espaço. João Armentano, arquiteto consagrado, utiliza em seus trabalhos cinzas, pretos, brancos, tons mais neutros. "Sou uma pessoa muito ativa, não paro um minuto, graças a Deus! Sou movido a 280 por hora e por isso procuro me envolver em tons neutros", diz. "Mas nada impede que um dia, em um projeto de decoração ou de arquitetura, eu utilize para uma pessoa mais tranqüila elementos coloridos, com mais vida e vibração, para compensar a calma dela", salienta.
TAMBÉM É IMPORTANTE AVALIAR BEM O AMBIENTE QUE SE PRETENDE COLORIR. HÁ CORES QUE DÃO A IMPRESSÃO DE AUMENTAR OU DIMINUIR O ESPAÇO. TONS ESCUROS EM TETOS SÓ DEVEM SER USADOS EM CASAS COM PÉ DIREITO ALTO. CORES QUENTES, COMO VERMELHOS E LARANJAS, PODEM REDUZIR O CÔMODO. TETO AZUL PODE DEIXÁ-LO MAIS BAIXO, UMA PAREDE PINTADA DE VERMELHO CAUSA A IMPRESSÃO DE QUE ESTÁ MAIS PRÓXIMA. PORTANTO, É MUITO IMPORTANTE CONSULTAR QUEM DOMINA A ARTE DE COMBINAR. NO MAIS, É DEIXAR FLUIR A EMOÇÃO. COLOCAR NA SUA CASA O QUE LHE FAZ BEM AO CORAÇÃO, À ALMA...

Em sintonia com a sua cor

Conheça um pouco sobre algumas cores e lembre-se: não há regras soberanas. Na hora de escolher, valem a sensibilidade e a criatividade. BRANCO: É a cor da pureza, da paz, da tranqüilidade, da limpeza. Em excesso, pode causar uma sensação de frieza. Na decoração, dá amplitude aos espaços. Use-a em qualquer ambiente, principalmente quando a higiene for importante. Para tirar a impressão de vazio, use outras cores nos objetos, quadros ou móveis. PRETO: Transmite sobriedade. Muito empregada em ambientações modernas e clean. Se usada com exagero, pode causar sensação de angústia e opressão. Evite em paredes inteiras. No piso ou no teto, o preto pode causar a impressão de rebaixamento. Use para acentuar o contraste, principalmente com o branco. AZUL: Os tons claros e suaves acalmam e os mais escuros demonstram autoridade. Analise o ambiente antes de escolher, para que não cause sensação de monotonia ou de sono. É possível mesclar tonalidades. VIOLETA: Inspira calma e tranqüilidade. Ideal para ambientes destinados à meditação e à espiritualidade. Pode dar um toque de requinte se usado em detalhes. Não abuse da cor para não cansar ou estimular a depressão. VERDE: Cor neutra e equilibrada, o verde acalma e combate o estresse. Representa a natureza, além de simbolizar o crescimento e a saúde. Use em ambientes onde se busca a recomposição da energia e a alegria de viver. AMARELO: É a cor do sol, da luz. Abre o apetite e estimula a criação, a alegria e a comunicação. Use em ambientes com pouca iluminação natural e em locais de estudo. Cuidado: o tom forte ou em grandes superfícies pode incomodar devido à refração da luz. LARANJA: Tem as mesmas propriedades do amarelo e ainda estimula o diálogo e o equilíbrio mental. Use os tons claros em detalhes ou em uma parede da sala de jantar ou da cozinha. Os tons mais escuros podem ser aplicados em pequenas doses nos ambientes que necessitem de estabilidade. VERMELHO: Estimulante e excitante em todos os aspectos, o vermelho atrai prosperidade. Use em pequenas doses ou como um detalhe marcante. Para se destacar um determinado objeto, o vermelho é perfeito, pois traz sensualidade e classe. Inspira paixão. Um clássico. Porém, deve ser bem aplicado para manter essas qualidades.