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A história de força e arte de Eduardo Kobra

Com seu clã, muralista dá exemplo de perseverança ao transformar as ruas em galerias

Tamara Gaspar Publicado em 25/09/2017, às 09h57

Em seu estúdio, em SP, Kobra celebra com sua Andressa a chegada do filho, Pedro - Paulo Santos
Em seu estúdio, em SP, Kobra celebra com sua Andressa a chegada do filho, Pedro - Paulo Santos

Superar barreiras é uma especialidade de Eduardo Kobra(41). Considerado um dos maiores muralistas do mundo, com obras espalhadas em mais de 30 países, ele precisou enfrentar preconceitos sociais e artísticos para ter seu talento reconhecido. “No início, havia bastante preconceito e até minha família era contra, pois queria me proteger. Durante muito tempo, precisei viver à base de dinheiro emprestado, cheguei a ser detido, mas nunca pensei em desistir”, relembra ele, que começou trajetória pichando seu nome, depois tornou -se grafiteiro e, hoje, dedica- se ao muralismo. “Cresci na periferia de São Paulo e não sou um cara que passou pela universidade. Só vim a conhecer artistas que faziam esse tipo de street art algum tempo depois. Embora o universo ao meu redor estivesse ligado ao crime e às drogas, eu não estava envolvido com nada disso, só queria pintar”, conta ele, em seu estúdio paulistano.

O reconhecimento, segundo Kobra, foi um processo natural. “Trabalhar nas ruas te dá liberdade, mas exige dedicação e pesquisa. São muitos anos de trabalho, sempre batendo na mesma tecla. Aos poucos, as pessoas foram conhecendo meu trabalho e sou muito grato por tudo que conquistei”, frisa ele, que mantém uma base em Los Angeles, nos Estados Unidos, país onde mais trabalha. Kobra também é um recordista. O maior mural do mundo, com 5742m², tem sua assinatura e retrata o processo de colheita do cacau na Amazônia. Fica às margens de uma rodovia, em Itapevi, na Grande São Paulo.

Se o artista tem motivos de sobra para festejar sua história profissional, na vida pessoal não é diferente. Casado há três anos com Andressa Leo (31) — sendo 12 de relação —, Kobra vem se descobrindo em um novo papel: o de pai do pequeno Pedro (1 ano e 3 meses). “Nunca pensei em ser pai, mas Pedrinho veio programado e no momento certo, no qual eu me sentia mais preparado. Hoje, nossa casa é muito mais alegre e divertida, assisto a Galinha Pintadinha, sei as músicas...”, diverte-se ele.

Rotina em sua agenda, as viagens pelos quatro cantos do mundo têm ficado mais sofridas. “Tenho mais dificuldade para sair e, sempre que posso, o levo junto. Pedrinho já foi comigo para cinco países. Comemoramos o primeiro aniversário dele em Portugal e ele deu os primeiros passos na Espanha”, conta, orgulhoso. A chegada do herdeiro também fortaleceu o casamento. “Já tivemos dificuldades, como todo casal, mas Andressa é guerreira e sempre esteve a meu lado, nos altos e nos baixos”, aponta. “Ficamos mais bem-resolvidos após o nascimento do Pedro”, emenda ela, que ajuda o eleito nos negócios. “Ele brinca que, quando nos conhecemos, me deu os cartões para administrar e eu nunca saí por aí gastando. Daí nasceu a confiança!”

Apesar de vencer tantas barreiras, Kobra ainda trava uma importante luta contra uma intoxicação de metais pesados causada pelo uso das tintas. “Descobri há cerca de 15 anos e aconteceu porque, no começo, não me protegia com máscara e equipamentos. Há um controle, mas não é algo que você trata da noite para o dia”, desafaba. “Tenho insônia e fico até três noites sem dormir porque mexe com o sistema nervoso central. Acaba exigindo mais esforço na hora de trabalhar, mas não é algo que me paralisa. Vou lá e pinto!”

Diante das adversidades, o que fica são grandes lições. “Para mim, tudo é, e foi, um grande aprendizado. Eu e meu trabalho não nos separamos, eu sou o que pinto. Um artista pode nascer em um lugar simples ou frequentar as melhores universidades”, resume Kobra.