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Bebê / Anuário

Os cinco sentidos do seu bebê

Desde que nasce, o bebê já é capaz de explorar os cinco sentidos, que vão se desenvolver plenamente nos primeiros meses de vida. Entenda como funciona esse processo

Redação Publicado em 12/09/2011, às 03h18 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

O olfato é o sentido mais desenvolvido do recém-nascido. Por meio dele, o bebê reconhece a mãe até no escuro - Divulgação
O olfato é o sentido mais desenvolvido do recém-nascido. Por meio dele, o bebê reconhece a mãe até no escuro - Divulgação

Pequeno e parecendo tão frágil, o recém-nascido está longe de ser um projeto de gente. Esse ser humano que mal saiu da barriga da mãe tem todos os órgãos de um adulto e, logo nos primeiros momentos, já é capaz de explorar os cinco sentidos. “Crianças normais nascem com os cinco sentidos já formatados para levar ao sistema nervoso central as informações percebidas. Dessa forma, irá estabelecer os vínculos com o ambiente a sua volta, permitindo que se explorem as sensações desde então”, diz Paulo Pachi, neonatologista.

Logo nos primeiros instantes de vida, os bebês são capazes de reconhecer o cheiro da própria mãe e sentir seu toque. Minutos após o parto, ao serem colocados junto ao rosto da mãe, deixam de chorar no mesmo instante. E as vozes familiares ouvidas na vida fetal também podem ser reconhecidas após o nascimento. Basta ver como os bebês se acalmam ao escutar canções de ninar cantadas pela mãe ou pelo pai. Há ainda os cheiros, que provocam respostas logo após o nascimento. Outras sensações levam mais tempo para serem exploradas e seu desenvolvimento vai depender, entre outros fatores, da vivência diária.

Por isso, fique atento para o fato de que o bebê vai se desenvolver mais rápido e melhor quanto mais for estimulado pela família. Aproveite todas as oportunidades e ajude seu bebê a se acostumar a esse novo mundo de sensações. A seguir, veja como cada sentido se desenvolve na criança.

AUDIÇÃO
O sentido da audição em uma criança desenvolve-se muito antes do nascimento do bebê. Quando ainda está no útero, o bebê ouve os batimentos cardíacos de sua mãe, e, ao nascer, a criança tem boa compreensão e reconhecimento do som. Nos primeiros meses, perceba como a voz da mãe exerce um efeito calmante quando é ouvida pelo bebê.

Com o tempo, a criança começa a fazer a interpretação das palavras e compreende seus significados. É muito fácil, mesmo para um bebê, compreender o tom do discurso, se de censura ou elogio, por exemplo.

É interessante que o recém-nascido, desde os primeiros dias de vida, passe a ouvir músicas por uma a duas horas diárias, para que desenvolva as percepções de melodia, harmonia, ritmo e demais características da música.

Lembre-se que o ouvido é uma estrutura delicada, ainda mais no caso de recém-nascidos. Evite expor a criança a ruídos muito altos. Na hora do banho, proteja-o para não entrar água. Limpeza, só com a toalha, nas partes externas da orelha.

VOCÊ SABIA?
Desde o nascimento, uma criança pode explorar os cinco sentidos: degustar, ouvir, ver, tocar e cheirar. Mas como esses sentidos ainda não estão totalmente desenvolvidos, o estímulo da família é fundamental.

VISÃO
Ela também se desenvolve com o passar do tempo, sendo que, após o nascimento, o bebê é capaz de ver objetos dentro de uma faixa entre oito e dez centímetros de distância dos olhos. O recém-nascido também reconhece facilmente as cores preta, branca e vermelha. Com o tempo, seu campo de visão e compreensão das cores também devem se desenvolver.

Os bebês são por natureza curiosos sobre tudo aquilo que os rodeia. Desde o nascimento, gostam de olhar para as cores brilhantes no berço e para o rosto de sua mãe, o que costumam fazer repetidamente. Não é à toa que, entre as primeiras coisas que os bebês aprendem a reconhecer, esteja o rosto da mamãe.

Notadamente, é após o terceiro mês que o campo visual do bebê se amplia rapidamente nas três dimensões. Portanto, nessa fase é recomendável que se deixe, sempre que possível, a criança sentada (com um apoio em 45 graus). Isso vai aumentar o campo de visão e facilitar a visão do mundo ao seu redor de uma perspectiva mais abrangente, o que fica limitado quando o lactente permanece deitado todo o tempo olhando para um mesmo ponto.

