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Bem-estar e Saúde / QUEBRANDO TABUS

Homens estão cada vez mais assíduos ao tratamento das hemorroidas, afirma especialista

Em entrevista à CARAS Brasil, gastroenterologista Vanessa Prado dá detalhes sobre a doença e explica como fazer o diagnóstico de forma correta

Homens precisam estar atentos aos sinais da doença e procurar um médico - Freepik
Homens precisam estar atentos aos sinais da doença e procurar um médico - Freepik

A hemorroida é uma doença extremamente comum, sobre a qual você já ouviu falar ao menos uma vez. Mesmo assim, não é raro que ela acabe sendo estigmatizada, virando um tabu de forma desnecessária, principalmente na saúde dos homens. Isso acaba dificultando o conhecimento das causas e o tratamento. E o mais agravante: atrasa a procura por atendimento médico especializado, resultando em um diagnóstico tardio, que pode agravar o problema e levar a uma intervenção cirúrgica.

Sangramento e dor são as manifestações mais frequentes das veias dilatadas na região do ânus, sendo que, em alguns casos, o vaso doente pode se projetar para fora, gerando uma saliência ou nódulo que é chamada pelos médicos de prolapso. Em entrevista à CARAS Brasil, a gastroenterologista Vanessa Prado, especialista em cirurgia do aparelho digestivo, dá detalhes sobre a doença e explica como fazer o diagnóstico de forma correta.

“Hoje em dia, existe realmente um grande tabu, principalmente entre os homens, em relação a observar o ânus, a sentir o ânus e a olhar para o cocô, mas a gente não pode generalizar isso. O tabu é geral, e nós estamos começando a fazer com que as pessoas olhem para o seu próprio cocô, veja a sua própria saúde do ânus. Os homens têm um viés de, nessa região do ânus, ter muita quantidade de pelo. E isso, às vezes, atrapalha até na higienização das fezes, podendo dar coceira na região do ânus. O ideal, que eu sempre falo, é ter um vaso sanitário de cor clara para observar as fezes, se tem algum tipo de sangramento ou catarro”, diz a médica.

De acordo com Vanessa, os homens costumam procurá-la já com dor, sem saber o que está acontecendo. “No meu consultório, tenho uma grande procura masculina; e eles falam da delicadeza da mulher em relação ao exame físico. Para a doença hemorroidária, a doença anorretal, o exame físico é uma prioridade, é o melhor exame. É o exame que a gente chama padrão ouro para estar fazendo um diagnóstico de forma correta. Falo que ele é soberano ao exame de imagem, que seria uma colonoscopia com anuscopia, para a gente poder avaliar todo o intestino; e a anuscopia, para avaliar essa parte final do ânus”, informa.

A especialista ressalta que tem visto cada vez mais os homens se cuidarem, se observarem e fazerem um tratamento. “Então, hoje em dia, os homens são muito mais assíduos ao tratamento. Eles têm medo do que pode estar acontecendo. Então, eles fazem os exames, eles tomam os remédios de forma adequada e procuram um tratamento rápido. A principal questão hoje em dia é fazer com que esse homem vá ao médico. A partir do momento que ele se conscientiza que ele tem um problema e consegue ir ao médico, ele tem cada vez mais feito adesão ao tratamento clínico, cirúrgico e ao comprometimento de estar resolvendo essa solução”, fala.

Vanessa destaca ainda que não existe uma diferença entre hemorroida de homem e hemorroida de mulher. “A única questão maior é essa da quantidade de pelo na região, que pode estar prejudicando; às vezes, uma higiene de forma adequada. Por isso, a gente sempre fala que evacuação tem que ser usado lenço umedecido para ter uma higiene melhor ou uma ducha higiênica. Se sentir qualquer abaulamento na região, precisa procurar um médico justamente para fazer um exame físico adequado, ver se não é uma hemorroida, uma trombose da hemorroida”, salienta.

“E por conta dessa quantidade de pelo que, às vezes, pode inflamar dentro do ânus, pode até originar abcesso, que é um acúmulo de pus por entre esses músculos da região anal, e o posterior a pus que é a fístula. Então, dor na região do ânus pode não ser só hemorroida. Pode ser fissura, que é um rasguinho dentro da mucosa do ânus, pode ser essa fístula, que é um trajeto por dentro do músculo do ânus; que às vezes o diagnóstico fica frusto por conta da quantidade de pelo do local. Mas um bom exame físico e um exame de imagem adequado, que nesse caso é uma ressonância magnética, esclarece o diagnóstico”, finaliza a médica.

Vanessa Prado - Cirurgiã do Aparelho Digestivo; Médica do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo do Hospital Nove de Julho, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Aparelho Digestivo (SBCD) e da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBC). CRM: 129114 / RQE: 86701.

Homens estão cada vez mais assíduos ao tratamento das hemorroidas, diz especialista
Vanessa Prado é especialista em cirurgia do aparelho digestivo - Reprodução/Instagram