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Atualidades / JORNALISMO

William Bonner, Zileide Silva e José Roberto Burnier; relembre coberturas de tragédias no mundo

Em todas as tragédias que acontecem pelo mundo, tem sempre um jornalista disposto a correr atrás da informação e fazer história

William Bonner, Zileide Silva e José Roberto Burnier - Reprodução/TV Globo
William Bonner, Zileide Silva e José Roberto Burnier - Reprodução/TV Globo

William Bonner (60), âncora do Jornal Nacional, da TV Globo, passou mais de uma semana cobrindo a tragédia do Rio Grande do Sul diretamente do estado, para o telejornal. Por estar na região, ele pode exibir bem de perto o drama das vítimas das enchentes, que perderam suas casas e até entes queridos. Esse tipo de cobertura chama a atenção por sua sensibilidade. Como ele, outros jornalistas também participaram efetivamente de momentos trágicos que entraram para a história. A CARAS Brasil relembra a seguir alguns deles.

TSUNAMI NO JAPÃO

Em 2023, durante o programa Mais Você, da TV Globo, Roberto Kovalick (59) se emocionou ao falar sobre um dos momentos mais delicados de sua carreira como jornalista: a cobertura do devastador tsunami que atingiu o Japão em 2011, uma tragédia que deixou o mundo inteiro consternado. “Nessa cobertura, o que foi mais difícil foi ter o envolvimento da minha família. Eu fico até hoje emocionado", disse.

Ao contrário de outras vezes em que cobriu eventos desafiadores, dessa vez a esposa do jornalista estava no país com ele. “Uma coisa é eu ir para o lugar a trabalho. A gente se sente meio super-homem. Sei que é maluquice, mas nós nos sentimos assim. Agora, quando a família da gente está ali, e também está sofrendo", desabafou ele, bastante emocionado.

MARIANA/BRUMADINHO

A jornalista e apresentadora Mariana Ferrão (45) publicou no Instagram, em 2019, um relato a respeito da cobertura da tragédia em Brumadinho. O rompimento da barragem da Vale na região deixou 270 pessoas mortas e despejou milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na bacia do Rio Paraopeba.

Na publicação, ela relatou histórias de vítimas e parentes que conheceu durante o trabalho jornalístico. "Caí no choro e uma enfermeira voluntária que também trabalhou no desastre da Samarco, veio me dizer:'A tragédia me ensinou que mais importante do que indentificar sinais vitais é a gente perceber o quanto está doente quem não sente a dor do outro. Então chora, chora que faz bem'. Ainda vamos chorar muito. Mas o grande esforço é amar mais. Mais e mais. Os que ficaram e os que foram. Porque suadade é de alguem que mora dentro da gente. E eu já estou com saudade de um bocado de gente de Brumadinho", escreveu.

VOO DA CHAPE

O trágico acidente aéreo da Chapecoense, ocorrido na Colômbia, antes da final da Copa Sul-Americana de 2016, deixou 71 mortos e famílias desamparada. Entre os jogadores do time catarinense que estavam no avião, apenas três sobreviveram: Jackson Follmann, Neto e Alan Ruschel.

A repórter da CNN Bruna Ostermann (35), à época no SBT, lembra que começou a cobertura com uma visita à casa do jogador Alan Ruschel, para acompanhar as notícias junto com a família dele. "A cobertura no local foi muito triste. O time surgiu da união da comunidade de Chapecó, dos apaixonados por futebol, que queriam uma equipe profissional. A Chape vivia o auge e as pessoas contavam que estavam em êxtase com a boa fase e chance de título internacional", recordou ela, em entrevista Coletiva.net.

"Hoje eu lembro do trabalho com muito respeito àquela comunidade e com a certeza de que tanto a tragédia, quanto as pessoas que conheci lá, tornaram-me uma jornalista mais humana", emenda.

BOATE KISS

Um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), causou a morte de 242 pessoas e deixou 636 feridos, em 27 de janeiro de 2013. O fogo foi causado pelo disparo de um sinalizador que atingiu a espuma de isolamento acústico, sem proteção contra chamas.

José Roberto Burnier (63) acompanhou a luta dos sobreviventes do incêndio da Boate Kiss. Ele foi o primeiro repórter a entrar no local. "Foi uma cobertura pesadíssima, do ponto de vista de trabalho, trabalhava 18, 20 horas por dia. E ficamos uma semana inteira. Essa cobertura marcou muito a minha carreira como repórter porque a gente conversava diariamente com os pais daqueles meninos, e cada história era uma dor terrível", disse ele, ao Jornal da Tarde.

O jornalista também participou de importantes coberturas em São Paulo, como a do acidente com o avião da TAM, em 2007 – quando a aeronave que saiu de Porto Alegre bateu em um prédio comercial nas proximidades do aeroporto de Congonhas, causando a morte de 199 pessoas.

Em 2010,Burnier foi um dos enviados especiais da Globo ao deserto do Atacama, no Chile, para cobrir o desastre que deixou 33 mineiros chilenos soterrados em uma mina de ouro e cobre durante 17 dias. O resgate das vítimas foi acompanhado por cerca de dois mil repórteres do mundo inteiro.

11 DE SETEMBRO

Zileide Silva (65) relembrou sua participação na cobertura dos atentados terroristas às Torres Gêmeas de Nova York em 11 de setembro de 2001. A jornalista, correspondente nos Estados Unidos na época, ficou fortemente abalada. “Chorei e não tenho vergonha de falar isso”, desabafou ela, em entrevista à GloboNews.

“Lembro que naquele dia a cobertura foi extensa, nós ficamos no ar até no Jornal da Globo e depois a equipe saiu, voltando para casa. Nosso escritório na época era na Terceira Avenida, uma avenida cheia de lojas, cheia de restaurantes, viva o inteiro. Naquela noite, não tinha um barulho ali. Sabe aquele silêncio? Tudo parado. Nós fomos andando, éramos mais ou menos cinco ou seis companheiros (…) Fomos andando por ali e foi entrando na gente aquela tristeza. Até hoje fico emocionada. Quando cheguei em casa, chorei, chorei, chorei. Pensei ‘meu Deus, o que está acontecendo?’”, diz.