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Bem-estar e Saúde / CASO MARCELO SERRADO

Como ajudar alguém com crise de pânico? Psicanalista explica como proceder

Em entrevista à CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch detalha o problema e explica como ajudar uma pessoa no momento da crise de pânico

Marcelo Serrado teve crise de pânico ao embarcar em aeroporto - Divulgação
Marcelo Serrado teve crise de pânico ao embarcar em aeroporto - Divulgação

Marcelo Serrado (57) confessou que sofreu uma crise de pânico em um aeroporto nos Estados Unidos. O ator contou que estava prestes a embarcar com a família para o Brasil após as férias no exterior, mas não conseguiu entrar no avião. Por meio de um vídeo, ele comentou que teve um sentimento diferente e resolveu não viajar. O artista só pegou o voo no dia seguinte, sozinho, quando estava se sentindo melhor.

Em entrevista à CARAS Brasil, nesta quarta-feira, 5, a psicanalista Fabiana Guntovitch detalha o problema, que segundo ela, é mais comum entre as mulheres, e dá dicas sobre como ajudar uma pessoa  em um momento de crise, como o de Serrado.

No Instagram, o ator desabafou: "Finalmente são e salvo, e quero mandar essa mensagem de agradecimento a todo mundo. Centenas de pessoas que mandaram mensagem no dia que tive aquela crise de pânico, quando peguei meu voo para sair de férias com a minha família. E ontem, fui voltar em um voo de Miami para o Rio de Janeiro com a família e não consegui embarcar de novo. Chamei minha mulher no canto e meus filhos estavam ali. Falei: Olha, só está me dando um negócio aqui, não vou embarcar”.

E completou: "Depois de 10 dias de férias, achei que estava bem. Enfim, não estava. E ela embarcou com a família, fiquei sozinho no aeroporto. E o que me ajudou foram as mensagens de vocês. Li cada uma e vi que não estava sozinho. E eu peguei um voo hoje de manhã e liguei pro meu médico, e consegui chegar no Brasil, graças a Deus estou aqui. Agora é me tratar, isso tem tratamento”.

SÍNDROME DO PÂNICO

A Síndrome do Pânico consiste em uma recorrência de ataques ou crises de pânico, que se intensificam a ponto de levar a pessoa a sofrer grande angústia e ansiedade com a antecipação da possibilidade de sofrer nova crise ou ataque de pânico, de forma que tente modificar comportamentos ou a leve a evitar situações ou lugares que ela acredite que podem ser gatilhos para uma nova crise. Esse sofrimento e a necessidade de evitar e controlar as novas crises caracterizam a Síndrome do Pânico.

"Ela se desenvolve a partir de sucessivas crises de pânico. Crises de pânico pontuais não caracterizam síndrome do pânico. E qualquer pessoa pode passar por essa situação. Os ataques de pânico não são incomuns. Estima-se que atinjam por volta de 11% dos adultos a cada ano. Embora a maioria das pessoas se recupere desses episódios sem a necessidade de tratamento, de 2 a 3% acabam desenvolvendo a Síndrome do Pânico. Um fato curioso é que as mulheres são duas vezes mais suscetíveis a desenvolvê-la em comparação aos homens", informa Fabiana.

DICAS PARA CONTROLAR UMA CRISE

Ela explica que crises de pânico costumam provocar alterações físicas, emocionais e mentais e dá dicas importantes para controlá-las. "É importante a pessoa se conhecer e se perceber atentamente, pois quanto antes for possível identificar o início de uma crise de pânico, maior as chances de reverte-la. Algumas dicas de autorregulação são: respirar longa e pausadamente, relaxar os músculos da face e do corpo, analizar os pensamentos, se eles estiverem catastróficos, dizer para si mesma que eles não são reais e substitui-los por pensamentos calmantes, contar e nomear pelo menos dez objetos à sua volta, elencar dez coisas e/ou pessoas pelas quais sente gratidão e, se puder, lavar o rosto com água gelada ou colocar um saquinho de gelo na nuca", orienta a especialista.

De acordo com Fabiana, a psicanálise pode ajudar a entender e a lidar com toda a complexidade que envolve a síndrome. "No processo, podemos trabalhar o autoconhecimento, a autopercepção, a identificação de gatilhos e causas inconscientes", resaslta, acrescentando o que fazer em casos como o do ator Marcelo Serrado, que estava prestes a embarcar.

"É importante acolher a pessoa que está tendo a crise sem julga-la nem forçá-la a fazer algo que ela não esteja dando conta no momento. Dependendo da potência da crise, a pessoa pode até mesmo ter uma sensação de morte iminente, é algo realmente muito difícil de ignorar. Crise de pânico não é mimimi. Forçar a pessoa a embarcar na marra, seria muito pior", explica.

COMO AJUDAR QUEM ESTÁ TENDO UMA CRISE

Como as pessoas podem ajudar? "A primeira coisa é manter a calma. Se você ficar nervoso ou se desesperar, irá piorar o quadro. A segunda, é validar e acolher a angústia da pessoa em crise. Você pode perguntar se ela aceita a sua ajuda, e, com consentimento, pegar em suas mãos e sugerir que façam juntos respirações controladas. Se você tiver acesso a um saquinho de gelo, sugerir que ela o coloque na nuca. Pergunte se ela gostaria de falar sobre os medos e angústias que está sentindo. Se ela estiver sozinha, pergunte também se tem alguém que você possa chamar para busca-la e promova um lugar seguro até que ela possa se acalmar", diz Fabiana.

O diagnóstico correto da Síndrome do Pânico é importante, inclusive para identificar se existem outras psicopatologias concomitantes como Transtorno de Ansiedade, Depressão maior, ou outros transtornos. "O tratamento é feito com remédios psiquiátricos e psicoterapia. Quanto aos remédios, a critério do médico psiquiatra, existe a possibilidade de medicações de uso contínuo e de medicações tipo “sos”, específicas para o momento da crise. Mas cuidado, a automedicação sem a orientação de um médico psiquiatra pode ser extremamente prejudicial e piorar o quadro ansioso", finaliza.

Fabiana Guntovitch - Psicanalista, pós-graduada em Neurociência e Comportamento e apaixonada pela subjetividade do ser humano; Vem quebrando preconceitos acerca dos tratamentos para a saúde mental e ajudando pacientes a se relacionarem melhor consigo mesmos e com as pessoas que mais importam em suas vidas.

Psicanalista orienta sobre como ajudar uma pessoa em crise de pânico
A psicanalista Fabiana Guntovitch - Arquivo Pessoal