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Psiquiatra explica depressão, vivida por Fabiane Niclotti, Miss Brasil 2004

O psiquiatra fala sobre os sintomas e diagnósticos da doença

Bruna Nastas Publicado em 01/07/2016, às 10h28

Fabiane Niclotti - Reprodução
Fabiane Niclotti - Reprodução

A Miss Brasil 2004, Fabiane Niclotti, de apenas 31 anos, foi encontrada morta na noite de terça-feira (28), no Rio Grande do Sul.

De acordo com os familiares, Fabiane sofria de depressão e a Polícia Civil trabalha com a hipótese de suicídio.

O psiquiatra Dr. Rodrigo Pessanha afirmou que a maioria das doenças depressivas acontecem por conta de um transtorno psiquiátrico que é caracterizado "por um padrão persistente e prevalente em uma série de domínios da vida pessoal de humor, clinicamente ou significativamente deprimido acompanhado de outros sintomas, como baixa auto-estima, perda de interesse em atividades que antes eram tidas como prazerosas, dificuldade mesmo de experienciar prazer".

Segundo ele, outros sintomas que devem ser percebidos são os físicos, como alteração no sono, perda de pesou e até mesmo ganho, aumento ou redução do apetite. "O que também é muito importante mencionar em pacientes depressivos é o risco de suicídio. Estatisticamente o risco de suicídio em pacientes com depressão maior é maior do que a população em geral, mas estranhamento nem todo paciente deprimido tem ideias suicidas, ou seja, apesar de haver um risco estatístico elevado, o fato de uma pessoa ter uma depressão, até mesmo severa, não quer dizer que ela tenha um risco eminente de suicídio. Isso precisa ser avaliado caso a caso".

"Apesar de sabermos que a depressão é uma doença da mente, mas também uma doença do cérebro que afeta o organismo como um todo, podemos observar alterações cardiovasculares, endócrino-metabólicas, alterações imunológicas. Nenhuma dessas alterações é específica da depressão o que faz com que, até o presente momento, nós não tenhamos nenhum meio de diagnóstico laboratorial, ou seja, exames de neuroimagem estrutural". Dr Rodrigo explica que o diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na observação do comportamento e dos relatos de vivências depressivas. 

"Atualmente, podemos encontrar dezenas de classes de antidepressivos no mercado. Isso é importante porque cada membro de cada classe de antidepressivo tem mecanismos de ação diferentes. Dessa forma, eu posso usar um antidepressivo com características mais estimulantes naquela paciente que está apresentando uma profunda inibição psicomotora, ou seja, aquele paciente que não sai da cama, não consegue sequer se locomover. Assim como eu posso usar antidepressivos mais tranquilizantes e até mesmo mais sedativos naqueles pacientes que têm depressão ansiosa ou depressão agitada", conclui.