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Ruth de Souza recebe homenagem na 12ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

Atriz foi a primeira mulher negra a atuar no Theatro Municipal carioca, com o espetáculo O Imperador Jones de 1945

CARAS Publicado em 27/11/2013, às 18h56 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Em pé: Polly, Flavio, Maria Gal, Maria Ceiça, Pitanga, André, Rocco e Thiago. Edson, Zezeh, Lázaro, Camila, Dani, Ruth e Juliana. - Paulo Mumia E Renato Velasco/Renato M. Velasco Com. E Fot.
Em pé: Polly, Flavio, Maria Gal, Maria Ceiça, Pitanga, André, Rocco e Thiago. Edson, Zezeh, Lázaro, Camila, Dani, Ruth e Juliana. - Paulo Mumia E Renato Velasco/Renato M. Velasco Com. E Fot.

Mesmo sem rodar filmes há quase dez anos, Ruth de Souza (92) foi a responsável pelo momento mais emocionante da 12ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, na Cidade das Artes, Rio. Primeira mulher negra a atuar noTheatro Municipal carioca, com o espetáculo O Imperador Jones, em 1945, e a ser indicada a um prêmio internacional — o Leão de Ouro do Festival de Veneza — por Sinhá Moça, em 1954, ela recebeu uma comovente homenagem por sua relevância no desenvolvimento da sétima arte no País. “Não tenho nem o que dizer sobre essa coisa linda que vocês fizeram para mim hoje. Só muito obrigada. Eu já rodei trinta e tantos filmes e ainda quero fazer mais”, discursou ela, que participou de clássicos como O Assalto ao Trem Pagador, de 1962, Um Copo de Cólera, em 1999, e As Filhas do Vento, 2004, pelo qual foi laureada como melhor atriz no Festival de Gramado. Sorridente, Ruth ganhou o abraço e o carinho especial de jovens colegas. “Ela é digna dessa e de muitas outras homenagens. Contribuiu para nosso legado artístico”, comentou Lázaro Ramos (35), que compareceu sem a sua Taís Araújo (34).

Ao lado do irmão, Rocco (33), e do pai, Antonio Pitanga (75), Camila Pitanga (36) demonstrou sua admiração. “Através do talento da dona Ruth, muitos atores negros se sentem representados”, enfatizou a atriz, longe da TV desde o fim de Lado a Lado, em março. André Ramiro (31), Maria Ceiça (48),Juliana Alves (31), Polly Marinho (30) e Zezeh Barbosa (50) também prestaram reverências. “Essa mulher é referência histórica”, afirmou Juliana.

A noite, que provocou lágrimas de emoção, também teve muito riso. Apresentadores do evento, os atores Letícia Isnard (39), Érico Brás (34) e Antonio Fragoso (45) arrancaram gargalhadas de indicados e convidados ao encarnar mitos como Dercy Gonçalves (1907–2008), Grande Otelo (1915–1993) e Oscarito (1906– 1970) na cerimônia que teve a comédia como tema. “Foi maravilhoso, mas não é fácil fazer a Dercy, tão peculiar. Acho que ela estava junto de mim”, contou Letícia, fielmente caracterizada como a saudosa comediante. Apesar do clima de humor, era possível notar a apreensão nos olhares de quem concorria nas mais de 20 categorias da premiação. E a cinebiografia Gonzaga – De Pai pra Filho, de Breno Silveira (49), consagrou-se a grande vencedora com os troféus Grande Otelo de Melhor Filme, Ator Coadjuvante, para João Miguel (43), Diretor, Som e Melhor Ator, que destacou Júlio Andrade (32) no papel de Gonzaguinha (1945–1991). “Rodei 35 filmes e algumas vezes quase vivi a alegria de levar um prêmio. Finalmente, esse dia chegou”, disse Júlio, que disputou com Rodrigo Santoro (38), por Heleno, e Caio Blat (33), por Xingu. João Miguel dividiu a láurea com Claudio Cavalcanti, morto em setembro, aos 73 anos, de falência múltipla dos órgãos. Ele, que interpretou Afonso em À Beira do Caminho, foi representado pela viúva, Maria Lúcia, e pela neta Eduarda. “Recebo esse troféu com alegria e não como uma nota triste”, declarou Maria. Domingos Montagner (51), com a mulher, Luciana Lima (39), e Ângelo Antônio (49), também indicados em coadjuvantes e colegas em Joia Rara, celebraram oresultado. “João e o querido Cláudio   merecem!”, explicou Domingos.Na disputa pelo título de Melhor Atriz com Alessandra Negrini (43),  protagonista de 2 Coelhos, e Nanda Costa (27), por Febre do Rato, Dira Paes (44) levou o troféu por À Beira do Caminho. “Todos nós que amamos o cinema somos vencedores”, ressaltou ela. Nanda, que apareceu com o braço quebrado, devido a uma queda na quadra de tênis, escreveu o nome de seu filme no gesso e derreteu-se pela vencedora, que viveu sua mãe em Salve Jorge. “Dira é amiga, uma pessoa que amo e com quem aprendi”, avaliou. Os atores Ingra Liberato (47), Rodrigo Andrade (29) com a namorada, Joyce de Paulo, Flavio Mariano, Maria Gal, Dani Ornellas (35), Thiago Justino, Edson Cardoso, o Jacaré (40), além de Cristina Moura, prestigiaram a festa.