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Região do acidente de Schumacher registra mil ocorrências por temporada, diz paramédico

Segundo profissionais que trabalham na região de Méribel, na França, os esquiadores experientes não costumam usar capacetes e respeitar os limites da pista

Anna Laura D'Avila Wolff* Publicado em 31/12/2013, às 11h05 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Michael Schumacher, heptacampeão da Fórmula 1 - Getty Images
Michael Schumacher, heptacampeão da Fórmula 1 - Getty Images

O ex-piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher, que no momento do acidente estava entre duas pistas de esqui, fora da área permitida para a prática do esporte, bateu em uma rocha, encoberta pela neve, que o derrubou, segundo a explicação de Matt Laurent, profissional de esqui e morador de Courchevel há dezessete anos, vale vizinho de Méribel.

As rochas estão em todo lugar. É só ver uma foto do local no verão. De certa forma, até são importantes, pois previnem avalanches de irem montanha abaixo. E é por isso que existe a demarcação de pistas, como em uma estrada, para dizer onde é possível ou não ir”, explicou Matt para a CARAS ONLINE.

Durante o período de esqui, que dura aproximadamente 120 dias na região de Méribel, ocorrem cerca de mil atendimentos de urgência dentro dos três vales, segundo a equipe de resgate do local, “mas raros são os casos realmente graves, metade dos acidentes envolvem apenas problemas no joelho”, explicou um paramédico da estação.

A primeira ajuda ao ex-piloto, que chegou cerca de dois ou três minutos após a queda, recorreu a um helicóptero para retirá-lo do local. Ao todo, oito minutos foram levados para a remoção de Schumacher. “O atendimento aconteceu dentro do padrão. Alguns minutos a menos não mudariam a atual situação dele”, disse Matt.

Sair da pista, além de ser perigoso, é uma atitude considerada ilegal. As pessoas não costumam respeitar esta lei, principalmente quando se tratam de esquiadores mais experientes, como Schumacher”, diz Matt.

Nas temporadas, devido ao grande número de turistas na região de Méribel, profissionais do esqui se aventuram fora das pistas em busca de neve fresca, o que é ideal para a realização do esporte. “Pela quantidade de pessoas esquiando, as pistas concentram uma neve mais compacta, que até mesmo vira gelo, atrapalhando os atletas”, contou.

Diferentemente do que acontece em países como os Estados Unidos e o Canadá, em que esquiadores perdem o passe se pegos fora das pistas, na Europa prevalece o direito de liberdade dentro das estações de esqui, em que cada um arca com os próprios riscos. “Apesar da ilegalidade do ato, nada de fato acontece com os infratores”, explicou Matt.

Na noite anterior ao acidente, em que havia nevado nos alpes franceses, cerca de 30 ou 40 centímetros de neve encobriram a rocha em que Schumacher bateu. A atual temporada, com menos cobertura de neve que o ideal, pode ser uma explicação para o fato.

É possível esquiar no local, mas somente quando há neve o bastante, geralmente em janeiro. Talvez, se não houvesse nevado poucas horas antes, o ex-piloto teria enxergado a pedra a tempo”, conclui Matt, que também diz que provavelmente nada mudará na estação de esqui, mesmo se Schumacher vier a falecer, pois a questão de liberdade e responsabilidade pelos próprios atos é mais cultural pela Europa do que pela América.

Segundo o instrutor, os esquiadores da região não têm por hábito usar capacetes, utilizando-os somente em competições. "Eles esquecem ou não acham tão importante, e diferentemente dos EUA, aqui isso não é lei", afirmou.

*Colaboração direto de Méribel, na França