TATO
Os bebês pequenos gostam de ser tocados. Eles adoram receber massagens e dormir no colo, pois o toque físico faz com que se sintam mais seguros. A  fim de explorar o que os rodeia, tendem, quando atingem o terceiro ou quarto mês de vida, a colocar tudo o que alcançam na boca, pois além da satisfação do sentido primitivo da oralidade, podem tocar os objetos com a língua, um órgão que possui enormes propriedades sensitivas.

O tato é tão importante para o recém-nascido que contribui até mesmo no tratamento de bebês prematuros, com o chamado Método Canguru, no qual o bebê passa algumas horas do dia em contato direto com a pele
da mãe, fixado a ela por faixas. Na Pro Matre Paulista, o Método Canguru é utilizado regularmente na UTI Neonatal, envolvendo inclusive o pai no processo.

Habitualmente, após o quarto mês de vida, a criança adquire a habilidade de apanhar os objetos e é, a partir de então, que devemos estimulá-la no sentido de explorar formas, cores, e pesos variados, além de induzir a
uma interação por meio de brinquedos que respondam às suas manipulações, como os chocalhos, por exemplo.

OLFATO
É o mais avançado entre os cinco sentidos presentes nos bebês. O olfato, já no momento do nascimento é bastante desenvolvido na criança, ao contrário da acuidade visual, audição ou tato, que requerem algum tempo
para se aprimorarem. Por meio do cheiro, por exemplo, uma criança é capaz de reconhecer sua mãe e perceber sua presença, até mesmo quando estão no escuro.

Com o tempo, a criança começa a reconhecer o cheiro de outros membros da família, o cheiro da papinha e das frutas. E gradualmente ela vai desenvolver uma compreensão de todos os cheiros ao seu redor.

Por terem o olfato tão aguçado, os bebês não devem ser expostos a odores demasiadamente fortes, como os perfumes e outros cosméticos, produtos de limpeza e muito menos fumaça de cigarro. O bebê também pode ter seu apetite estimulado pelo cheiro. Quando possível, deixe-o na cozinha enquanto prepara a comida. Se os aromas das panelas abrem o seu apetite, por que não funcionaria com o seu bebê?

PALADAR
Quando o bebê nasce, o paladar dele já se encontra relativamente desenvolvido. Porém, a pouca experiência com a deglutição do líquido amniótico não dá ao recém-nascido um conhecimento que lhe permita fazer escolhas no início de sua vida. Porém, à medida que o seu paladar vai sendo provocado com sabores diversos, as preferências começam a se manifestar.

Bebês exploram a maioria das coisas colocando-as dentro na boca, para sentir a sua consistência e forma. Essa fase é a chamada oralidade, que se torna bem evidente a partir do terceiro ou quarto mês. A introdução de alimentos em sequência, a partir do sexto mês, faz com que os sentidos de olfato e paladar se aprimorem, também contribuindo para definir as preferências.

Muitas vezes, as mães transferem para seus filhos o seu próprio gosto, introduzindo sucos e papinhas de frutas preparadas com a adição de açúcar. Evite esse procedimento, oferecendo fruta em seu estado natural, para que ele se habitue a ingeri-las sem açúcar, contribuindo para uma alimentação mais saudável.

COMO AJUDAR NO DESENVOLVIMENTO SENSORIAL DE UMA CRIANÇA?

Apesar de o desenvolvimento sensorial ser um processo natural em animais e humanos, já que por meio dele se superam os obstáculos dos caminhos da vida de cada um, alcançando objetivos necessários à sobrevivência, a estimulação global extrai o máximo do potencial das crianças. Cuidado, no entanto, para que não haja exageros e uma “overdose” de estímulos que acabe sobrecarregando o seu bebê.

ALGUMAS DICAS:
• Não sobrecarregue seu filho com conhecimentos agregados nas fases iniciais. Além de nada adiantar, os exageros só vão irritar a criança e deixá-la confusa.

• Ajude o bebê nas tarefas em que você perceba que há dificuldades, mas mostre os caminhos por meio de palavras e atos, até que ele perceba que é capaz de resolver por seus próprios meios e habilidades.

• Não seja superprotetor com seu filho. Deixe que ele “saia um pouco da linha”. Afinal, com os erros se aprende mais do que com os acertos. Quem tenta tem mais chances de aprender melhor e há ainda o estímulo à criatividade.